Serra de Montejunto (I): Grutas e Algares

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Serra de Montejunto (I)

Grutas e Algares

Uma das etapas da história da evolução do homem está intimamente ligada às grutas. Estas foram, ao longo de toda a pré-história, locais de abrigo, habitação, culto e necrópole, facto que ficou bem registado em muitas grutas da Serra de Montejunto

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As Grutas e Algares da Serra de Montejunto constituem uma importante parcela do vasto e rico Património Natural e Construído desta Área Natural Regional, onde se conservam registados e parcialmente conservados muitos aspectos fundamentais da história da evolução geológica e biológica da Terra e da nossa passagem por ela.

Existem várias dezenas de grutas e algares distribuídas por toda a área da Serra, sendo a maior parte delas de pequenas dimensões ou de desenvolvimento vertical, apresentando por isso reduzido interesse turístico. A sua exploração e estudo está praticamente reservada aos especialistas, dadas as dificuldades e perigos que apresentam. A sua visita por parte de pessoas que não dominem as técnicas básicas de exploração subterrânea só deverá ser efectuada na companhia de espeleólogos devidamente credenciados (ver contacto do Espéleo Clube de Torres Vedras).

Estas cavidades naturais que se desenvolvem nos calcários do período Jurássico (70 milhões de anos) são, sobretudo, importantes do ponto de vista científico, nos domínios da geologia, arqueologia, paleontologia e biologia.

A sua formação tem origem na acção química e mecânica das águas da chuva, que caindo sobre os maciços calcários provocam a erosão da rocha e o alargamento das pequenas fissuras e fracturas.

Uma das etapas da história da evolução do homem está intimamente ligada às grutas. Estas foram, ao longo de toda a pré-história, locais de abrigo, habitação, culto e necrópole, facto que ficou bem registado em muitas grutas da Serra de Montejunto. As grutas da Salvé Rainha, Bom Santo, Fontaínhas, Buracos Mineiros, Furadouro, Covão das Pias, Casa da Moura, S. Salvador, Charco e Pragança, são algumas das cavidades onde foram recolhidos inúmeros testemunhos da presença e ocupação humana nesta região. Como tal, estes locais assumem uma importância vital para o estudo do nosso passado e devem ser meticulosamente preservadas para que apenas os especialistas da arqueologia possam recolher os dados que contêm e aí lerem a nossa história.

No entanto, não foi só o homem pré-histórico que se serviu das cavernas de Montejunto para se abrigar e proteger. Muitos animais competiram com o homem na ocupação desse espaço privilegiado, que os defendia do frio ou dos predadores. Por isso, é frequente encontrar nas camadas de terra, existentes nas grutas, inúmeros vestígios de outros animais, alguns dos quais muito anteriores ao homem. Na gruta das Fontaínhas, por exemplo, foram recolhidas falanges de cavalos e diversos ossos de lince, cabra, urso das cavernas e cervídeos, datados do Quaternário (2 milhões de anos). Também é nesta gruta que se encontra uma das mais importantes colónias de morcegos da região oeste, sendo por isso de evitar as visitas a esta cavidade, dado que afectam e colocam em perigo esta espécie de fundamental importância no equilíbrio do ecossistema de Montejunto.

Como tal, dada a grande sensibilidade ambiental das grutas e a variedade de testemunhos (geológicos, arqueológicos, paleontológicos e biológicos) ali presentes, alguns dos quais únicos para compreendermos o nosso passado como espécie e a sua relação com o meio envolvente, é importante defender e preservar qualquer destes vestígios. Para a ciência, a protecção das grutas é tão importante como a protecção dos manuscritos nos arquivos.

O estudo e defesa das Grutas e Algares da Serra de Montejunto, tem ocupado o Espeleo Clube de Torres Vedras ao longo de mais de 25 anos, mas a sua preservação deve constituir uma preocupação de todos nós, a exemplo do que fazemos para os rios, florestas, animais ou oceanos.

    Os textos presentes neste jornal têm carácter meramente informativo.

    Praticar espeleologia implica perigos vários e requer formação e experiência adequada.

    Contacta um grupo espeleológico da tua área ou o Espéleo Clube de Torres Vedras – Associação de Carácter Cultural e Científico.


    A seguir: Geologia da Serra de Montejunto



Espeleo-Clube-TV


©Espeleo Clube de Torres Vedras (2000)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 36

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