Eunice Venda: Uma “estrela” que brilha na chuva

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Eunice Venda

Uma “estrela” que brilha na chuva

Eunice-Venda

Nasceu há 19 anos em Vila Franca de Xira, viveu em Abrigada até aos 17 anos, depois esteve dois anos no Brasil, actualmente vive na Nazaré. Frequenta o 11º ano de escolaridade e o Conservatório e pretende entrar para a Escola Superior de Teatro. Participou na sessão número 14 do programa televisivo “Chuva de Estrelas”, imitando o grupo “Skunk Anansie” com o tema “Hedosism (Just Because You Feel Good)” e foi apurada para a terceira semifinal

Pensas na música a nível profissional?
Ainda não tive nenhuma proposta. Já tive bandas mas foi só na brincadeira.

Mas uma carreira profissional faz parte dos teus objectivos?
Conforme, depende da música. Acho que não me vou entregar à música simplesmente para ser famosa. Mas faz parte dos meus planos integrar uma banda de música, porque também não sou capaz de viver sem a música, então por isso é que ando no conservatório.

O que é que te levou a participar no Chuva de Estrelas?
Foram os meus amigos (risos). Não, foi uma coisa que… toda a gente experimentava. Porque é que eu não havia de experimentar?’’ Só perdi uma cassete. Então escolhi uma música que se adaptasse a mim, que foi uma música dos Guanoapes, e eles ligaram-me para ir fazer um casting de Skunk Anansie. Gravei com alguns elementos da minha banda e outros elementos de outra banda, mandei a cassete e passado um mês e qualquer coisa é que me mandaram ir fazer o casting.

Qual foi a tua sensação quando te chamaram para ires fazer o casting?
Eu nem queria acreditar, e ainda para mais chamarem-me para ir imitar uma cantora que eu acho que não existe ninguém no mundo que a consiga imitar. Então pensei o que é que eu vou lá fazer? Mas correu tudo bem. Eu também sabia que quando eles mandam uma pessoa mudar de cantor é já com intenções da pessoa ficar apurada. Só que como eu nunca mais recebia a resposta, só passado outro mês é que eu recebi a resposta a dizer que tinha ficado apurada, tinha já perdido as esperanças. Já sabia é que tinha de rapar o cabelo caso ficasse apurada.

E o tempo entre o casting e até seres chamada como foi? Foste-te preparando com Skunk Anansie?
Foi assim, na minha banda já tínhamos ensaiado músicas de Skunk Anansie, só que eu fui fazer o casting com uma música e eles pediram-me para cantar outra.

Conta-nos como são os bastidores do Chuva de Estrelas.
É um espectáculo. São todos espectaculares, desde o maquilhador à cozinheira são pessoas muito simples. A própria Bárbara Guimarães é uma pessoa simpatiquíssima, sem aquela coisa de estrela. São todos espectaculares. Lá uma pessoa sente-se em casa.

Existe entreajuda por parte dos concorrentes?
Depende. Na primeira eliminatória eram todos espectaculares, grava-se mais do que um programa por dia então conhecemo-nos uns aos outros e existe muito companheirismo. Na segunda semifinal já havia uma grande competitividade, aquela coisa de “tu não cantas nada parecido”, foi o que eu acho que em certa parte me deixou assim… um bocado mais presa e aquele medo porque havia pessoas que estavam sempre a derrubar. Pesa muito. Porque desde as sete e meia da manhã que começamos a ensaiar, levantamo-nos por volta das seis para tomar pequeno-almoço e sair do hotel para começar a ensaiar, foi um dia inteiro a ouvir “não estás nada parecida”, “acho que eu é que vou à final”, é de derrubar uma pessoa.

Adaptaste-te bem ao tema e à música?
Já conhecia a música porque Skunk Anansie é uma das minhas bandas preferidas. Tinha aquela coisa porque, como se sabe a Skin, vocalista dos Skunk Anansie, é lésbica assumida, e a música é dedicada a uma rapariga. Então eu disse-lhes por favor não falem da letra da música e eles disseram que não porque sabiam que havia crianças a ver o programa (risos). Mas a música é fantástica, é uma das minhas preferidas.

Como foi pisar o palco?
Não estava nada nervosa nesse dia, talvez por todos serem espectaculares. Quando fui para a entrevista estava muito descontraída e, como na gravação, eu fui a última; estava tranquila e como estive uma hora a ser maquilhada não estava nada nervosa, já estava era farta de estar ali, queria acabar com aquilo o mais depressa possível.

E quando ouviste o teu nome a ser anunciado como a vencedora da sessão?
Eu não estava à espera. O som que passa na televisão é diferente do que passa no estúdio, e para mim o rapaz que foi cantar Santos e Pecadores, o Jorge, era excelente, nos ensaios ele era igual ao Olavo Bilac. Então para mim era ele que ia ganhar. Quando disseram “temos um vencedor” pensei logo que era o Jorge. Quando disseram Skunk Anansie eu fiquei a pensar quem é que tinha ido imitar Skunk Anansie (risos).

Como foram os dias entre a sessão que ganhaste e a semifinal?
Foi quase um mês. Acho que foi o mês mais longo da minha vida. Eu nunca tive o instrumental para ensaiar, portanto resolvi não ensaiar porque o instrumental estava diferente do CD. E agora também está a ser um tempo muito longo porque eu ainda posso ser repescada, apesar de ser muito difícil porque são 25 semifinalistas e só serão repescados três ou quatro, mas é muito difícil. Geralmente, pelo que eu reparo, eles vão sempre repescar as pessoas ou da última ou da penúltima semifinal, logo se vê.

Os três participantes que foram apurados, Neil Diamond, Shanaia Twain e Sting, eram os teus preferidos? Achaste justo serem eles os escolhidos?
Achei justíssimo. Neil Diamond tinha que passar porque a voz dele é igual, Shanaia Twain, para além do espectáculo em palco, ela canta muito próximo do original, Sting estava na dúvida.

Agora quais são os teus projectos para o futuro a curto prazo?
Era o que eu desejava, sei que é muito difícil, tenho aquela esperança. Sei que naquela semana em que vão andar a fazer as repescagens vou andar toda bem vestida (risos).Seja o que for que aconteça vou assistir à final. Estou a pensar em arranjar uma banda nova já que esta semana acabou a que eu tinha.

Algum conselho aos leitores depois de lerem a tua entrevista?
Que se por acaso já pensaram em mandar uma cassete para o Chuva de Estrelas que experimentem porque vale a pena. É difícil, foram seis mil cassetes que mandaram para lá este ano, só 140 foram escolhidos para ir lá nem que fosse uma vez. É difícil mas vale a pena.

Alguém te reconhece na rua? Ou é difícil por causa da caracterização?
É um pouco difícil. A maior parte das pessoas olham para mim mas eu fico a pensar se é por me reconhecerem ou por eu ter o cabelo assim todo rapado. No passado fim-de-semana fui assistir ao concerto de Skunk Anansie em Lisboa, quando cheguei lá vi mais de cinco mil raparigas com a cabeça rapada e eu pensei sou mais uma. Depois quando eles tocaram a música que eu imitei os meus amigos começaram todos a fazer uma grande festa, houve uma rapariga que olhou para mim, conversou com os amigos e ficaram todos a olhar para mim, nunca me tinha sentido assim tão observada.



Filipa-Reis_100


Jornalista
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 21

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