Ford Lusitana deixa 300 pessoas sem trabalho

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Azambuja:

Ford Lusitana deixa 300 pessoas sem trabalho

Tenho vindo a acompanhar a situação na Ford Lusitana, particularmente desde quando começaram a fervilhar com maior insistência boatos sobre o eventual encerramento desta importante unidade produtiva da indústria automóvel, que há cerca de quarenta anos labora no vizinho concelho de Azambuja.

Na base de tudo isto está a decisão, tornada pública, da administração da Ford em acabar com a produção da Ford Transit, passando esta a ser produzida em fábricas em Inglaterra e na Bélgica. Entretanto a administração da Ford ia dizendo continuar empenhada na procura de produtos alternativos à Transit, que permitissem a continuidade da laboração da fábrica de Azambuja.

Foi com algum espanto que recebemos a notícia recente da venda das instalações desta fábrica à Opel GM, consumando desta forma o fim da produção de automóveis FORD em Portugal.

Antes da consumação da venda, o Governo foi questionado na Assembleia da República dando a entender então ter uma solução na manga que salvaguardava a laboração daquela unidade produtiva e os mais de trezentos postos de trabalho. Afinal nada disto se concretizou: trezentos trabalhadores de elevada qualidade técnico-profissional vão ser indemnizados e desvinculados da empresa até meados do ano 2000, não havendo sequer garantias absolutas de que, sobretudo, os mais novos, venham a ter o seu posto de trabalho na vizinha Opel.

Com a globalização em marcha, tem acontecido que muitas multinacionais, na mira de engrossar os seus lucros, “levantam ferro” com as suas fábricas de países onde os salários e os direitos dos trabalhadores são elevados para outros onde esses mesmos direitos são muito inferiores. Na Ford Lusitana não parece ser essa a lógica da decisão porque quer em Inglaterra, quer na Bélgica, os salários são muito superiores aos praticados no nosso país. A razão, ao que parece, estará ligada à superioridade tecnológica dessas fábricas. Talvez agora já se entenda qual o motivo porque a Ford não tenha investido desde há muitos anos na renovação tecnológica da sua unidade de Azambuja.

Azambuja e os concelhos circundantes, como o nosso de Alenquer, de onde são oriundos os trabalhadores desta unidade, ficarão a perder e de uma maneira geral o nosso país também.

Uma pergunta deixo no ar: neste caso, terá o Governo português feito tudo ao seu alcance para defender os interesses nacionais?

NL01-Azambuja-Bento Luis



in Jornal D’Alenquer, 1 de Janeiro de 2000, p. 5
©Bento Luís (2000)

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