Reside em Alenquer o motorista acidentado na Ponte da Arrábida

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Reside em Alenquer o motorista acidentado na Ponte da Arrábida

Ponte da Arrábida

“Quando a galera tombou agarrei-me ao volante e pensei que quando parasse já estaria morto, e não fui projectado porque fiquei entalado entre o banco e o volante. Estive suspenso mais de uma hora de pernas para o ao ar.”

Neste mês trágico, fomos alertados pela comunicação social diária para o aparatoso acidente na Ponte da Arrábida, no Porto que provocou o caos nos acessos à Invicta. Cerca das 2 horas da madrugada do passado dia 13 de Janeiro, um camião despistou-se quando seguia no sentido Norte-Sul, ficando suspenso entre a Ponte da Arrábida e um dos acessos inferiores (nó da Afurada).

Jornal D’Alenquer apurou que o despiste foi causado por um pequeno toque entre o camião pertencente à empresa “Transportes dos Lagartos”, do Barreiro, que transportava cerca de seis toneladas de batatas e de cebolas, e um camião cisterna pertencente à firma “Transportes de Combustíveis a Granel”, de Azambuja. O único camião que sofreu consequências foi o primeiro, pois galgou as protecções laterais da estrada e embateu nas grades da ponte onde ficou pendurado cerca de doze horas.

Apesar do grande aparato do acidente, o condutor do primeiro camião saiu ileso e depois de ter passado pelo Hospital de Santo António, no Porto, foi para casa sem grandes mazelas físicas.

Foi na sua casa em Alenquer que encontramos Pedro Daniel Henriques e de quem ouvimos a sua odisseia. Disse-nos que à sua frente ia uma cisterna e quando se aproximou deu-lhe a sensação que estava parada ou que tinha acabado de arrancar. Tentou fazer a ultrapassagem e foi quando não conseguiu equilibrar a viatura, pois a galera deitou-se. Se ela não se deita, conseguiria equilibrar a coisa mas só que ela deitou-se e ficou sem travões na galera.

Conforme rebentou com os protectores da ponte, grandes blocos de cimento que foram projectados, a cabina abriu-se e partiu-se. O tractor ficou suspenso na vertical na ponte e a galera deitada em cima, a apanhar as duas vias. Foi a galera que aguentou tudo, pois se o pivot tem partido teria caído.

“Eu venho a 50 Km/h. com o piloto automático ligado e entretanto deparo-me com aquilo e como não é um automóvel ligeiro, quando faço um ligeiro desvio…”Houve pessoas que trabalham na JAE que me disseram que a cisterna estava completamente parada. Eu vou para “ali” e bato, venho para “aqui” e a cisterna fica atrás de mim. Se ela estivesse a andar tinha-lhe batido outra vez. Mesmo que ela travasse eu apanhava-a outra vez e isso não aconteceu”.

“Quando a galera tombou agarrei-me ao volante e pensei que quando parasse já estaria morto. A cabina ficou suspensa e quando se partiu o pára-brisas não fui projectado porque fiquei entalado entre o banco e o volante. Nunca perdi a consciência nem entrei em pânico, mas pensei que era o fim. Estive suspenso mais de uma hora de pernas ao ar. Mexi os dedos dos pés para ver se tinha as pernas partidas. Passado um bocado comecei a deixar de senti-las pois estavam fortemente apertadas e dormentes”.

Pedro Daniel Henriques é natural da região de Coimbra e a sua esposa de Ota. Têm 2 filhos e aguardam um terceiro. Residem num terceiro andar na vila de Alenquer. (A seu pedido não editamos nenhuma foto alusiva).



Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2000, p. 6
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)
director do Jornal D’Alenquer

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