Funeral de Álvaro Cunhal: “Até sempre, camarada”

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Funeral de Álvaro Cunhal

“Até sempre, camarada”

Alguns políticos de outros partidos de esquerda e de direita também prestaram homenagem a Cunhal, bem como várias delegações estrangeiras.

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O funeral do histórico líder do PCP, Álvaro Cunhal, realizado no passado dia 15 de Junho, ficou marcado pela afluência maciça de amigos, camaradas e simpatizantes do partido, que encheram por completo as artérias lisboetas por onde passou o cortejo fúnebre.

Desde a Avenida da Liberdade, onde está localizado o Centro de Trabalho Vitória, até ao cemitério do Alto de S. João, o carro funerário que transportava a urna com os restos mortais do dirigente comunista, foi acompanhado por um imenso cortejo, onde as bandeiras vermelhas (do PCP e da JCP) e muitos cravos da mesma cor criavam uma inconfundível mancha vermelha.

Gritos e cânticos de ordem, como “Assim se vê a força do PC”, ou na pele pelos presentes que não paravam de gritar: “Agora e sempre Cunhal está presente”. Os comentários ouvidos davam conta de que há muito não se via tamanha manifestação de força do PCP, fazendo recordar os tempos do pós 25 de Abril.

Dias Lourenço, Jaime Serra, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, entre muitos outros quadros do PCP marcaram presença até ao último minuto, bem como a família de Cunhal. Alguns políticos de outros partidos de esquerda e de direita também “Cunhal, amigo, o povo está contigo”, e ainda “Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril”, foram algumas das palavras de ordem gritadas pela multidão, ela própria espantada com tamanho ajuntamento.

“Foi assim que o camarada quis, e nós viemos”, diziam populares alentejanos presentes no cortejo, respondendo assim ao último desejo de Cunhal, que não quis elogios fúnebres. A última homenagem, prestada já no cemitério, ao homem que liderou o PCP durante mais de trinta anos foi novamente um cântico uníssono de uma multidão consternada com esta perda, da “Internacional”, seguida do Hino Nacional

A mensagem que o PCP e o próprio Cunhal terá querido fazer passar e que tem a ver com força do PCP ainda tem e que não acabará com a morte do líder histórico, com esta manifestação popular, era sentida prestaram homenagem a Cunhal, bem como várias delegações estrangeiras (Alemanha, Brasil, Itália, Moçambique, Angola, Espanha, França e Grécia).

No final, a multidão cantou, sentida, “Grândola, vila morena”, em tom de “Até sempre, camarada”.




Natasha-Lemos


©Natasha Lemos(2005)
Jornalista
in Jornal D’Alenquer, 1 de Julho de 2005, p. 46

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