Damião de Goes, 500 anos depois: Em 1502 nascia, em Alenquer, Damião de Goes

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Damião de Goes, 500 anos depois

Esqueleto do humanista foi exumado 500 anos volvidos sobre o seu nascimento, na vila que o viu nascer

Em 1502 nascia, em Alenquer, Damião de Goes.

Aos vinte e sete dias do passado mês de Setembro, numa capela lateral da Igreja de S. Pedro, 500 anos volvidos sobre o seu nascimento, o esqueleto do humanista do século XVI foi exumado, conjuntamente com os restos da sua mulher, Joana Van Hargen, vendo a luz na terra onde nasceu – Alenquer.

A exumação dos restos osteológicos de Damião de Goes integra um estudo científico, com o qual se pretende descortinar se a sua morte (1) foi acidental ou, porventura, provocada por algum inimigo. Como se sabe, Damião de Goes, uma figura de destaque da cultura renascentista, foi, por diversas vezes, denunciado à Inquisição, acabando por ser condenado à prisão perpétua em 1572.

A equipa, liderada por Conceição Machado, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, é composta por arqueólogos, médicos, um especialista em antropologia física e um físico, entre outros. Conjuntamente, estes especialistas irão inquirir os ossos, recorrendo a tecnologias médicas avançadas, como a T.A.C., o raio-X digital ou osteodensitometria.

Contarão, também, com a contribuição do Engº Francisco Goes, o mais próximo descendente do humanista. Contribuirá com um cabelo, para efeitos de comparação do ADN.

Já em 1941, quando o esqueleto de Goes foi transladado da Igreja da Várzea para a de S. Pedro, houve um aspecto que ressaltou à vista: o crânio apresentava uma fissura horizontal na zona occipital, que pode ser lida como uma pancada por detrás da cabeça. Outros aspectos levaram a ponderar numa possível morte violenta de Damião de Goes: os ossos da face apresentavam fractura, notava-se a ausência de mandíbula, e os ossos apresentavam marcas de fogo.

Para além dos dados que os ossos transmitirão acerca da robustez, possíveis patologias, bem como sobre a alimentação, este estudo dará a conhecer uma reconstituição facial de Goes, em 3D.

Será que o Damião de Goes que, futuramente, iremos conhecer se assemelha à imagem da gravura de Albert Dürer ? Aguardamos por novos dados.

In Jornal D’Alenquer de 1 de Novembro de 2002, pp. 20

      (1) Até à data não se sabe o que aconteceu com Damião de Goes. Uma das teorias sobre a sua morte refere que terá desmaiado, ou adormecido, sobre uma lareira de um albergue, aquando do seu caminho para Alcobaça. Uma outra, que menciona que terá morrido em casa, pressuporia a revisão da sua sentença à prisão perpétua uma vez que, desde a sua ida para a Batalha, em 1572, até ao assento de óbito, em 1574, não se conhece qualquer documentação sobre a sua vida.



Raquel-Raposo


©Raquel Raposo (2002)
Arqueóloga

      ** com a colaboração de Bruno Silva (Associação Leonel Trindade – Centro de Estudos Arqueológicos e Paleontológicos)

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