Região Oeste: Uma realidade que interessa acreditar

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Uma realidade que interessa acreditar

Deve-se privilegiar a cultura das parcerias que, de uma vez por todas, substituam o individualismo e o sentido de “capelinhas” tão frequentes, e as Autarquias devem ser parceiras privilegiadas e nada se poderá fazer sem a colaboração delas e muito menos contra elas

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Ribatejano ou Oestino? Muitos interrogar-se-ão igualmente qual é a sua situação. Também um pouco confuso com este dilema e aquando da “Semana Torreense em Alenquer”, coloquei esta questão ao Dr. Andrade Santos, distinto director do GET, Gabinete de Estudos Torreenses, jornalista, estudioso de toda a problemática do “Homem Oestino” e com diversas obras publicadas sobre esta matéria.

Conforme se pode ler no Jornal D’Alenquer de Março, Andrade Santos defende que existe uma caracterização do “Homem Oestino” e a nossa região nada tem a ver com as grandes metrópoles como Lisboa, onde existem choques de culturas muito violentos, e que a nossa zona tem um outro ritmo de vida. Chega mesmo a defender que poderemos ter um intercâmbio com essas culturas diferentes, mas não nos poderemos deixar engolir por elas.

Álvaro Pedro, presidente da AMO, Associação de Municípios do Oeste, considera que a Região Oeste ganhou por direito próprio um papel charneira no desenvolvimento do país, nomeadamente através da futura infra-estrutura aeroportuária que se vai construir em Ota/Alenquer e que tem condições objectivas para se potenciar o seu desenvolvimento harmonioso e subsequente desde que se aposte no factor humano como chave do progresso.

Por sua vez António Carneiro, presidente da RTO, Região de Turismo do Oeste, acredita que o Oeste tem aptidões para ser a Califórnia de Portugal e considera o desenvolvimento da região, a regra base para combater a globalização.

Nas palavras do Jacinto Leandro, Presidente da ADRO, Agência do Desenvolvimento Regional do Oeste, ficamos a saber que é necessário uma nova forma de organizar a região, que se tem de lhe dar voz, afirmando a sua cultura e a sua identidade, que se tem de ter em atenção a qualificação dos recursos humanos pela ligação estreita das universidades ao mundo empresarial e que com a concretização do Parque Tecnológico do Oeste e o futuro Aeroporto na Ota, a região tem que começar a preparar-se para estas realidades.

Se dúvidas houvesse de que a Região Oeste é o futuro, elas ficaram dissipadas com as posições assumidas por estes quatro dirigentes de outras tantas organizações de prestígio.

Esta mudança só será possível se houver uma vontade individual, uma aposta de cada um de nós e ao mesmo tempo uma intenção colectiva de mudar. Mesmo não abandonando os meus “dogmas”, tenho de lhes dar o benefício da dúvida e como parceiros chave no desenvolvimento do Oeste, que se deseja integrado, harmonioso e sustentável e porque beneficiam da experiência dos serviços que dirigem há muito no terreno, parece serem merecedores da nossa solidariedade e tolerância.

Existem muitos caminhos possíveis para o desenvolvimento da região, mas apenas um me parece infalível: modernizar, isto é, modernizar a estrutura produtiva; qualificar os recursos humanos; gerir e desenvolver um projecto de turismo integrado; concretizar projectos de investigação que possam inserir-se na problemática do desenvolvimento regional; promover as produções locais e regionais de agricultura, de industria e serviços, incluindo o comércio, o artesanato, o agro-alimentar, etc.; defender o ambiente, e, sobretudo, consolidar a identidade da região e a interiorizarão por todos nós quanto a uma visão oestina globalizante.

Como é de todo o interesse desenvolver esforços para fortalecer a identidade regional e a imagem do Oeste, é conveniente e em conjunto com os diferentes agentes económicos e sociais da região formar um “lobby”: devemos privilegiar a cultura das parcerias que, de uma vez por todas, substituam o individualismo e o sentido de “capelinhas” tão frequentes; devemos caminhar decididamente num espírito de solidariedade intergeracional, multigeracional, sem “guetos” isolacionistas ou divisionistas; temos de flexibilizar as respostas e não ficarmos presos a preconceitos e normas rígidas e burocráticas que limitam a acção e as Autarquias devem ser parceiras privilegiadas e nada se poderá fazer sem a colaboração delas e muito menos contra elas.

Apelando ao sacrossanto direito de alertar, sem para isso ter de ser “derrotista” ou “seguidista”, penso que deverão existir alguns cuidados quanto aos financiamentos aplicados. Entendo que para além de prestarem contas ao Estado, devem prestá-las à sociedade, para garantir transparência: negligência dos responsáveis, a sua autopromoção desmedida ou o uso indevido de subsídios públicos, devem ser impedidos a todo o custo, assim como dever-se-á ter em atenção algumas organizações que poderão surgir só para dar emprego aos seus membros, uma solução simples para ganharem dinheiro e para fazem algum turismo.

Li algures “que são as minorias que fazem avançar o mundo”, mas só mudando o nosso pequeno universo seremos capazes de mudar o mundo à nossa volta. Estou solidário com aquela minoria de homens e mulheres que marcam a diferença na medida em que são eles que fazem avançar o mundo, mas, infelizmente penso que estamos demasiado longe de um sistema ético e excessivamente próximos de um sistema perverso em que o Mal ameaça triunfar sobre o Bem onde “quem sabe faz e quem não sabe critica”.


VER TAMBÉM:
Inquérito à população sobre as vantagens do concelho de Alenquer estar inserido na Região Oeste.
I Congresso do Oeste



Hernâni de Lemos Figueiredo


©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2000, p. 2 (Editorial)

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