Intervenção de Jorge Rocha de Matos, Presidente da AIP, no I Congresso do Oeste

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I Congresso do Oeste

Intervenção de Jorge Rocha de Matos, Presidente da AIP

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Em primeiro lugar gostaria de saudar os organizadores deste Congresso, não só pela iniciativa em si mesma, mas também pela oportunidade da sua realização, uma vez que estamos em fase de lançamento do III Quadro Comunitário de Apoio. Em segundo lugar cumprimentar publicamente os meus colegas empresários que fazem parte da mesa e se disponibilizaram a partilhar connosco as suas experiências e sucessos reconhecidos. Finalmente saudar todos os presentes, desejando que as conclusões deste Congresso, possam de algum modo contribuir para o Vosso sucesso pessoal e para um maior desenvolvimento da Região do Oeste.

Entrando agora no nosso tema, deixem-me fazer referência a algumas das principais conclusões do Diagnóstico Estratégico referido no PEDRO (Plano Estratégico de Desenvolvimento da Região do Oeste).

Principais conclusões do Diagnóstico Estratégico efectuado
1. O desempenho económico da região e a sua terciarização são ainda insuficientes devendo rapidamente caminhar para níveis equivalentes às médias nacionais;
2. A fixação, o rejuvenescimento e a requalificação da população são fundamentais para o desenvolvimento da região;
3. A Região do Oeste necessita de uma intervenção para conclusão do processo de melhoria das infraestruturas, das vias de comunicação, telecomunicações e parques industriais;
4. Existe a necessidade de reforçar e acelerar as iniciativas em curso, para efectuar um verdadeiro “turn-around” ao nível do saneamento básico e do ordenamento do território;
5. A Região Oeste necessita de desenvolver o seu tecido industrial, captando investimentos em industrias de tecnologias mais avançadas.
6. O desenvolvimento futuro do Ordenamento e Ambiente deverão potenciar uma estratégia de turismo de multi-nicho de qualidade e baixo volume, sustentada por uma estratégia de produtos turísticos adequada às reais potencialidades da região;
7. A terciarização das actuais actividades económicas, deverá passar pela captação de serviços terciários avançados e pela fixação de operadores da cadeia logística, aproveitando o interface com a Região Centro e AML
8. A Agricultura e a Indústria Agro-Alimentar, necessitam de uma estratégia integrada que maximize o valor acrescentado do sector na região.

Tendo por base este diagnóstico, importa considerar três áreas fulcrais que serão obviamente abordadas pelos meus colegas de mesa, sem as quais a mudança ou seja o desenvolvimento não será possível.
1. A requalificação da população activa, pela melhoria do nível educacional e maior formação profissional/Desenvolvimento Cultural.
2. A modernização e inovação tecnológica/desenvolvimento empresarial.
3. O alargamento do espaço de implantação/capacidade de actuação da região em mercados cada vez mais globais.

Estes três pontos conciliam-se e interpenetram-se também na criação das novas gerações de empresários.

Pessoalmente considero o risco empresarial aquele que melhor se adequa a uma juventude moderna. Criar e desenvolver uma empresa é, na verdade, uma aventura:
Mas uma aventura justa, porque gera e distribui riqueza;
Livre, porque garante a liberdade profissional de quem a vive;
Pacifica porque não agride;
Intelectual e Cultural, porque exige cada vez mais, uma preparação e formação vasta;
Saudável porque dá trabalho;
Humana porque gera relações com o semelhante;
Social porque cria emprego, insere-se no conjunto harmónico da sociedade.

Preparar o futuro da Região do Oeste, é pois e sobretudo, reflectir neste momento, sobre o trajecto percorrido nos últimos dez anos, a caminho da Europa e com a Europa, na certeza que o percurso futuro terá de ser feito a ritmo bem mais vivo do que o da maioria dos nossos restantes parceiros de jornada.

Numa reflexão em voz alta que gostaria de partilhar convosco eu diria que:
É inevitável a renovação de uma parte significativa do aparelho produtivo existente, com o desaparecimento de algumas unidades e o aparecimento de outras;
É indispensável a aposta em sectores de tecnologia e da atractividade de mercado em detrimento de sectores tradicionais, que hoje já não sejam competitivos;
É necessário introduzir profundas mudanças na organização e nas metodologias do trabalho das empresas;
É importante que se disponibilize a mobilidade dos factores produtivos.

Neste domínio e a nosso ver, é necessário por um lado, que o factor trabalho, aceite deslocar-se sectorial e empresarialmente; por outro lado, que o factor capital, aceite a desconcentração regional, o investimento com risco associável à criação de novas empresas e o rearranjo no tecido empresarial, com flexibilidade para fusões e concentrações.

É também fundamental criar fórmulas de convivência com o capital estrangeiro, salvaguardando, dentro do possível, a manutenção de capacidades negociais e de gestão nacionais.
É necessário garantir uma reforma profunda da Administração, em especial no caso dos organismos de enquadramento das actividades económicas.

Todo este conjunto de atitudes, pois é disso, sobretudo, que em primeira mão se trata, deverá permitir que mais concretamente e numa óptica industrial, se prepare um futuro para a Região do Oeste onde:
Seja possível valorizar ao máximo a utilização dos recursos naturais nacionais e a transformação das matérias primas:
Seja assegurada a modernização e a reconversão dos sectores tradicionais, de actividade, garantindo a sua continuidade numa perspectiva de manutenção de posição já conquistados;
Se incentivem e rentabilizem sectores de actividade mais recentes, onde Portugal domina tecnologias intermédias e dispõe de algumas vantagens comparativas e onde actualmente já desfruta de posições competitivas.
E que, por fim, se aposte decididamente nos pequenos núcleos de desenvolvimento e tecnologias de ponta, de modo a não se permitir que o País descole totalmente dos grandes centros mundiais de liderança industrial e tecnológica.

Em conclusão, neste quadro, as empresas portuguesas e em especial as da Região do Oeste, surgem inevitavelmente confrontadas com profundos problemas de mutação, não só tecnológica, como económica, cultural e social. Encontrar soluções para as mesmas é um desafio do qual depende a sua continuidade ou o seu desaparecimento, puro e simples.

Esperemos que este Congresso possa contribuir para a sua perenidade.


Hernâni de Lemos Figueiredo

©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 7

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