Amadeu Torres, justa homenagem: Medalha de Mérito Municipal

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Amadeu Torres, justa homenagem: Medalha de Mérito Municipal

Com a dignidade possível fez-se justiça a uma personalidade que muito contribuiu para a divulgação de Alenquer e de um dos seus filhos

Amadeu TorresAs palavras de hoje são dedicadas à atribuição, pela Câmara de Alenquer, da Medalha de Mérito Municipal ao senhor Prof. Doutor Amadeu Rodrigues Torres. Tudo começou quando o Centro de Estudos Humanísticos da Faculdade de Filosofia de Braga, entendeu homenagear Amadeu Torres, pela passagem do seu octogésimo aniversário, com a organização de um colóquio internacional.Julgou por bem o coordenador deste evento convidar-me a participar e a divulgar tal iniciativa; a divulgação nunca esteve em dúvida, mas logo decidi pela não participação, pela minha insuficiência científica face à especificidade dos temas pretendidos; no entanto decidi estar presente no jantar de homenagem que iria realizar-se a 21 de Abril.

Também pensei ser a altura maior para Alenquer pagar a dívida de gratidão que tem para com Amadeu Torres, aquele que mais trabalhou no estudo da vida e obra de Damião de Goes e que mais as divulgou, culminando com a feitura do “Congresso Internacional Damião de Goes na Europa do Renascimento”, em Braga, já lá vão dois anos, a que tive a honra de participar, a convite da Faculdade de Filosofia de Braga; fui o único congressista de Alenquer, e participei com um trabalho intitulado “Alenquer Goesiana”.

Na Sessão de Abertura dessa efeméride inesquecível, Amadeu Torres que considera Damião de Goes “um símbolo eloquente do Portugal de Ourique e das Sete Partidas, e o discípulo português das ltterae humanitores mais cosmopolita e plurivocamente empático na complexa mundivivência do Renascimento”, apresentou várias razões para a existência daquela reunião magna de cientista goesianos de todo o mundo, sendo a primeira a de ser “uma razão de imperativo e de desagravo sócio-cultural a Damião de Goes, (…) que teve de esperar cinco séculos por uma homenagem oficial…”.

Como entendo que as dívidas devam ser pagas em vida dos credores, a 23 de Março de 2005, em reunião de Câmara, informei a existência daquela homenagem e apresentei a sugestão para a atribuição da Medalha de Mérito Municipal a Amadeu Torres, legitimando essa minha intenção com o trabalho por si desenvolvido em prol da divulgação da vida e obra de Damião de Goes, e que essa entrega fosse feita em plena festa de homenagem; tudo sustentado numa carta entregue ao senhor presidente da Câmara.

Este, logo disse que iria analisar a proposta. Entretanto Nandin de Carvalho, vereador, pediu que ele abreviasse as etapas, para que a proposta, a ser aprovada, pudesse ser ratificada, em tempo útil, pela Assembleia Municipal. Logo aí Álvaro Pedro entendeu por bem inclui-la na agenda de trabalhos daquela reunião; foi o primeiro ponto a ser discutido, tendo sido aprovada por unanimidade.

Como o vereador José Catarino dissesse ser importante conhecer algum trabalho do homenageado, por solicitação do senhor presidente da Câmara logo ali entreguei, a cada membro daquela reunião, toda a informação que tinha de Amadeu Torres: biográfica e bibliografia.

Ao terem conhecimento deste facto, e face a não me ter inscrito para os trabalhos do colóquio, o senhor director da Faculdade de Filosofia de Braga entendeu por bem convidar-me a estar presente na Sessão de Abertura do aludido evento e, também, a Comissão Organizadora convidou-me para o jantar de homenagem. Comuniquei este caso ao vereador da cultura, e em coordenação com ele, agendei com a organização do colóquio a nossa ida a Braga, informando-a de que seria o senhor Luís Rema o representante da Câmara ali a deslocar-se para entregar tal condecoração.

Entretanto, em Braga, terminado o jantar de homenagem a Amadeu Torres e no regresso ao hotel, fui informado de que a proposta tinha sido aprovada pela Assembleia Municipal, com 28 votos a favor e um voto em branco; tudo legitimado, então, para se poder fazer a entrega da condecoração, o que aconteceu no dia seguinte.

Por dificuldades de agenda de Luís Rema, pois tinha um compromisso, nessa noite, na Biblioteca de Alenquer, a condecoração não pode ser entregue na Sessão de Encerramento, como era pretensão da organização do colóquio, mas sim na segunda sessão plenária do dia, conforme é noticiado numa peça à parte, aqui no Jornal D’Alenquer. Com a dignidade possível, assim se fez justiça a uma personalidade que muito contribuiu para a divulgação de Alenquer e de um dos seus filhos.

À margem deste registo, é confrangedor verificar que tanto na Assembleia Municipal como no discurso de entrega da medalha, nunca se fez referência que ela era atribuída porque alguém o tinha sugerido à Câmara; o que foi dito foi que isso aconteceu “por iniciativa do senhor presidente da Câmara”.

Não faço juízos de intenções mas estou curioso para saber como está redigida a acta da reunião de Câmara de 23 de Março de 2005 (as actas normalmente estão com um atraso de dois/três meses), e qual vai ser a postura dos vereadores quando forem confrontados com a sua leitura para aprovação, caso ela não relate, com fidelidade, os factos referidos à atribuição desta medalha.

Interessante também a postura de alguns deputados municipais que agora dizem, que no acto da votação da proposta da câmara, “tiveram para intervir” ao verificarem a ausência de qualquer alusão à origem da iniciativa, visto terem conhecimento de como tudo se tinha passado; pois é, mas não intervieram.

Não menos interessante o facto doutros deputados, ao darem pela ausência na reunião de Luís Rema e ao saberem que ele estava em Braga para fazer a entrega da medalha, provavelmente à procura de algum “caso político” e antes da votação telefonaram a saber se a medalha já tinha sido entregue…

As minhas últimas palavras vão para os eleitos autárquicos da oposição. Caros vereadores e deputados: infelizmente há tantos motivos para a vossa intervenção política que não há necessidade de se agarrarem a divertimentos, que só servem para os distraiam do que é importante; e uma das acções importantíssimas é que denunciem as inexactidões e as lacunas existentes nos relatos dos factos, tanto em reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal, como na leitura, para aprovação, das suas actas. Assim, de certo modo, contribuirão para uma melhor veridicidade da História do Município.



in Jornal D’Alenquer, 1 de Maio de 2005, p. 3 (Editorial)Hernâni de Lemos Figueiredo

©Hernâni de Lemos Figueiredo (2005)

director do Jornal D’Alenquer

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