SHST: A Incidência do ”STRESS” na Saúde e no Trabalho

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Segurança Higiene e Saúde no Trabalho (SHST)

A Incidência do ”STRESS” na Saúde e no Trabalho

Compete particularmente aos empregadores, proporcionar aos seus colaboradores condições de trabalho adequadas e estabelecimento de medidas que permitam a adaptação dessas condições às características psicofisiológicas dos trabalhadores, possibilitando-lhes um efectivo controlo do Stress.

Um relatório das Nações Unidas refere que o Stress se tornou uma das questões mais graves do século 20, considerando-o mesmo como um “fenómeno global”.
Uma pesquisa realizada ainda recentemente em França revelou que 64% das enfermeiras e 61% dos professores se confessaram aborrecidos com o ambiente Stressante do trabalho.
Doenças ligadas ao Stress têm um custo elevadíssimo em todo o mundo industrializado. Nos EUA calcula-se que 75 a 85% dos acidentes industriais estão de alguma maneira relacionados com o Stress.

Existem muitas e muito diversificadas “Causas Stressantes” que, de uma maneira geral, se apresentam a grande parte dos trabalhadores nos mais diversos ramos de actividade. Como exemplo, podemos referir as seguintes:

    Trabalho precário, implicando insegurança de continuidade;
    Trabalho rotineiro e não criativo, demasiado prolongado;
    Trabalho por turnos, frequentemente alternados;
    Excesso de carga de trabalho;
    Dificuldades de transporte para acesso ao trabalho;
    Falta de compreensão ou de apoio por parte dos superiores hierárquicos;
    Demasiadas exigências feitas por diferentes pessoas;
    Desconforto no posto de trabalho, (ruído acima dos valores admissíveis, ambiente térmico desconfortante, gases/fumos particularmente o fumo do tabaco etc.);
    Dificuldades causadas por introdução de novas tecnologias;
    Necessidade de fazer discursos ou apresentações;
    Necessidade de dirigir ou supervisionar outros;
    Relações dificultosas com colegas de trabalho, etc.

Existem também situações “Stressantes” transpostas para o trabalho que, podendo considerar-se mais do foro íntimo, frequentemente escapam ao conhecimento/controle de proprietários, chefes ou responsáveis das Empresas para as quais o empregado trabalha. É o caso, por exemplo, de discussões que se verificam em casa entre marido e mulher, situações de separação eminente, doença de familiares, etc.

Como terapia, há aspectos comportamentais e de procedimento que contribuem manifestamente para o efectivo controle do Stress, podendo, entre outros, enumerar-se os seguintes:

    1. Conseguir manter um certo equilíbrio entre a vida de trabalho e os momentos de repouso e lazer. Quando subsistir algum problema que não possa ser resolvido de imediato, não devemos lutar contra ele, mas sim, aceitá-lo, até chegar o momento da sua resolução.
    2. Cultivar um hobby ou um interesse extra-profissional, para afastar a mente dos problemas. Tornarmo-nos participativos como voluntários em organizações assistenciais ou similares é um bom motivo para fazer novas amizades e para uma vida mais interessante.
    3. Praticar uma actividade física, (correr, caminhar, jogar ténis ou cuidar do jardim) porque ajuda a descarregar tensão e agressividade, aliviando a sensação de “opressão” com relaxamento dos músculos.
    4. Submetermo-nos, de vez em quando, a momentos e espaços de isolamento, mesmo da própria família, para facilitar a meditação e a descontracção.
    5. Descansar convenientemente, não descuidando de forma alguma o sono. Deverá haver sempre espaço para o trabalho e para o lazer, pois ambos são importantes para o bem estar.
    6. Termos um cuidado sistemático com a nossa própria pessoa física, qualquer que seja a nossa idade.
    7. Dedicarmos algum tempo às compras “gratificantes” (um vestido novo, um casaco, uma gravata ou um produto para tratar da pessoa), é um gesto de protecção anti-stressante.
    8. Dar espaço aos afectos, à família, aos amigos e reflectir sobre os aspectos positivos da nossa época.
    9. Aprender a dizer “não” sem sentimento de culpa, se isso for considerado necessário.
    10. Cultivar a alegria.

Torna-se pois, evidente, a necessidade de combater, o mais possível, as situações Stressantes no trabalho.

Compete particularmente aos empregadores, proporcionar aos seus colaboradores condições de trabalho adequadas e estabelecimento de medidas que permitam a adaptação dessas condições às características psicofisiológicas dos trabalhadores, possibilitando-lhes um efectivo controlo do Stress.

O Dec. Lei 441/91, (complementado pelo Dec. Lei 26/94 e pela Lei 7/95) contém os princípios que visam promover a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, em conformidade com a Constituição da República, definindo aspectos e metodologias a adoptar face a esta e a outras importantes matérias, quer no que respeita à obrigação das entidades empregadoras, quer dos próprios trabalhadores.

É pois, particularmente importante, o cumprimento não só desta como de toda a legislação vigente relacionada com o trabalho, já que, de uma maneira geral, engloba os elementos que possibilitam a exequibilidade dos objectivos pretendidos.

Em todas as Empresas que assim procedam, certamente que cada elemento constituinte da força produtiva apresentará uma atitude confiante e descontraída, cujos reflexos se tornarão evidentes num bem estar generalizado, com mais saúde, manifesta redução de acidentes, maior produtividade, e rendimento de trabalho mais elevado.

Helder-Baptista

©Helder A. Baptista (2000)
Lic.º Engª Máq. Especializado em SHST (IST)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2000, p. 23

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