Vila Velha (Espírito Santo)

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Vila Velha (Espírito Santo)

Vila-Velha

Prezado senhor.

Recebi o número do mensalista Jornal D’Alenquer. Faço votos que esse novo veículo de comunicações continue a existir, numa cidade que parece-me dinâmica pelo volume de reportagens. Uma delas me fez saltar os olhos que é a de Paulo Carvalho, Director da Biblioteca Municipal do Carregado, na coluna “Memória Activa”, pois traz semelhanças com Vila Velha dado a explosão populacional que regista.

O município saltou de 100 mil habitantes para 450 mil ao longo de 40 anos, sendo que na última década a taxa de crescimento desordenado foi vertiginosa, num espaço físico desprovido de saneamento básico, de empregos decentes, de condições de moradia, etc.

Dentro de um processo de inchaço só resta valorizar o elemento humano, refugiado económico do sistema capitalista e que procura sobreviver com seus filhos.

No século XVI quem em Portugal poderia imaginar o refluxo populacional, tendo a ex-metrópole de absorver milhares de lusófonos de além mar, de países, ao que parece, que ainda não deram certo.

Creio que Portugal como membro da União Europeia, terá papel importantíssimo, como cabeça de praia na Península Ibérica, para abrir possibilidades e mercado para produtos da comunidade onde difundiu a cultura maior, que é a língua. Não tratar-se de um neocolonialismo que seria a única alternativa que nos resta, para sair de um quadro de estagnação sub-desenvolvimentista, de miséria, de desemprego e violência, mas a prática de solidariedade.

Por exemplo, como engenheiro civil estou colaborando, junto com outros amigos, no preparo de um projecto de um modelo padrão de orfanato, tipo casa lar, que um frade que daqui saiu, que sonha em edificá-los em Luanda-Angola.

E assim, se muitos entenderem que do outro lado do oceano há comunidades que podem perfeitamente se entender, sem necessidade de intérprete, a solidariedade poderá acelerar-se.

Vasco Fernandes Coutinho tinha uma quinta em Alenquer, e a vendeu entre Junho de 1534, quando foi avisado da doação real, e 23 de Maio de 1535 quando aqui chegou, para financiar a colonização da capitania que fora agraciado.

Daí indico a possibilidade de Vila Velha fundada pelo citado fidalgo, tornar-se irmã de Alenquer. Precisamos que haja divulgação das necessidades daqui, aí na imprensa local, a começar pela busca de nossas raízes colhendo informações: eram de Alenquer os sessenta colonos que Coutinho trouxe? quais eram os seus nomes?; o que cultivavam aí e o que esperavam encontrar cá e o que motivou a migração?

Sou membro da Casa da Memória de Vila Velha, que apreciará o aprofundamento dessas pesquisas, e para tanto me disponho a corresponder com quem queira e possa colaborar.

Solicitamos remessa de prospectos, folhetos, mapas e mais informações sobre Alenquer.

Por exemplo: aí existe um Convento Franciscano? Frei Pedro Palácios, irmão leigo, castelhano, de Medina do Rio Seco, viveu aí? Teria assim conhecido Vasco Fernandes Coutinho, que acabou convidando-o para vir missionar em Vila Velha e que aqui chegou em 1558, no que resultou mais à frente no surgimento do Convento de NS da Penha?

Apresento os meus agradecimentos, contando com a atenção a ser dispensada
31 de Janeiro de 2000.

a) Roberto Brochado Abreu (Eng)
R, 23 de Maio, 117 Prainha V. Velha ES – Brasil

Carta recebido em Fevereiro de 2000



Roberto-Brochado-Abreu

©Roberto Brochado Abreu (2000)
Engenheiro
Casa da Memória de Vila Velha (Espirito Santo – Brasil)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Junho de 2000, p. 3

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