Jovens de risco?

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Jovens de risco?

Porque existem eles? Não nasceram criminosos, nem ladrões! A “vida” é que, gradualmente, os constrangeu a isso. Agora, condenados, à espera da justiça legal, já prisioneiros dos seus tormentos, desde longa data, sentem-se injustiçados e maltratados por uma sociedade, na sua grande maioria desumanizada e injusta.

Sobre a malfadada insegurança no Carregado (assaltos a residências, furtos de viaturas, roubos à mão armada em plena via pública perpetrados de dia e de noite, para além de tráfico de droga), a que muitos atribuem, também, ao crescente aumento da delinquência juvenil e à consequente existência de gangs organizadas, especialmente, “gangs juvenis”, é destes jovens que vou falar hoje.

Porque existem eles? Não nasceram criminosos, nem ladrões! A “vida” é que, gradualmente, os constrangeu a isso. Agora, condenados, à espera da justiça legal, já prisioneiros dos seus tormentos, desde longa data, sentem-se injustiçados e maltratados por uma sociedade, na sua grande maioria desumanizada e injusta. Pelo facto de os menores que praticam infracções serem, muitas vezes, também “menores em risco”, estou convicto que não existe aumento de “delinquência juvenil”. Talvez, sim, poderá haver um crescimento de “jovens em risco”.

Penso que têm sido feitas poucas acções a proteger os “jovens em risco”, para além das estabelecidas na Constituição Portuguesa. É que nisto de leis e direitos, existe uma certa conflitualidade. Senão vejamos: o nº 1 do artº. 69º. da Constituição Portuguesa diz que “as crianças têm direito à protecção da sociedade e do Estado, com vista ao seu desenvolvimento integral…” mas o Estado aqui falhou ao não “educar e proteger» estas crianças que se transformaram em “jovens de risco”.

Também, sobre o “direito à liberdade e à segurança”, a mesma Constituição diz que “todos têm direito à liberdade e à segurança” e que “a integridade moral e física das pessoas é inviolável”. Também aqui o Estado é o grande culpado pelo não cumprimento destas leis, pois os cidadãos estão privados da liberdade e da segurança e, quanto à inviolabilidade da integridade física, estamos falados.

Os moradores do Carregado vivem inquietos e, em reunião realizada no passado dia 26 de Janeiro, mais de mil habitantes aprovaram uma moção exigindo medidas por parte do Ministério da Administração Interna no prazo de 60 dias e, a Assembleia Municipal de Alenquer aprovou, por unanimidade, na sua última reunião, uma moção de solidariedade com a tomada de posição da população da vila do Carregado.

O mais provável é o Governo instalar um posto de policiamento, conforme os habitantes pedem. Sempre é mais fácil e menos dispendioso do que enfrentar o problema do aumento do número de “jovens de risco”. Aí teriam que ser dados mais meios ao Instituto de Reinserção Social e aumentar o número de centros de acolhimento estritamente para os menores em risco. Assim, estes “jovens de risco”, com a proximidade policial, vão “brincar” para outras paragens. Tenta-se remediar os efeitos não se curando as causas mas… “tranquilizam-se as consciências de alguns responsáveis”.

“Jovens de risco” sempre os houve e continuarão a haver, como o alenquerense Constantino da Silva, o “Vidraças”, que, apenas dos seus doze anos de idade, saiu da casa paterna para abraçar “uma profissão de risco”.




Hernâni de Lemos Figueiredo


©Hernâni de Lemos Figueiredo (2001)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Março de 2001, p. 2 (Editorial)

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