Recordar meio século de iniciação ao teatro amador

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Penafirme da Mata

Recordar meio século de iniciação ao teatro amador

Decorria o ano de 1955, mais precisamente o dia 30 de Janeiro, quando pela primeira vez na história, em Penafirme da Mata, subiu à cena uma representação teatral que tanto sucesso alcançou.

Efectivamente, um grupo de amadores desta mesma localidade meteu mãos à obra e esta bem agradável experiência constituiu-se num assinalável e inesquecível sucesso, o qual se desenvolveu numa ampla casa de que era proprietário um homem dotado de uma notável inteligência e que se dava pelo nome de Fernando Monteiro, cuja casa e para o efeito, na ocasião foi adaptada a espaço de cultura.

Em cena foi possível ver, ouvir e aplaudir o Drama em um Acto denominado por “Fome e Honra” através do qual era retractada a vida de um operário, vítima de doença e de desemprego – a dor duma pobre mãe e esposa, pedindo a Deus, a salvação dos seus entes queridos, – os bons serviços e notáveis sentimentos de um “vendedor de jornais”, – a bondade de uma virtuosa fidalga e o desinteresse de um médico, foram cenas inesquecíveis.

Seguiu-se e peça “Ressonar sem Dormir”, – uma comédia de constantes gargalhadas, – um pobre soldado que é obrigado a ressonar sem dormir.

O mesmo acontecimento era complementado por um magnífico e bem agradável espectáculo de variedades interpretado pelos mesmos amadores, que por sua vez se faziam acompanhar por música ao vivo interpretada pela então denominada Orquestra Jazz “Os Restauradores” que na ocasião também existia em Penafirme da Mata.

O mesmo Grupo Cénico manteve-se em cena ao longo de seis meses, tendo feito a sua estreia no dia 30 de Janeiro de 1955 e a sua última representação nesta localidade, em 5 de Junho e no dia 12 do mesmo mês e ano, também se deslocou a Canados, onde encerrou a sua actividade.

O mesmo agrupamento era constituído por Júlio Falé Monteiro, Maria Suzana Ramos Carvalho, Maria Alda Carvalho Xavier, Alfredo Pedro Matias, Fernando Monteiro, José Ferreira das Neves Monteiro, Afonso das Neves Monteiro, Rui Falé Monteiro, Caetano Carvalho Moreira, Eduardo da Silva Murteira, José Joaquim Duarte, Carlota Marçal Carvalho, Maria Rosa Martins Filipe, Maria Ema Carvalho da Costa, José Manuel Martins Filipe, João Carvalho Xavier, António Enriques Murteira, Ana Paula Falé Monteiro, Maria Fernanda Marçal Carvalho e Francisco R. Cipriano.

Ainda prestaram a sua valiosa colaboração a interessante amadora de Porto da Luz, Maria Emilia Teixeira Gomes e o popular amador de Cacém, Alfredo Carvalho, “O Prego”. O responsável pelo ponto foi António da Silva Monteiro.

O referido agrupamento de teatro, foi competentemente dirigido pelo encenador e autor Salomão de Lemos Figueiredo, cujo acontecimento se apoiou na arrojada iniciativa da responsabilidade de Júlio Falé Monteiro, Fernanda Monteiro, Joaquim Carvalho e José Carvalho Moreira.

Os cenários foram da autoria de Fernando Monteiro e as cabeleiras e guarda-roupa foram fornecidas pelas casas de Vítor Manuel e Paiva de Lisboa.

Para assinalar a passagem de meio século após a existência deste agrupamento teatral, está a ser planeado um encontro dos sobreviventes do mesmo, a realizar em 5 de Junho próximo, durante o qual também será homenageada a memória de todos os elementos que infelizmente foram desaparecendo.

Francisco-Cipriano_100


©Francisco Cipriano (2005)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Março de 2005, p. 19

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