Alguns traços da situação social nas empresas dos concelhos de Alenquer e Azambuja

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Situação laboral

Alguns traços da situação social nas empresas dos concelhos de Alenquer e Azambuja

IMPORMOL
No desenvolvimento do processo do Caderno Reivindicativo apresentado à administração, os trabalhadores desta empresa, não obtendo resposta positiva às suas reivindicações, decidiram encetar um processo de luta que passou por uma semana de greve, 4 horas por dia. Conseguindo com esta luta um acordo que se concretizou em aumentos salariais de 9.000$00 para todos e mais um dia de férias pelo Natal.

FORD LUSITANA
Está a chegar o fim anunciado da empresa. No passado dia 21 de Março, por volta do meio-dia, foi produzida a última “Ford Transit” da fábrica da Azambuja que laborava ali há 40 anos. A oferta de emprego que a Ford dizia ter para os cerca de 300 trabalhadores que ali laboravam, não passou de um paliativo para “acalmar os trabalhadores e levá-los a desistir da luta em defesa dos seus postos de trabalho.

SNALUR/Grupo EXIDE
Os trabalhadores apresentaram o seu Caderno Reivindicativo com proposta de aumentos salariais de 12,5% para recuperar o atraso relativo às outras empresas do Grupo. Incidindo em matérias de ordem salarial e outras de expressão pecuniária e de higiene e segurança.

AZAI/Grupo EXIDE
Os trabalhadores apresentaram o seu Caderno Reivindicativo com a proposta de aumentos salariais de 8%, incluindo outras matérias de expressão pecuniária e relativas à melhoria da higiene e segurança no trabalho. A administração já chegou aos 4%. Os trabalhadores querem mais.

ESPEQUÍMICA
Os trabalhadores apresentaram um Caderno Reivindicativo no início deste ano, o que já não faziam há alguns anos. Ao fim de várias reuniões com a administração foi conseguido um acordo com aumentos salariais de 4%.

OPEL PORTUGAL
Os trabalhadores reagiram com firmeza a uma tentativa da administração de retirar parte do prémio, que constava do acordo social firmado no ano passado e decidiram não fazer horas extras e os sábados de produção.
Entretanto a administração recuou e prometeu pagar o resto do prémio em Junho próximo. Os trabalhadores ganharam tolerância de ponto a 26 de Dezembro.

MANUEL DA CONCEIÇÃO GRAÇA
Em resposta à proposta de 10.000$00 de aumento salarial apresentada em Outubro do ano passado, a administração respondeu com uma actualização de 3% como adiantamento, com o compromisso de em Janeiro de 2000 haver novo aumento. Entretanto a administração na Festa de Natal informou que o salário mínimo na empresa passaria a 75.000$00. Cumpriu a promessa, mas desiludiu os trabalhadores, optando por aplicar aumentos discriminatórios, deixando trabalhadores sem aumentos e retomando para alguns trabalhadores o abono de escalão que tinha retirado, com a promessa de ser incluído no salário base, o que não aconteceu. Já é tempo desta empresa que tem conhecido franco desenvolvimento graças ao empenhamento dos seus trabalhadores, praticar salários mais dignos e compatíveis com a produtividade alcançada pelos que nela trabalham.

XANIVOR
Os trabalhadores apresentaram à administração um Caderno Reivindicativo contemplando aumentos salariais de 8.000$00 para cada trabalhador, diuturnidades, redução do horário de trabalho para 38 horas, com vista à redução progressiva até às 35 horas semanais, subsídio de estudo, formação profissional e subsídios de ordem pecuniária e melhorias das condições de higiene e segurança na empresa. Não tem havido por parte da administração vontade de negociar o Caderno Reivindicativo.

KNORR
Apresentada a proposta Revisão/2000 do Acordo de Empresa A.E/Knorr Bestfood Portugal, foi invocado não ser oportuna a proposta de revisão referida. Devido a uma hipotética reestruturação a administração decidiu aplicar “administrativamente” aumentos salariais que oscilam entre os 3,5% e os 5%. Os trabalhadores rejeitaram, em plenários realizados no mês de Março, a falta de diálogo e a forma impositiva como a administração respondeu à proposta do A.E., e estão a fazer um abaixo-assinado no sentido de a pressionar a reatar as negociações.

SACOPOR/Grupo Cimpor
Os trabalhadores apresentaram o Caderno Reivindicativo em meados de Fevereiro. A administração tem-se recusado a dar resposta aos seus representantes. Entretanto, os trabalhadores têm vindo, através da sua C.T., a procurar encetar diálogo com a administração. Esta, através de carta, argumentou não poder negociar o C. Reivindicativo porque a sua associação patronal à face da Lei, o poderia fazer. Os trabalhadores vão marcar um plenário a fim de decidir sobre a posição a tomar perante este impasse provocado pela administração. No Caderno Reivindicativo consta uma proposta de aumentos salariais de 8.000$00, subsídios de turno, diuturnidades, formação profissional e melhorias na higiene e segurança na empresa.

KALLEN
As trabalhadoras têm reunido periodicamente para acompanhamento do processo de falência.

AVIMETAL
A Direcção do Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa, interpretando o sentir dos trabalhadores desta empresa, avançou com uma proposta de actualização dos salários e melhoria das condições de trabalho, constando dos seguintes pontos:
1) Aumento salarial de 8.000$00 para cada trabalhador.
2) Redução do horário semanal de trabalho.
3) Fixação das férias em 25 dias úteis.

Até ao momento a administração não se dispôs a dialogar sobre esta proposta reivindicativa.




Bento Luis



©Bento Luís (2000)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 14

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