Afinal Nuno Coelho é candidato ou não?

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Editorial:

Afinal Nuno Coelho é candidato ou não?

PSD e a hecatombe anunciada

Não vem Rocha de Matos vem Nuno Coelho, o que não é bem a mesma coisa. Pelo meio o caos que conduzirá o PSD ao maior desastre eleitoral de sempre. Em Alenquer não vale a pena pensar-se no PSD como um partido de alternativa; abandone-se definitivamente a fantasia de pensar assim; só se perde tempo.

Fomos surpreendidos com os rumores de que o PSD já tinha encontrado o seu candidato para a presidência da Câmara, concretamente Nuno Coelho, jovem arquitecto do Carregado. Apesar dos diversos desmentidos temos a convicção de que já existe candidato. Por terra ficaram Rocha de Matos, Nandin de Carvalho e Vasco Miguel. A esta lista acrescentaremos Pedro Moreira; não que tenha declarado a sua candidatura, mas pela sua assunção tácita ao longo do tempo. E se não for agora será para a próxima, pois tem sabido conquistar o posicionamento.

Rocha de Matos, embora nunca tenha assumido uma candidatura, é o dilecto de um importante sector da população. Afigurasse-nos com capacidade para montar a sua própria máquina de campanha e para gerir o Município, no entanto é um nome que Pedro Moreira rejeitou. Temos a convicção de que o PSD não utilizou a melhor estratégia nas negociações com Rocha de Matos; provavelmente enviou ao local certo os interlocutores errados.

Nandin de Carvalho, actual vereador, é o preferido da maioria dos 100 social-democratas por nós ouvidos em inquérito popular e, por diversas vezes, mostrou-se disponível para voltar a candidatar-se. Como vantagem, o ser até hoje o único candidato apresentado pelo PSD que incomodou o PS; o ser o vereador que mais propostas sustentadas apresentou nas reuniões de câmara; o vereador que influenciou o regimento dessas reuniões. Hoje elas estão classificadas em “antes” e “depois” de Nandin. Como desvantagem, o ter sido o primeiro nome a ser “queimado” por Pedro Moreira; o ser muito individualista, fruto talvez da falta de confiança que tem na comissão política do PSD Alenquer.

Vasco Miguel, actual vereador, é notório a sua apetência para ser cabeça-de-lista: é frequente ouvi-lo dizer que é ele quem está melhor posicionado para ganhar a Câmara. É um político que conhece bem o concelho e os dossiers, sabe defender as suas ideias, e fá-lo com paixão; quando se trata de assuntos ligados à vinha e ao vinho, então é imbatível.

Falta-nos falar de Nuno Coelho, o jovem arquitecto do Carregado. Como vantagem, ser muito jovem e conhecer um sector, urbanismo, extremamente vulnerável no município. Como desvantagem, a ausência de qualquer actividade política anterior, pois nem na JSD teve qualquer intervenção, apesar de estar em quinto na actual lista de vereadores do PSD; O ter pedido escusa de mandato quando por duas vezes, surgiu a oportunidade de avançar para a efectivação do lugar; não se conhecer uma crítica sua à gestão camarária, principalmente na área do urbanismo, um sector por si bem conhecido; ser um “político” que, até aqui, raramente apareceu em público.

Deixámos para o fim o nome de Pedro Moreira, um político em franca ascensão, e a leitura que hoje fazemos dele não será obrigatoriamente a mesma que poderá ser feita daqui a quatro anos. Como vantagem, ter uma ambição política enorme, e ser voluntarioso e de paixões.

Como desvantagem, ser facilmente influenciável, amedrontando-se com tudo o que venha da área da Câmara e do PS; raramente aparecer em reuniões públicas onde seria importante o PSD estar representado; ser pouco conhecido no concelho, fruto da sua acção política estar confinada a Alenquer e esporadicamente ao Carregado; perfilhar do ideal idêntico ao de todos os ditadores: “se não concordas comigo és meu inimigo”, e confundir critica política com ataque pessoal; “queimar” nomes ganhadores, que à partida, muito dificilmente, o incluiriam nas suas listas, em lugares legíveis; não abrir o partido à sociedade civil, contrariando as indicações dos líderes nacionais de todos os partidos democráticos, que aconselham os políticos locais a não fazerem dos partidos “bunkers” ou quintais, onde se comportam como pequenos reis e senhores.

Espinosa dizia que “a vontade de um homem não pode estar completamente sujeita a jurisdição alheia, porquanto ninguém pode transferir para outrem a sua faculdade de raciocinar livremente e ajuizar sobre qualquer coisa”. “Raciocinar” e “ajuizar” conduzem a uma crítica, que não consiste em dizer bem ou mal, mas em pensar, e pensar é um “dom” que, persistentemente algumas pessoas esforçam-se por não permitir que aconteça.

Porque vivemos num país livre, a crítica à prestação política de quem tem actividade política é absolutamente normal e saudável. Temos a liberdade de criticar a prestação política de Pedro Moreira; Pedro Moreira tem a liberdade de discordar das nossas críticas mas não tem o direito de fazer ameaças, mesmo que umas vezes elas sejam veladas e que outras nem por isso.

Eleições na Distrital Oeste e uma situação ainda incerta na estrutura nacional, constituem instabilidades que poderão ter contribuído decididamente para que no âmbito do PSD, em Alenquer tudo esteja a passar-se num cenário surrealista: não vem Rocha de Matos vem Nuno Coelho, o que não é bem a mesma coisa; pelo meio o caos que conduzirá o PSD ao maior desastre eleitoral de sempre. E nesta caminhada esotérica o PSD perdeu preciosos anos e perdeu a credibilidade perante muitas pessoas.

O PSD sempre foi um partido de matriz rural e não urbano e alguns “calcinhas” que estão a liderá-lo não souberam respeitar isso; o desastre será grande, a não ser que surja um grande empenhamento da JSD que atenue esse mau resultado. No entanto, esta juventude não poderá ser julgada por uma performance infeliz, pois a sua responsabilidade não vai tão longe. Já o mesmo não se poderá dizer dos restantes elementos da Comissão Política: embora os seus nomes não constem nos boletins de voto a sua passividade irá ser julgada por pactuarem com a hecatombe que se avizinha.

Como reflexões finais poderemos dizer que: primeiro, a mais fraca comissão política de sempre “queimou” o mais forte candidato que o PSD teve até hoje.

Segundo, a candidatura do PSD com Rocha de Matos seria para vencer; com Nandin de Carvalho para manter os dois vereadores e melhorar os resultados; com Vasco Miguel para manter os dois vereadores, e com Nuno Coelho para disputar, com Manuel João Guiomar, o pior resultado de sempre.

Terceiro, Pedro Moreira não necessitará de se candidatar para vencer, pois Nuno Coelho dificilmente aguentará a pressão e abandonará. A número dois da lista, Carla Pereira, também não está calhada para estas movimentações e Pedro Moreira tudo fará para que ela siga as passadas do cabeça de lista. Então, sem ter tido necessidade do seu nome ir a sufrágio, o presidente do PSD de Alenquer ficará à frente, e o próximo combate será deveras mais fácil.

Quarto, A grande dúvida de como irá decorrer a campanha laranja. Será feita em debates na rádio? Será em conferências de imprensa, a grande paixão de Pedro Moreira? Será através da afixação de “outdoors”? Será em debates públicos? Quem vai aparecer no frente-a-frente com os munícipes por esse concelho fora? Quem financiará uma campanha sofredora?

Em Alenquer não vale a pena pensar-se no PSD como um partido de alternativa; abandone-se definitivamente a fantasia de pensar assim; só se perde tempo. ►


INQUÉRITO
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Hernâni de Lemos Figueiredo


©Hernâni de Lemos Figueiredo (2005)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 1 de Abril de 2005, p. 3 (Editorial)

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