Memória Activa: a Quinta do Campo e o conde de Castelo Melhor

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Memória Activa

A Quinta do Campo e o conde de Castelo Melhor

Conde Castelo Melhor Retrato a óleo da época In Dicionário da História de Portugal,  vol. VII. Dir. de Joel Serrão. 1985

Conde Castelo Melhor
Retrato a óleo da época
In Dicionário da História de Portugal,
vol. VII. Dir. de Joel Serrão. 1985

A Quinta do Campo é uma das quintas mais emblemáticas do Concelho de Alenquer, e a ela acede-se pela estrada que vai da Vala do Carregado a Vila Nova da Rainha, situando-se quase a meio.

A Quinta do Campo tem origens seculares. Fez parte do vínculo de Castelo Melhor e os terrenos do Paul da Ota estavam-lhe anexados. As construções que formam actualmente a quinta datam de finais do século passado. Sendo uma quinta de borda de água, é na cultura de cereais e na criação de gado que a sua actividade se evidencia.

No entanto a Quinta do Campo está sobremaneira ligada a uma figura da História de Portugal de grande relevo: o Conde de Castelo Melhor.

Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º Conde de Castelo Melhor, para além de outros títulos, nasceu em 1636 e faleceu em 1720, e sendo detentor da Quinta do Campo está intimamente ligado à Lenda da Senhora do Testinho, que António de Oliveira Melo, António Rodrigues Guapo e José Eduardo Martins retratam na sua obra “O Concelho de Alenquer – 4”.

O conde de Castelo Melhor, estando ligado ao Carregado, foi um homem que a nível nacional ocupou altos cargos e esteve directamente implicado em diversos acontecimentos políticos, nomeadamente na Guerra da Restauração. Aos 26 anos a rainha D. Luísa de Gusmão nomeou-o gentil-homem da câmara do jovem rei D. Afonso VI. Nesta altura o jovem monarca encontrava-se sob influência poderosa de António Conti, a que a rainha se opunha; daí querer cercar o rei de pessoas da sua confiança, com o objectivo de subtrair o filho ao domínio de Conti.

Quando António Conti foi preso, Castelo Melhor viu chegar a sua ocasião, apoderando-se do ânimo do monarca inválido, de espírito fraco e doente, levando-o em Junho de 1662 a apoderar-se oficialmente do governo e a pôr fim à regência da rainha D. Luísa de Gusmão. O conde de Castelo Melhor, nomeado escrivão da Puridade, tornou-se senhor dos destinos do País, que veio a governar ditatorialmente.

Entretanto, a Guerra da Restauração assumira um aspecto particularmente grave, uma vez que a Espanha fez as pazes com a França e assim pôde concentrar as suas forças contra Portugal. Assim, em 1663, D. João de Áustria invade o País, conquista Évora e chega com as suas tropas a Alcácer do Sal. A situação é perigosíssima, mas a reacção, conduzida com mestria por Castelo Melhor, leva à vitória do Ameixial (8.6.1663) e passados dois anos à vitória decisiva de Montes Claros (17.6.1665), última batalha da Guerra da Restauração.

O conde de Castelo Melhor procurou o apoio da França para reforçar a posição portuguesa, negociando o casamento de D. Afonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Sabóia. A rainha vendo-se suplantada pelo conde e em situação conjugal melindrosa, dada a impotência do rei, tornou-se feroz inimiga de Castelo Melhor, que depois de violenta reacção foi vencido, demitido das funções governativas e obrigado a exilar-se.

Viveu em vários países da Europa e, em 1677, em Inglaterra, prestando importantes serviços à rainha D. Catarina. Em 1687, morta já D. Maria Francisca, foi autorizado a regressar a Portugal, ficando a residir em Pombal, de que era alcaide-mor e comendador. Passou a levar uma vida apagada, até que D. João V o chamou para o Conselho de Estado.

Houve figuras notáveis da História de Portugal, que ainda hoje são objecto de acesa polémica, que estão mais ou menos ligadas ao concelho de Alenquer, e neste caso particular do conde de Castelo Melhor à Quinta do Campo do Carregado.

Bibliografia
António de Oliveira Melo, António Rodrigues Guapo, José Eduardo Martins – O Concelho de Alenquer – 4 – 1987
Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura (Século XXI) – 1998

Paulo Carvalho

©Paulo Carvalho (2000)
director da Biblioteca Municipal do Carregado
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2000, p. 27

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