Inauguração da casa museu Palmira Bastos

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Aldeia Gavinha

Inauguração da casa museu Palmira Bastos

Inauguração da Casa Museu Palmira Bastos, em Aldeia Gavinha (Alenquer

Inauguração da Casa Museu Palmira Bastos, em Aldeia Gavinha (Alenquer)

E o sonho de décadas tornou-se realidade. Das ruínas daquela que foi a casa onde nasceu, ergueu-se uma nova estrutura. Concretizou-se assim o desejo expresso pela artista que “gostava de em Aldeia Gavinha… ver aquele largozinho arranjado, restaurado. Nada de luxos: apenas as pedras da calçada direitas, o chão varrido, as paredes caiadas, as telhas todas certinhas… saber que tenho o meu berço ajeitadinho”

Foi no passado dia 27 de Fevereiro de 2000 que em Aldeia Gavinha se concretizou um sonho antigo, o restauro da casa onde nasceu Palmira Bastos. A cerimónia de inauguração da casa museu Palmira Bastos teve o seu início na sede da Associação Recreativa os Reunidos. A apresentação esteve a cargo de Afonso Silva, relações públicas deste evento.

A cerimónia dividiu-se em dois momentos: primeiro assistiu-se a um filme documentário, dos arquivos da RTP, intitulado “Palmira Bastos – Uma vida no teatro”. Os presentes, que enchiam a sala e o primeiro andar da sede, assistiam emocionados, atentos e “tocados” ao verem no ecrã as imagens da filha da terra. Lurdes Norberto, actriz que contracenou com Palmira Bastos, também presente na cerimónia, sorria com nostalgia do tempo passado, ao ver-se no ecrã junto de Palmira Bastos, na peça “As árvores morrem de pé”.

De seguida assistiu-se a uma encenação do Grupo Cénico Palmira Bastos, com a peça “A entrevista”. Retractava-se uma entrevista de Palmira Bastos, representada por Maria José Ricardo, a um jornalista, representado por Rodrigues Guapo. Seguiu-se a cerimónia com uma visita à Igreja, ao jardim, à fonte gótica e por fim a inauguração da casa museu.

Foi no Largo Palmira Bastos que estava o palanque onde foram proferidos os discursos. O prof. Guapo, director do Grupo Cénico Palmira Bastos, foi o primeiro a discursar. Emocionado descreveu “a luta e a caminhada percorrida até à inauguração desta casa”. Seguiram-se o presidente da ADL (Associação do Desenvolvimento Local), Nelson Neves, que falou das actividades e projectos da ADL; Ana Maria Lopes, presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Gavinha, falando do processo e evolução da restauração da casa de Palmira Bastos, “o sonho antigo dos gavinhenses”; Álvaro Pedro, presidente da Câmara de Alenquer, enalteceu “todos os que trabalharam no museu e toda a envolvência que isso implica”; Maria Barroso, mostrou-se emocionada e admirada com todo o trabalho realizado. Ana Marim, representante do Ministro da Cultura e responsável pelo Instituto da Área dos Espectáculos, felicitou o poder local e incentivou o Grupo Cénico.

E o sonho de décadas tornou-se realidade. Das ruínas daquela que foi a casa onde nasceu Palmira Bastos ergueu-se uma nova estrutura. Será também aqui que ficarão instalados os seguintes serviços: sede administrativa da Junta de Freguesia, casa museu Palmira Bastos e Grupo Cénico Palmira Bastos.

Concretizou-se assim o desejo expresso pela artista que “gostava de em Aldeia Gavinha… ver aquele largozinho arranjado, restaurado. Nada de luxos: apenas as pedras da calçada direitas, o chão varrido, as paredes caiadas, as telhas todas certinhas… saber que tenho o meu berço ajeitadinho”.

Álvaro Pedro (Presidente da Câmara de Alenquer)
Museu-Alvaro-Pedro“Para mim este acontecimento tem uma importância muito grande, da parte cultural e até da parte administrativa que foi um trabalho bem feito. Um trabalho que é um sonho de há anos desta gente e meu também. Por várias vezes tentamos que isto fosse uma realidade. Tenho pena que o ex-presidente da Junta, já falecido, Miguel Araújo, não esteja a ver esta obra porque ele é que foi o grande impulsionador disto, mas chegou o dia. E nós devagarinho com os pés bem assentes na terra vamos tentando fazer as coisas e isto hoje é um exemplo do que nós no poder local conseguimos fazer. É uma mais valia para Alenquer, sem dúvida alguma e tudo o que seja para o interesse do Concelho de Alenquer e está provado que quando damos as mãos e vamos às coisas reais e positivas, consegue-se fazer milagres, e este acontecimento é um milagre que eu penso que foi bem feito”.

Luís Rema (Vereador da Cultura)
Museu-Luis-Rema“É sobretudo um momento muito importante para o Concelho porque é reposta uma homenagem mais que justa a uma das grandes senhoras da cultura do nosso Concelho. E, portanto, é um momento extremamente importante porque finalmente foi possível concretizar um sonho de muitas destas pessoas que tornaram possível este dia, e portanto é um momento muito feliz para a cultura e para todo o Concelho de Alenquer”.

Maria Barroso
Museu-Maria-Barroso“Eu tive a felicidade de conhecer pessoalmente Palmira Bastos, e até representei com ela. De maneira que para mim tem um significado muito profundo, é o respeito que as pessoas ainda hoje conservam por uma figura extraordinária como foi a figura da grande actriz Palmira Bastos”.

António Rodrigues Guapo (Director do Grupo Cénico Palmira Bastos)
Antonio Rodrigues Guapo_p“Fundamentalmente o que se está aqui a passar hoje é a satisfação de um desejo de uma grande dama do teatro português. Palmira Bastos sempre mostrou interesse em ter a sua casa “arranjadinha”. É esse o desejo que estamos hoje aqui a cumprir. É uma senhora da nossa terra. Uma grande senhora que eu tive a honra de conhecer, aqui mesmo em Aldeia Gavinha. E enfim, sempre teve por esta terra um grande carinho apesar de ser uma senhora do mundo, uma senhora conhecida, uma senhora idolatrada por toda a parte, mas tinha num cantinho do coração dela, tinha realmente esta aldeia onde nasceu”.

Ana Maria Lopes (Presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Gavinha)
Museu-Ana-Maria-Lopes“Este é talvez o dia mais importante da minha vida autárquica porque, e perdoem-me se é pecado, mas eu hoje tenho uma vaidade enorme. Penso que vamos receber muitos visitantes porque vamos pôr uma página na Internet e temos a garantia do Museu Nacional do Teatro de que esta casa museu será como um prolongamento do museu”.

Jorge Rocha de Matos (Presidente da AIP)
Museu_Rocha-de-Matos“Penso que é muito importante tudo aquilo que possa preservar a história e a cultura da região; é extremamente importante. Nós somos uma das regiões mais ricas em termos culturais e em termos históricos e infelizmente não tem sido devidamente ressaltada esta nossa faceta, mas isto é um bom passo, é uma boa iniciativa e há outras que estão na forja que vão continuar a desenvolvimento esta nossa actividade. Estou muito satisfeito, muito feliz”.

Pedro Pinheiro (Actor)
Pedro-Pinheiro“Eu acho que tem toda a importância numa terra como a nossa não esquecer as pessoas importantes que o Concelho teve. E dessas pessoas importantes a Palmira Bastos é um nome incontornável, enorme. Estão de parabéns por esta homenagem”.



Francisco Cipriano (Director do jornal “Nova Verdade”)
Francisco-Cipriano_100“Para mim este acontecimento é um mais que justo reconhecimento por uma figura de proa do teatro nacional, indiscutivelmente a maior actriz do teatro declamado que jamais existiu em Portugal. Outra questão a adicionar é o facto de ter sido tardia, mas mais vale tarde do que nunca. Em termos de património é uma forma de valorizar o património do Concelho de Alenquer e particularmente de Aldeia Gavinha. Por outro lado, mais um grande reconhecimento que o Concelho de Alenquer rende à memória de Palmira Bastos, já que esta é a terceira homenagem feita a Palmira Bastos no Concelho de Alenquer. Esta é a homenagem que faltava e que vem valorizar o património do Concelho de Alenquer, indiscutivelmente.”

Pe José Eduardo Martins
Museu-Pe-Jose-Eduardo“Este evento é essencialmente a tomada de consciência que uma população de aldeia pode ter dos seus valores. Seja dos valores pessoais, chamemos-lhes assim, das pessoas que passaram por aqui, dos seus heróis da sua história, sejam os valores patrimoniais a que é necessário de facto dar todo o cuidado e todo o carinho. Eu conheço muito bem Aldeia Gavinha, porque fui aqui prior durante 14 anos, e aquilo que se está a fazer, ou seja, estas pequenas obras, a nível da fonte gótica, o jardim, quer a nível de restauro desta casa é algo que é mesmo uma mais valia e de um modo especial esta situação museológica que aqui foi instalada”.

Lurdes Norberto (Actriz)
Museu-Lurdes-Norberto“Sinto-me optimamente aqui, fiquei muito contente por vir e por estar aqui. Só me apetecia agora ficar cá porque a vida na cidade está muito stressada e isto aqui é tão sossegado. Mas fiquei encantada com as obras, como isto está tão bem cuidado, tão bonito e o museu está na verdade uma maravilha. E fizeram um trabalho excelente. Eu fui ama das últimas pessoas a trabalhar com a Palmira Bastos. Muitas saudades. Quem me dera voltar atrás. Isto é horrível porque não devemos ser saudosistas, mas eu por acaso até sou saudosista desse tempo. Acho que já não trabalhamos daquela maneira, não fazemos as mesmas coisas. Era na verdade uma vida activa, profissional, gira, todos juntos, era na verdade uma coisa fantástica, e devo muito à Palmira Bastos”.

Ana Maria Moreira da Cruz (Neta de Palmira Bastos)
Museu-Ana-Maria-Cruz“Nunca esperei emocionar-me tanto. Excedeu todas as expectativas do que eu podia pensar, do que podia imaginar. Só posso dizer uma palavra: é feito com muito amor, com muito empenho, com muita ternura”.



Fátima Moreira da Cruz (Bisneta e afilhada de Palmira Bastos)
Museu-Fatima-Cruz“Em primeiro lugar sinto-me emocionadíssima, e depois com imenso prazer, imensa honra e imenso orgulho de ser bisneta de Palmira Bastos. E é preciso vir a uma aldeia tão pequenina, tão humilde, porque por vezes se esquece. e realmente é aqui que estão as origens da minha família e é com todo o orgulho e carinho que eu venho a esta terra que desde já prometo voltar as vezes que forem precisas, estou perfeitamente emocionada com tudo isto”.

Lurdes Neves (Neta de Palmira Bastos)
Museu-Lurdes-Neves“Ninguém calcula o que sinto; não consegui conter as lágrimas. É extraordinário a amizade, a ternura, o cuidado com que tudo isto foi feito. O orgulho que eu senti que a aldeia sente, comoveu-me. Ficam muitas saudades e espero voltar cá em breve”.



Manuel Gírio (Encenador)
Manuel Girio_100“Isto para mim é um dia inolvidável, sinceramente. Acho que a casa onde ela nasceu foi muito bem aproveitada, o museu está lindíssimo. Enfim, não tenho palavras para descrever a alegria que sinto dentro de mim por esta inauguração. Isto é extraordinário vai trazer muita gente de fora, tenho a certeza. E como está aqui muita gente do teatro eles vão trazer muitas pessoas”.

Gualberto Silva (Encenador)
Gualberto-Silva“Penso que este acontecimento é muito importante a vários níveis: primeiro porque é realmente o concretizar de um sonho muito antigo de muita gente. Depois porque é numa terra como Aldeia Gavinha implantar o marco da memória e definitivamente a ideia que a saudade e a lembrança de Palmira Bastos nunca mais serão esquecidas aqui. Depois porque o próprio edifício constitui um pólo para a vida cultural. Mais do que a questão da administração da Junta de Freguesia estar ali instalada, é importante o facto da casa memória ser também as instalações do grupo cénico. Pode também servir de modelo daquilo que seria desejável de proporcionar ou de ajudar a proporcionar aos outros grupos que no Concelho vão fazendo teatro e vão fazendo dinamização da cultura”.

Maria Luísa Ferreira (Artista de teatro)
Museu-Maria-Luisa“Para mim significa uma coisa que acho que foi muito bem-feita e da qual gosto muito. Isto é mais do que merecido e ainda bem que estas coisas se fazem e que foi recuperada a casa onde nasceu a grande Palmira Bastos”.



Drª. Maria do Rosário (Directora da Biblioteca Municipal de Alenquer)
Museu-Maria-do-Rosario“Eu penso que é um acontecimento muito importante. Julgo que seja a primeira casa museu em honra de uma grande dama do teatro português, Palmira Bastos. E penso que será um motivo de orgulho, principalmente para as pessoas de Aldeia Gavinha, além do Concelho de Alenquer estar com certeza de parabéns”.



Filipa-Reis_100

©Filipa Reis (2000)
Jornalista
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2000, p. 14 e 15.

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