Crise democrática?

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Crise democrática?

Não nos podemos admirar que os Portugueses dêem mais importância ao pontapé do Marco na Sónia, na casa do Big Brother, do que o anúncio oficial da recandidatura do Dr. Jorge Sampaio à Presidência da República.

Numa altura em que se fala muito da urgência de implementar reformas estruturais ou na urgência da reforma do sistema eleitoral, eu acrescento a tudo isto uma reforma que para mim é tão, senão mais importante do que estas atrás descritas, a reforma do próprio sistema Democrático. A nossa jovem Democracia está em crise, esta é uma realidade que não podemos ignorar.

É necessário que todas as pessoas que de um modo geral estão+ ligadas à política, parem para reflectir e pensar um pouco, pensar sobre o caminho percorrido e qual a direcção que levamos.

É urgente concluir sobre o porquê de as taxas de abstenção serem cada vez mais elevadas. E porquê a qualidade dos políticos que temos é menor, mais fraca? Sendo esta actualmente uma classe completamente desacreditada perante os Portugueses.

Os próprios partidos políticos, que deviam apresentar e lutar por soluções concretas e não demagógicas para os principais problemas (e infelizmente são muitos) do Pais, passam a maior parte do tempo gastando energias que deveriam ser canalizadas para a governação de Portugal, em mesquinhas e estúpidas guerras internas, não se apercebendo que quando assim acontece, ninguém ganha, todos perdemos, perdendo principalmente Portugal e os Portugueses.

Mas vamos a exemplos concretos: o P.S. tem andado deslumbrado com o poder; as guerras pelo poder sucedem-se em catadupa. Porém, o diálogo já não convence ninguém, e a grande parte das promessas eleitorais, não passam disso mesmo, promessas amontoadas em projectos de papel. É vermos ex-ministros na linha da frente de combate ao governo, governo esse de que fizeram parte; as colunas no D.N. do antigo ministro da Cultural Manuel Maria Carrilho são exemplos claros disso mesmo. Chegando ao ponto do Ministro Jorge Coelho admitir publicamente que neste momento o principal inimigo do P.S. é o próprio P.S. Podemos também, relembrar a “luta” frenética que se passou entre dois destacados dirigentes Socialistas, pela conquista da Distrital do Porto; valeu tudo, recorrendo mesmo à baixa política, passando até por ataques pessoais. Podemos dizer que os Portugueses estão agora a acordar de um “pesadelo cor-de-rosa”.

No P.S.D. o panorama não é muito melhor. No partido que mais tempo esteve à frente dos destinos de Portugal, e que para mim apesar de alguns erros cometidos foi quem melhor governou o nosso País, também se sucedem as intrigas, e as estratégicas para derrubar quem se encontra a liderar o partido são mais que muitas. Submetendo, deste modo, o maior partido da oposição a um desgaste tão grande, que actualmente a maior parte dos Portugueses preferem não votar, e os poucos que votam não vêem o P.S.D. como alternativa de governo. Faz falta a Portugal um P.S.D. unido em sintonia, virado para Portugal e para os Portugueses, não olhando apenas para o seu umbigo.

O C.D.S.-PP de Partido Popular passou para C.D.S.-PP do Paulo Portas. Este partido apesar também de se encontrar dividido entre duas facções lideradas por Paulo Portas e por Manuel Monteiro, é o partido que mais tem subido nas sondagens principalmente graças à política demagoga populista do seu líder e ao desastre que tem sido a liderança do Dr. Durão Barroso no P.S.D. Porém, os Portugueses já conhecem as “cambalhotas” políticas do Dr. Portas, a última protagonizada através do Dr. Basílio Horta, com a desistência da corrida a Belém, anunciada por este através de um simples fax para a comunicação social, depois de há umas semanas atrás, a sua candidatura ter sido anunciada com todo o destaque em horários nobres, pelo seu líder, dizendo em alto e bom som para que todos ouvissem que a candidatura era para ser levada até ao fim, custasse o que custasse. Afinal tudo não passou de mais um mero número de ilusionismo político a que o presidente do PP já nos habituou.

Aliás, podemos dizer que o Dr. Paulo Portas transformou o C.D.S numa espécie de grande Big Show da política Portuguesa. Tudo se passa em seu redor sendo ele sempre o centro das atenções não faltando as famosas “Baionetas” que o acompanham, e tão bem ensaiadas fazem uma bela coreografia em torno do seu líder “Força avança, estou contigo”.

O mais surpreendente tem sido o desnorte que também assolou o P.C.P.. Até este partido que era caracterizado, identificado e até admirado pela sua forte coesão e unidade interna, já não escapa às intrigas e vive actualmente numa luta entre conservadores e reformistas, luta entre conservadores e reformistas, luta que já levou, entre outros, ao abandono de personalidades históricas como Helena Medina, do Comité Central do P.C.P., perspectivando-se mais demissões.

Depois de todos estes maus exemplos não nos podemos admirar que os Portugueses dêem mais importância ao pontapé do Marco na Sónia, na casa do Big Brother, do que o anúncio oficial da recandidatura do Dr. Jorge Sampaio à Presidência da República.

Assim está o estado actual dos “dignos” representantes do povo Português. Mas não é, com toda a certeza, o povo Português que tem de mudar. São os políticos, estes sim têm obrigatoriamente, para bem da Democracia Nacional, que mudar de atitude.




Pedro-Afonso



©Pedro Afonso (2000)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Novembro de 2000, p. 33

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