Campera: Vladimiro de Matos mostra-se apreensivo

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Campera do Carregado, primeiro Outlet em Portugal

Vladimiro de Matos mostra-se apreensivo

«Dá-me a ideia que os comerciantes daqui da terra ainda não tomaram consciência da gravidade da situação»

Vladimiro-CamperaNo dia 10 de Janeiro deslocámo-nos ao CAMPERA, no Carregado, um novo conceito de comércio iniciado nos Estados Unidos da América, há cerca de 15 anos, e depois da visita verificamos a euforia de uns e a preocupação de outros.

Iniciamos a recolha de opiniões, por Vladimiro de Matos, Presidente da ACICA, estrutura associativa dos comerciantes do concelho, que se mostrou bastante apreensivo com as consequências, que no seu entender, serão bastante nefastas para o comércio da zona.

VM – É uma estrutura com 140 lojas e que vai abalar o comércio local e não só. Quando falo em comércio local, refiro-me a Alenquer, Azambuja, Vila Franca de Xira que irão, necessariamente, ser afectados. Mas irá também afectar centros como o Colombo, Vasco da Gama e Amoreiras onde existe uma camada específica de clientela com algum poder económico. E isto porquê? Porque se a política de preços praticada lá fora, estivesse de acordo com o nível de vida português…

Em Barcelona (La Roca) são só 52 lojas. Comprei algumas peças, para confrontar preços com alguns comerciantes e verifiquei que os preços que são praticados não nos metem medo a nós portugueses, só que são preços de acordo com o nível de vida espanhola. Resta saber se a política de preços vai ser adaptada ao meio económico português. Penso que irá ser. Sejam quais forem os preços praticados, vão ter um impacto muito grande. São produtos originais que vêm directamente das fábricas de Inglaterra, Alemanha, Holanda, França e que não têm defeitos.

Em La Roca, a população mais perto (40 Km), os comerciantes de pronto a vestir desviaram as marcas e começaram a comercializar outras marcas, que não estavam instaladas no Campera. Aqui não é solução, pois as pessoas não vão atrás das modas e com certeza irão ser “chamados” a ir passear para esta grande superfície. Mesmo que não tenham intenção de comprar, acabam sempre por não poder resistir, comprando aquilo que, em princípio, não tinham intenção de comprar.

A Câmara autorizou a instalação do Campera sem consultar a ACICA. Lamento que a ACICA não tenha sido convidada a estar presente na apresentação, no Hotel da Lapa, em Lisboa! Sentimo-nos marginalizados no processo.

A ACICA chegou a levantar o problema na CMA sobre a falta de informação sobre a instalação duma unidade desta grandeza, e propôs à Câmara duas coisas importantes, para tentar minimizar os efeitos daquela unidade:

    a) O Campera tinha ideia de fazer excursões com saída do Campera e visitar o concelho de Alenquer. A ACICA propôs que essas visitas fossem coordenadas, tanto pela Câmara como pela ACICA, visto que está no terreno e que conhece o que de melhor há para oferecer aos turistas, inclusivamente aproveitar a oportunidade para fazer a “Rota do Vinho”. Isto é, os turistas saírem do Campera em visitas organizadas e proporcionar-lhes visitarem também o comércio tradicional da nossa zona.

    b) É necessário que se dê a possibilidade aos comerciantes que têm representação das marcas, dos seus “over stocks” poderem ser escoados para o Campera.

Dá-me a ideia que os comerciantes daqui da terra ainda não tomaram consciência da gravidade da situação. Embora já alguns tenham demonstrado à ACICA a sua preocupação, a maioria ainda não tomou consciência da grandeza daquele projecto.

Em Barcelona, com 52 lojas, estão lá: prontos a vestir, casas de artigos de desporto, ópticas, sapatarias, peles, malas, artigos de decoração, fotografia e muitos restaurantes. Aqui, com cerca de 140 lojas com certeza que os sectores serão mais diversificados e, de certeza, só em restaurantes serão dez.

Só podemos ter algum ganho, no aspecto de divulgação do Concelho de Alenquer, se vierem turistas e houver um trabalho coordenado com a Câmara de forma a fazer transitar pessoas dali para o nosso concelho, levá-las a conhecer a nossa gastronomia, as nossas belezas naturais, “A Rota do Vinho” que é um filão que nós temos; levá-los a conhecer o comércio tradicional, É preciso aproveitar as pessoas que ali vão e canalizá-las para o concelho, não como alternativa mas sempre como complemento. Mas tenho muitas dúvidas do aproveitamento que nós poderemos recolher das pessoas que ali vão.

É uma falsa questão quando se diz que aquilo vai arranjar postos de trabalho locais, visto não haver desemprego no nosso concelho. O perigoso é a possibilidade de esta estrutura tirar mão-de-obra especializada às empresas já existentes no nosso concelho. A falta do ensino politécnico tem criado muitas dificuldades às nossas empresas, pois existe muita falta de mão-de-obra especializada.

Temos uma candidatura conjunta CMA/ACICA para um projecto de Urbanismo Comercial, e estamos a aguardar durante este mês de Fevereiro que a Direcção Geral do Comércio nos contacte para marcar o início de observação do Projecto.


Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2000, p. 5
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)
director do Jornal D’Alenquer

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