Crónica dos “States”: As presidenciais de Novembro e a caça ao voto das minorias

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As presidenciais de Novembro e a caça ao voto das minorias

Vai ser difícil aos emigrantes esquecerem as decisões “antideflagrante” dos legisladores republicanos, especialmente nos últimos cinco a seis anos e os hispânicos sabem quem tem estado sempre a seu favor, e não se vão deixar enganar só porque um candidato fala castelhano.

Definidos que estão já, os dois principais candidatos às presidenciais de Novembro próximo, Gearge W. Bush pelo partido Republicano e o actual vice-presidente Al Gore pelo partido Democrático, torna-se interessante verificar a procura de ambos pelo voto das minorias.

O Partido republicano já disponibilizou 10 milhões de dólares, para gastar na campanha em propaganda eleitoral em dez estados, onde as chamadas minorias hispânicas são cada vez mais influentes.

Estão a ser preparados pelos responsáveis republicanos anúncios televisivos e radiofónicos, em castelhano, para serem transmitidos em estados como New York, Florida, Califórnia e outros de forte concentração populacional de lingua espanhola. Com o slogan “ Es un nuevo dia”, os republicanos pretendem assim mostrar que George W Bush é o candidato da mudança.

Já em 1960 John F. Kennedy se apercebeu da importância do voto da etnia hispânica e se ele não falava espanhol, teve na altura a ajuda de Jaqueline que gravou anúncios na língua de Cervantes. Se nesse tempo, alguns observadores viram sem grande importância este facto, ao fim de mais de três décadas as coisas mudaram.

Hoje em dia há mais de 30 milhões de hispânicos nos E.U.A. e 7 milhões estão em condições de votar e as previsões apontam para cerca de 100 milhões dentro de meio século.

A preocupação dos republicanos baseia-se no facto de nas eleições de 1996, Bill Clinton ter conseguido 72 por cento do voto hispânico, contra os 20 por cento de Bob Dole.

Apesar de George W. Bush falar fluentemente espanhol e ter sido eleito para governador do Texas com alta percentagem dos votos desta minoria, Al Gore que também “diz umas coisas” em espanhol até tem uma página bilíngue na internet e parece de momento levar a melhor sobre o seu contentor republicano.

Vai ser difícil aos emigrantes esquecerem as decisões “anti-emigrante” dos legisladores republicanos, especialmente nos últimos cinco a seis anos. Com receio destas decisões, muitos milhões de emigrantes legais, em que se incluem os portugueses, naturalizaram-se nos últimos anos chegando assim aos já referidos sete milhões de novos votantes, capazes de preocuparem os candidatos.

A campanha de Al Gore já respondeu à insistência de Bush junto das camadas hispânicas referindo: “Os hispânicos sabem quem tem estado sempre a seu favor, e não se vão deixar enganar só porque um candidato fala castelhano.

Reagan e Bush pai, já prometeram mundos e fundos às minorias mas estas nunca viram grandes proveitos dessas promessas.

Em determinadas regiões dos Estados Unidos, como por exemplo o sul da Florida, a língua espanhola é tão falada como a inglesa e são inúmeras as estações de rádio locais e de T.V. em espanhol, havendo mesmo duas grandes cadeias de televisão, de costa a costa, no continente norte-americano.

A luta pelo poder na terra do “Tio Sam” começou a aquecer com as recentes eleições primárias e promete ser renhida até ao fim.



António-Marques-da-Silva

©António Marques da Silva (2000)
Correspondente em New Jersey
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 30

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