Educação de adultos: repto às juntas de freguesia

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Repto às juntas de freguesia

Educação de adultos

A vontade não tem limites…

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É constrangedor pensar que uma parte (muito mais significativa do que aquela que nos querem fazer crer) da população portuguesa não é, nem de longe nem de perto, alfabetizada e o seu nível de instrução e informação é demasiadamente reduzido. Se considerarmos que, por força do isolamento, das condições socioeconómicas e de uma longa lista de valores e tradições que imperava neste país nas últimas décadas, esta realidade terá tendência a esvair-se com o passar dos anos, poderemos estar muitíssimo enganados.. É que ainda hoje este problema afecta de forma curiosa e escandalosa um grupo de jovens e adultos que devem ser alertados para a urgência absoluta da instrução de todos.

O ano de 1990 foi o “Ano Internacional da Alfabetização” e assim, em Portugal e noutros países europeus, foram tomadas muitas e mui responsáveis decisões por quem de direito, que visavam eliminar o analfabetismo até ao fim do século (só faltava saber qual??), impulsionando os cursos do Ensino Recorrente a: “…atenuar as clivagens e os níveis educativos das camadas mais jovens e dos adultos, contribuindo assim para um maior diálogo e equilíbrio da sociedade.” – in Ministério da Educação, Portaria n.º 432/89 de 14/06.

Para mim não passaram de medidas desmedidas que, no campo de trabalho, só chegaram via carta/fax/e-mail, ou qualquer outra modernice mas que não tiveram força suficiente para mobilizar os necessitados, nem conseguiram fornecer às escolas e respectivos corpos docentes as condições mínimas para o desenrolar deste acto tão nobre, o de estender a mão a quem precisa, com o objectivo de apoiar todos na construção de uma vida melhor e de um país realmente europeu, onde todos somos iguais e onde todos temos os mesmos direitos.

No nosso Concelho, este problema é uma realidade indesmentível e só o não vê aquele que fecha os olhos perante esta situação ou aquele que não quer ver. Mas ao mesmo tempo, existem meia dúzia de pessoas, professores, instituições que vão fazendo aquilo que está e o que não está ao seu alcance, proporcionando a um razoável número de alunos dos mais diversos escalões etários e das diversas localidades, o tão necessário e premente curso de Alfabetização ou de 1º Ciclo do Ensino Básico Nocturno.

Hoje, por minhas mãos, deixo aqui um exemplo de coragem, de tenacidade e de afirmação. Mostro que não se deve ter vergonha, não se deve desistir nunca, não se pode deixar de crer em nós próprios. E este conjunto de senhoras com quem trabalho é o exemplo vivo destas minhas afirmações. Gente simples, gente do campo, gente humilde mas gente a sério… que agora, com alguns bons anos em cima, luta pelos direitos que lhes foram negados na devida altura e acredita que nunca é tarde para aprender.

Lanço assim um pequeno repto às Juntas de Freguesia para que organizem cursos de ensino para adultos; um aviso aos interessados para que se organizem e façam prevalecer os direitos que lhes são conferidos por lei; e um desafio aos meus colegas para que continuem a aceitar estas acumulações, mal e tardiamente gratificadas, pois não há melhor prémio na nossa carreira do que podermos assistir à alegria destas pessoas quando se apercebem do caminho percorrido, do trabalho realizado e do sucesso obtido…


Rui-Costa

©Rui Fernando Costa (2000)
Licenciado em Matemática e Ciências
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2000, p. 10

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