O “Jornal D’Alenquer” e o começo…

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O “Jornal D’Alenquer” e o começo…

Eça de Queirós e o início da vossa publicação… (abusivamente já se vê):
“Meu caro Bento. A tua ideia de fundar um jornal é daninha e execrável. … juízos ligeiros, vaidade, intolerância, eis os três negros pecados sociais que, moralmente, matam uma sociedade ! E tu alegremente te preparas para os atiçar”.
Os jornais e as revistas principalmente se locais devem proporcionar objectividade e conclusões a cada um.

… juízos ligeiros.“Com excepção de alguns filósofos escravizados pelo método, e de alguns devotos roídos pelo escrúpulo, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. É com impressões fluidas que formamos as nossas maciças conclusões”.
Afirmando capacidades, concretizando ideias.

…vaidades!“O jornal é com efeito o fole incansável que assopra a vaidade humana, lhe irrita e lhe espalha a chama. Pelo jornal, e pela reportagem que será a sua função e a sua força, tu desenvolverás, no teu tempo e na tua terra, todos os males da vaidade!”
Espaço aberto às questões vivas desta terra, aos problemas para resolver.

… Intolerância“Tu fundas, com o teu jornal, uma nova escola de intolerância. Em torno de ti e dos teus amigos, ergues um muro de pedra miúda e bem cimentada: dentro desse murinho, onde plantas a tua bandeirola com o costumado lema de «imparcialidade, desinteresse, etc.», só haverá, segundo Bento e o seu jornal, inteligência, dignidade, saber, energia, civismo; para além desse muro, segundo o jornal de Bento, só haverá necessariamente sandice, vileza, inércia, egoísmo, traficância! Mas escuta! Onze horas ligeiras estão dançando, no meu velho relógio, o minuete de Gluck. Ora esta carta já vai, como a de Tibério, muito tremenda e verbosa, verbosa e tremenda epístola; e eu tenho pressa de a findar, para ir, ainda antes do almoço, ler os meus jornais, com delícia. – teu Fradique.”
Saibam ocupar um espaço próprio! Com dignidade e seriedade!

Excertos da Obra: “a Correspondência de Fradique Mendes” do grande Eça de Queirós – (carta a Bento S.).

Por si só, são palavras fortes para o início de uma publicação.

Com cordiais saudações apresto-me a colaborar.

 

Pedro Alvesin Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2000, p. 3
©Pedro Alves (2000)
técnico do Instituto de Meteorologia

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