Toponímia Carregadense: Praceta Infante D. Henrique

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Toponímia Carregadense

Praceta Infante D. Henrique

Memoria-ActivaEsta praceta situa-se na zona da Barrada e quem lhe empresta o nome é o grande artífice dos Descobrimentos Portugueses: Infante D. Henrique. Designado tambépor o Navegador e Infante de Sagres, D. Henrique nasceu no Porto (4/3/1394) e faleceu em Sagres (1460). Quinto filho de D. João I e de Filipa de Lencastre,, educado num ambiente culto e religioso, mais propenso às ciências experimentais do que às especulações metafísicas, prezou o desporto e artes de guerra.

Seu pai, em 1411, confiou-lhe a organização da frota concentrada no Porto para transporte das forças do Norte no empreendimento de Ceuta. Dominada a cidade e após sagração da mesquita, foi armado cavaleiro com seus dois irmãos pelo pai vitorioso. Os entendidos haviam de alcunhar o infante D. Henrique de primeiro desvendador de mares e terras, que ia lançando em cartas de marear e dariam no redescobrimento português de Porto Santo e da Madeira ou de sucessivas paragens ao longo do continente africano. Todas as empresas de conquista e descoberta, até à data da morte do Infante D. Henrique, tiveram sempre a sua coordenação e tenacidade.

A visão profética do Infante D. Henrique sobre os destinos religiosos, económico-políticos e socioculturais de Portugal, na história do Mundo, é inegável. Desejoso de decifrar os mistérios do Atlântico e do vasto continente negro, como possíveis fontes de riqueza e expansão para compensar a modéstia dos recursos do seu país, mais bem situado que outros para explorá-los ciosamente, desde o Mediterrâneo, sem ser ele próprio um técnico de navegação. Preso ao entusiasmo das primeiras explorações marítimas, soube dilatá-las e organizá-las com superior tino e persistência, não pensando só em lucros imediatos, mas com olhos no futuro e atento aos interesses universais da cristandade, acometida desastrosamente pelos Turcos.

Não olhando a encargos, rodeou-se de um grupo de servidores dedicados, nacionais e estrangeiros, capazes de executar, com audácia e abnegação, tarefas inteligentemente planificadas e retribuídas com magnificência. Sem descurar os aspectos económicos, nunca os sobrepôs às intenções evangelizadoras, sabendo aplicar, na devida medida, a uns e outros, avultados recursos em pessoas e bens da Ordem de Cristo, conseguindo, assim, dar continuidade histórica profícua a uma instituição militar, ultrapassada na metrópole mas capaz de ser, temporal e espiritualmente, eficiente além-mar.

Portugal, obedecendo à signa oceânica do Infante, pelas rotas do Atlântico e do Índico ou do Pacífico, lançando por sobre os mares, de Ceuta ao Japão, da Madeira e Açores à Terra nova e ao Brasil e, pelo estreito de Magalhães até Cebu, nas Filipinas, as pontes maravilhosas através das quais se inicia o fluxo e refluxo de culturas que marcam o primeiro entendimento ecuménico dos homens à sombra da Cruz de Cristo, escreveu, na história da Europa e do Mundo, a página mais brilhante da sua existência.



Bibliografia:
Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura: Edição Século XXI – Verbo: Lisboa / São Paulo, imp. 2000



Paulo Carvalho



©Paulo Carvalho (2001)
director da Biblioteca Municipal do Carregado
in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2001, p. 46

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