A Figura de Pedro Álvares Cabral – Alenquer e o Brasil

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Comemorações Portugal-Brasil 500 Anos

A Figura de Pedro Álvares Cabral – Alenquer e o Brasil

Pormenor da costa brasileira: folha de Atlas de Lopo Homem-Reimeis, de 1519

Pormenor da costa brasileira: folha de Atlas de Lopo Homem-Reinéis, de 1519


Brasil e Portugal comemoram intensamente os 500 Anos da descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral, ocorrida a 22 de Abril de 1500, perfilhando perspectivas sólidas de forte união, nos aspectos económicos, sociais e culturais, cimentando laços lusófonos, importantes para as relações de desenvolvimento que ambos os países desejam para o futuro.

Comemora-se, na realidade, um importante marco histórico para a nova visão do mundo do Séc. XVI, e como afirma Joaquim Romero Magalhães, comissário geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses: “referir a descoberta do Brasil em 22 de Abril de 1500 é, um anacronismo. Aceitável mas, nem por isso mesmo, um anacronismo. O Brasil não existia, aquando da chegada das Naus de Pedro Álvares Cabral a uma terra designada por Vera Cruz. Essa descoberta não foi de imediato tida como especialmente relevante. Podia tratar-se de uma ilha (como julgou Pêro Vaz de Caminha), mais uma entre as muitas do Oceano Atlântico. Importante foi depois de 1501, reconhecer-se toda a costa e, chegar-se à conclusão de que se tratava de um novo Continente.


Pedro Álvares Cabral  Arquivo Histórico Ultramarino

Pedro Álvares Cabral
Arquivo Histórico Ultramarino

Foram na realidade os Portugueses os protagonistas deste feito (descoberta casual? indicações anteriores para desvio da Rota?) e, numa perspectiva actual, podemos afirmar que, não se comemora a colonização portuguesa mas sim, a construção de um país, com os seus aspectos mais favoráveis ou desagradáveis (decerto porém compreender que, algumas comunidades indígenas que se sentem prejudicadas pela colonização europeia, declaram não ter que comemorar esta data).

Coube a Pedro Álvares Cabral, comandar a 2ª Armada portuguesa à Índia, após o regresso de Vasco da Gama. Nascido em Belmonte (1467/1520 Santarém) quarto filho do Alcaide-mor Fernão Cabral, senhor de Belmonte, que contava 32 anos, casado com uma filha de Afonso de Albuquerque. D. João II, agraciou-o com uma Tença devido a serviços que a História ignora. Foi nomeado por D. Manuel, Capitão-mor de 13 navios, a 15 de Fevereiro, para levar 1.500 homens com destino ao Oriente, para concretizar o poderio português no Oriente, após os acontecimentos desfavoráveis ocorridos em Calecut com a Armada de Vasco da Gama. Contrariamente ao pensado por Portugal, este não encontrou Reinos Cristãos, favoráveis à instalação dos portugueses e à firmação de convénios comerciais convenientes para desviar para a Rota do Cabo, o tráfico de especiarias.

Tal como Vasco da Gama, não se conhece qualquer experiência náutica anterior que tivesse sido exercida pelo escolhido, afirmando apenas, D. Manuel, na carta de nomeação que, esta foi decidida “por conhecermos dele que nisto e em toda outra coisa que lhe encarregarmos nos saberá mui bem servir e nos dará de si boa conta e recado”, o que permite defender que a Coroa manteve o princípio da nomeação de um fidalgo investido nos cargos de Capitão-mor e de Embaixador.

Cuidadosamente preparada a viagem segundo instruções de Vasco da Gama, faziam parte da frota nautas muito experientes como: Luís Pires, Gaspar de Lemos, Diogo e Bartolomeu Dias, Pêro e Vasco de Ataíde, Nicolau Coelho, Nuno Leitão, Simão de Miranda, Aires Gomes da Silva, o castelhano Pêro de Tovar, e o cosmógrafo Duarte Pacheco Pereira. Missionários, franciscanos e mercadores completavam esta poderosa Armada que, como referimos, contava com 1.500 homens.


A Armada de Pedro Álvares Cabral, segundo o célebre livro das armadas da Academia de Ciências de Lisboa

A Armada de Pedro Álvares Cabral, segundo o célebre livro das armadas da Academia de Ciências de Lisboa

Partiram de Lisboa a 8 de Março, com a missão de conquistar o Oriente pelo poderio militar e garantir o comércio luso no Malabar. Rumando a Sudoeste, segundo planificação de Vasco da Gama, passaram ao largo das Canárias a 16 de Março, fundeando uma semana depois na ilha de S. Nicolau, do Arquipélago de Cabo Verde. Foi então que se perdeu uma das naus, a de Vasco de Ataíde, seguindo as restantes rumo a Oeste (desvio intencional / causalidade de desvio de rota, para evitar a acção dos ventos?) vindo a alcançar a 22 de Março, uma terra que se presumia desconhecida.

A frota, lançou ferros dois dias depois num local designado pelo capitão-mor de ”Porto Seguro” (actual Baía Cabrália). O achamento da Terra Nova e as suas gentes, espantou os tripulantes da armada. Em especial porque se não tinha antes encontrado homens ”com aquelas feições”, pardos, todos nus, sem alguma coisa que lhe cobrisse suas vergonhas. O entendimento também não era possível (carta de Pêro Vaz de Caminha).

Coube no dia seguinte, Domingo de Pascoela, a Frei Henrique de Coimbra, missionário franciscano do Convento de Alenquer, celebrar a primeira missa nas terras de ”Vera Cruz”, a 26 de Abril no ilhéu da Coroa Vermelha. À região descoberta dera-se o nome de Vera Cruz, alterada por D. Manuel em 1501 por Santa Cruz e posteriormente em 1503 «Terra do Brasil» pela abundante madeira avermelhada que existia nas florestas (produto de comércio intenso para tinturaria e mobiliário).

Após 10 dias de reconhecimento, tendo despachado um dos navios para Portugal com a notícia do ”achamento” da Nova Terra, acompanhado daquela que é a fonte histórica e a certidão de nascimento do Brasil, concretamente a carta de Pêro Vaz de Caminha, Pedro Álvares de Cabral seguiu para Oriente, onde aportou com sete dos seus navios iniciais – destes um desgarrou-se e quatro, entre os quais o de Bartolomeu Dias, naufragaram no Cabo da Boa Esperança. Avistou Calecut em 13 de Setembro de 1500.

Procurou firmar um tratado amigável com o Samorim e fundar uma feitoria. Contudo, as hostilidades dos mercadores muçulmanos não tardaram a provocar hostilidades e, quase todos os mercadores portugueses da feitoria foram massacrados. Em represália, Calecut foi bombardeada e Pedro Álvares Cabral parte para Cochim onde relações amistosas com o rei, permitiram o regresso a Lisboa com as naus carregadas de especiarias.


Brasil1

D. Manuel, em 1502, tenta de novo enviar Pedro Álvares Cabral para Oriente, mas este, por motivos ainda mal explicados desistiu do comando da 3ª armada. Refugia-se nas suas propriedades de Santarém, vivendo afastado da corte, tendo aparentemente caído no desagrado do rei, conforme consta na carta de Afonso de Albuquerque, escrita na Índia em 1514, a favor do marido da sobrinha. Em 1518, Pedro Álvares Cabral é citado no Livro de Mercadores de D. Samuel como cavaleiro do Conselho Régio, mas em 1520, sabemos que já tinha falecido. (Sepultura em Santarém).

Esta figura ímpar da história dos descobrimentos, teve relações com o nosso concelho.

Segundo historiadores locais, nomeadamente os conceituados autores da Colectânea do Concelho de Alenquer, podemos saber que, Pedro Álvares Cabral possuía grandes propriedades na Freguesia de Pereiro de Palhacana.

A Quinta de Ota pertenceu igualmente á família dos Senhores Condes de Belmonte e segundo Guilherme J. Carlos Henriques referida em 1873 ”o actual possessor é o 4º Conde de Belmonte e 13º Senhor do Morgado da Ota” (…) o apelido do Condes de Belmonte é Figueiredo Cabral da Câmara. Actualmente a Quinta pertence a Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Câmara H.ºs.

Além de Frei Henrique de Coimbra, que celebrou a 1ª missa nas terras de Vera Cruz, missionário do Convento franciscano de Alenquer, mencionamos a acção missionária do grande vulto de Frei António da Merceana, do Convento de Santo António, celebrizando-se como um dos primeiros missionários nos sertões do Grão-Pará, do Estado do Maranhão no Brasil (n. Merceana? / f. Merceana 1645) e Frei Manuel Pereira da Silva, natural de Aldeia Galega e Bispo do Rio de Janeiro e secretário do rei D. Pedro.

Maria-do-Rosario (2)

©Maria do Rosário Costa (2000)
directora da Biblioteca Municipal de Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2000, p. 20 e 21


VER:
Temos de fazer a viagem do “Pedro”
A viagem do “Pedro”

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