Apontamento: Álvaro Pedro, uma liderança gasta e envelhecida

· AMIGOS
Autores

Apontamento

Álvaro Pedro, uma liderança gasta e envelhecida

        “Não é possível caminhar indefinidamente a pôr gáspeas no calçado; há um momento em que se fica sem botas”.


        (Augusto de Castro,
        in “Mestre Outono Pintor”).


Tenho opinado junto de algumas pessoas e até já tenho escrito que nada me move contra Álvaro Pedro, como pessoa e como cidadão.

Por virtude da minha vida profissional, tive ocasião de conhecer alguns políticos que tiveram, e alguns ainda têm, posições de destaque na vida pública. Conheço também alguns autarcas de diversos níveis políticos. Não tenho nada contra eles, pessoalmente.

Gosto até da política e sigo-a atentamente, mas sempre tive o cuidado de “separar as águas”: dum lado a actividade política, do outro o cidadão.

O que não gosto, o que detesto sobremaneira é o espectáculo triste, por vezes baixo e vil que eles nos dão todos os dias. Basta ler os jornais e ver os telejornais. Nota-se que há cada vez mais eleitores a menosprezar a atitude desta classe. Penso até que um dia ficarão a falar sozinhos.

A linguagem mordaz que constantemente lhes ouvimos, está cheia de “venenos”, de ódios, de agressões verbais, de escárnios e maledicências, em suma, de antropofagia política. Ora, Álvaro Pedro, Presidente deste Município há vinte e seis anos, fora as futuras ameaças, não lerá pela mesma cartilha e não tocará pela mesma partitura?!

Atrás de si, na Câmara de Alenquer, um grupo de Vereadores, na sua maioria sem capacidade nem cultura política, sem nível escolar bastante para o cargo, gente do “yes man”. Acima da Câmara, uma Assembleia Municipal com pouca eficácia e sem pujança, representando de dois em dois meses um ritual de encenações políticas, em vez de exercer um jogo de pluralismo democrático genuíno. Depois, os Presidentes de Junta de Freguesia, alguns deles a terem que fazer muitas vénias para obter verbas junto do Executivo local. Finalmente um funcionalismo municipal quase todo mal utilizado com poucos quadros administrativos e técnicos de valor e muitos mas muitos “copistas”.

O descrédito da classe política, atinge inevitavelmente os Presidentes de Câmara, sobremaneira os que como Álvaro Pedro se consideram insubstituíveis. O descrédito é generalizado e está em ascensão.

É por tudo isto que eu penso que os partidos em vez de se digladiaram interna e externamente, deveriam ter a capacidade de pensar, de reflectir e sobretudo de agir com honestidade política; de escolher e constituir listas de militantes e independentes, com nível e à altura para a função.

Servir apenas os Partidos em vez de servir o Município é uma actuação ou estratégia que com o tempo trará dividendos negativos e muitos desaires. Observe-se a abstenção em franco crescimento para só citar um dos males.

Pergunto aos leitores: – Porque teima Álvaro Pedro em continuar nesta excessiva longevidade?
Está gasto politicamente, toda a gente vê, excepto ele e aqueles que o rodeiam. Não se consegue entender, mesmo vislumbrar, esta obstinação, esta quase irracionalidade política. Ordens do aparelho?

Na verdade, é porém a ele que cabe, como senhor da sua vontade, compreender com antecipação se deve ou não continuar ou se na realidade está já fora do prazo de validade para a política activa. O Município precisa duma nova dinâmica política; precisa doutras caras; precisa de gente que não esteja envelhecida e ultrapassada. A política concelhia precisa duma reforma como de pão para a boca. A permanência de Álvaro Pedro à frente desta Câmara, vai ser a continuação da mediocridade, uma espécie de “extrema-unção” da sua longa carreira política.

Será que ele não entende?! Será que não há mais ninguém válido dentro do PS de Alenquer? Só ele é elegível?

Mais perguntas feitas publicamente que não vão obter resposta, como habitualmente.

A persistência das minhas críticas à Câmara e ao Presidente são o fruto dum natural anseio de progresso e de modernização do Município que afinal é também a minha terra de adopção.

Serão, mais uma vez, palavras ao vento.

5/4/2001



Nuno-Roldão


©Nuno Roldão (2001)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2001, p. 36



Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s