Santana Lopes: O regresso do “animal político”

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Santana Lopes

O regresso do “animal político”

PSL

A última vez que opinei na imprensa sobre a política local, caiu-me em cima o “Carmo e a Trindade”: “está armado em político”. Colocado o rótulo, respirou-se fundo e encolheram-se os ombros, porque afinal não passava de “um caso perdido” e o sistema certinho e burocrático não estava para me aturar.

Cá no burgo, a oposição é molezinha e limita-se às intervenções do vereador comunista, que apesar do seu voluntarismo, perde toda a eficácia porque primeiro, está isolado na contestação e em segundo, devido à carga ideológica que ela contém. E, porque vejo que hoje em Alenquer o PPD/PSD não é encarado como alternativa credível, aceitei o repto de falar de Pedro Santana Lopes.

Adaptando um pensamento de Nuno Roldão, no seu trabalho “A sanidade do sistema político…” direi que “nem sempre o que é notícia local também é notícia nacional, mas quando é notícia nacional geralmente também é notícia local”. Entendo que o surgimento de PSL na cena política, poderá mesmo vir a ter alguma influência na vivência política em Alenquer. Não que vá alterar a relação de forças existentes mas sim motivar outra postura política do PPD/PSD concelhio.

Dos três candidatos anunciados, a minha simpatia prudente vai para PSL, homem de “vícios” públicos e virtudes privadas e por julgar que ele tem jeito para falar, tem jeito para realizar e para dirigir e é um candidato sem medo, face a qualquer confronto eleitoral. PSL não tem as simpatias dos “barões” do partido, tanto nacionais como locais: esses senhores que, embora tenham passado por vários líderes, se mantém nos mesmos cargos, muito por fruto da inércia de ideias e por fácil comodismo; esses senhores que conduziram o PPD/PSD à realidade actual.

PSL tem a capacidade de desviar uma sensibilidade qualquer, de um livro, de uma conversa familiar ou de um programa televisivo, para a prender 45 ou 50 minutos seguidos com um discurso que, em princípio, não lhe interessa assim tanto. E o fenómeno é esse: galvanizar indiferentemente donas de casa, intelectuais, empregadas de balcão, empresários ou motoristas de longo curso, atraindo-os para a política, porque detectam em PSL potencialidades imperceptíveis de charme, como o humor necessário, o léxico galante para o sexo oposto ou a agilidade das soluções retóricas.

Enfim simpático, instável talvez, pecador mas genuíno, transparente na sua dupla função terrena e humana, mas alguém em quem se possa rever o sonho dos velhos hábitos tão bonitos como passear ao domingo com a família, ir ao sábado à tarde ver um filme no antigo Alenquer-Cine ou beijar a namorada num banco da Parque Vaz Monteiro a ouvir a banda da SUMA a tocar no coreto, ou quando as raparigas casavam virgens, os filhos respeitavam os pais, os compromissos eram feitos (aceites) para serem honrados, o ar ainda era limpo e o sexo ainda era sujo.

No meu entender, tendo o mesmo valor humano e intelectual o que separa PSL dos outros dois candidatos é a eficácia política: PSL não perdeu nada, é carismático, dinâmico, determinado e sabe o que quer. Pelo contrário, Durão Barroso já perdeu as europeias, teve um desastre nas legislativas e está longe de cativar as simpatias populares

Estou a escrever antes do Congresso do PPD/PSD de Viseu, portanto sem saber qual a posição que PSL desempenhará a seguir. No caso de ser ele o vitorioso, com certeza que iria definir e clarificar as diversas situações menos claras que vão ocorrendo nas concelhias e que colocaram o PPD/PSD na situação difícil em que está.

Por exemplo em Alenquer, que é o caso que me interessa mais directamente, PSL iria questionar Manuel João Guiomar, presidente da concelhia e vereador eleito, qual tinha sido a sua última intervenção oposicionista na Câmara de Alenquer; pedir para explicar a sua auto-suspensão de presidente da Comissão Política de Alenquer e ter ido aos microfones da RVA “deitar abaixo” o leader nacional do PPD/PSD, mesmo em plena campanha eleitoral para o PE, assumindo novamente a função de presidente da concelhia, mal acabada esta campanha; pedir-lhe para explicar a confiança política que o Presidente da Câmara deposita em si; perguntar-lhe se entenderia que os eleitores simpatizantes e militantes social-democratas não se sentiriam enganados e desiludidos; “obrigá-lo” a explicar o seu comportamento que despreza os sinais de um eleitorado cansado de tanto vazio.

No lugar de se entender alguma coisa, no lugar de se verificar a necessidade de reagir na hora àquilo que nos parece menos bem, para que a consciência se mantenha impoluta é necessário e comodamente indispensável não se perceber literalmente de nada ou nunca mais paramos de equacionar e aceitar o que, penso, se assemelha demasiado a consentir. A credibilidade de quem está calado não serve para nada aos cidadãos da nossa terra e com certeza seria mais considerado por alguns se dissesse o que fosse mais conveniente em vez de dizer o que penso, mas como compreendem, não posso fazer isso a mim mesmo sob o risco de me tornar político.


INQUÉRITO:
Santana Lopes poderá influenciar a actividade política em Alenquer?

Pedro-PiresPedro Pires
– Autarca PS em Alenquer
– Colaborador do Jornal D’Alenquer

Santana Lopes é um idealista de projectos inacabados. Tudo o que tem começado nunca acabou. E mais uma vez ao pretender ser líder do PSD, se ganhar o Congresso, deixará o Município da Figueira da Foz como se fosse um namoro de adolescente que começa e acaba como por encanto. Por tudo isto, Alenquer pode estar descansada, pois seja o que for que Santana Lopes venha a idealizar tem os dias contados.

Bento-LuisBento Luís
– Simpatizante PCP
– Colaborador do Jornal D’Alenquer

Como qualquer cidadão, Santana Lopes tem o Direito de participar na vida política! Se a sua intervenção política terá importância ou não, na vida política de Alenquer é uma questão que, sinceramente, nunca me passou pela cabeça e por conseguinte não tenho opinião formada. A não ser na vida interna no seu Partido e nos reflexos que daí possam advir.

Magda-CarvalhoMagda Carvalho
– Independente
– Secretaria do Jornal D’Alenquer

A vida política em Alenquer sendo monopolizada há cerca de duas décadas pelo PS, e estando de tal forma enraizada nos hábitos eleitorais dos seus habitantes, a eleição de Pedro Santana Lopes no próximo congresso do PSD, penso que não irá influenciar o modo de governação do concelho.

Tapadinhas_AssunçãoDr. Tapadinhas Assunção
– Simpatizante PSD
– Colaborador do Jornal D’Alenquer

De Pedro Santana Lopes tenho, por razões pessoais, ouvido poucas declarações. No entanto, parece-me um líder nato pelo poder que possui de fazer as pessoas ficar presas a sua oratória fácil e ao seu discurso directo sem meias palavras; um homem sem medo que iria abanar, por exemplo, as estruturas políticas da Comissão Política Concelhia de Alenquer do PSD empurrando esta intervenção participativa e incentivando-a à mudança e à inovação tão necessárias perante a inércia que facilmente se observa quer a nível partidário quer a nível de intervenção crítica na Câmara Municipal onde o Partido Social Democrata tem um vereador que, salvo melhor critério, tem primado pelo silêncio dos mosteiros.

Francisco_MartinsDr. Francisco José Martins
– Autarca CDS-PP em Alenquer
– Colaborador do Jornal D’Alenquer

A possível eleição de Santana Lopes Para a presidência do PSD poderá, em termos nacionais, trazer uma mais-valia política portuguesa, nomeadamente no combate à política seguida pelo actual governo. É uma pessoa que se ajusta melhor à forma de estar do centro-direita português. Não sendo, de qualquer forma, difícil um melhor desempenho que o actual Presidente do PSD, que tem sido um verdadeiro fiasco como político. Em termos locais coloco as minhas dúvidas sobre a mais valia que possa trazer para o concelho, caso seja eleito, pois com certeza irá delinear uma estratégia autárquica em termos nacionais e não concelho a concelho pelo que o velho PSD de Alenquer continuará a ser o velho PSD de Alenquer.



Hernâni de Lemos Figueiredo


©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Março de 2000, p. 2

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