A sanidade do sistema político começa pela alteração da Lei Eleitoral

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A sanidade do sistema político começa pela alteração da Lei Eleitoral

– As questões de carácter local nem sempre têm características nacionais, mas as questões nacionais têm sempre características profundamente locais. Assim sendo, este texto diz respeito ao nosso concelho, tal como diz respeito a todos os outros.

– Vem isto a propósito da LEI ELEITORAL em vigor que se mostra ano a ano, cada vez mais desfasada no tempo e não é mais que uma excrescência dum período agitado em que a democracia foi conduzida por pessoas politicamente tendenciosas e impreparadas.

– A Lei Eleitoral vigente é a tribalização dos partidos, sobretudo dos que têm assento parlamentar, que criaram modelos e actuações de vida política absolutamente insensíveis dos interesses dos cidadãos. São, na maioria das vezes, meras “caixas-de-ressonância” dos partidos que representam. É a prepotência partidária à “rédea solta”, sem qualquer cimento ideológico, sem objectivos que não sejam os de defender os interesses duma classe cada vez mais distante e cada vez mais detestada pela sociedade civil, isto é pelos, eleitores. Muitos deles são mesquinhos, falaciosos, incompetentes, buscando tantas vezes somente interesses pessoais.

– A sanidade do sistema político vigente exige uma profunda frontalidade e capacidade de entender de forma séria a sociedade envolvente. Observar os sinais dos tempos, reflectir uma vez mais e enfrentar com lucidez uma alteração da Lei que está caduca há anos.

– Será dessa alteração, que em meu modestíssimo entender, resultará um decréscimo do desinteresse dos cidadãos pelos actos eleitorais, é dessa alteração que nascerá uma forma diferente mas clara do financiamento dos partidos; da remuneração dos cargos políticos mas sobretudo a introdução duma autêntica proporcionalidade dos votos. Serão apenas formas de reforço da Democracia. Isto só não se faz por medo, por cobardia e continua adiado de governo para governo. Continua no fundo da gaveta.

– É sabido que o exercício de qualquer actividade política não se faz por decreto. Ele está na esfera da liberdade, da cultura e do grau de responsabilidade de cada um desses políticos mas para isso é necessário que todos os partidos deixem de atender clientelas ávidas de benesses e mordomias e saibam finalmente escolher com isenção e imparcialidade as figuras certas para os lugares certos.

– É necessário no futuro mais “élan”, mais criatividade e dedicação dos “actores” e menos palavras de circunstância só para os telejornais.

– Penso que o essencial está nisto. Sei também que para os “políticos”, o que escrevi são palavras do vento, ou palavras escritas no vento.



Nota de pé de página:– Por questões de equidade e de ética relativamente a outro jornal local, vou interromper temporariamente a minha colaboração no JA.

– Esta atitude não é sinónimo de incompatibilidade nem com o jornal nem com o seu director, significa tão-somente que por vezes é preciso parar para reflectir.

15 / 2 / 2000



Nuno-Roldão


©Nuno Roldão (2000)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Março de 2000, p. 22

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