Colóquio com Mário Zambujal: “Escritor sim, mas só quando houver inspiração”

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Colóquio com Mário Zambujal

Escritor sim, mas só quando houver inspiração

“Hoje existe uma pressão enorme para se vender papel, para se realizar dinheiro, e a desgraça vende bem”. “Hoje os jornalistas saem todos da Universidade, que normaliza o ensino, e que faz de duas pessoas diferentes duas pessoas iguais”.

Mário Zambujal sempre bastante expressivo na sua intervenção

Mário Zambujal sempre bastante expressivo na sua intervenção

Ontem, 17 de Fevereiro de 2006, Mário Zambujal esteve presente no Auditório da Biblioteca Municipal de Alenquer, para uma conferência. Sala praticamente cheia com um público ávido por conhecer as suas “estórias”.

Mário Zambujal iniciou a sua actividade de jornalista profissional, em 1961, quando tinha 25 anos, no jornal A BOLA; sete anos mais tarde chegou ao DIÁRIO DE LISBOA, que abandonou no ano seguinte, trocando-o pelo RECORD, então dirigido por Artur Agostinho, e onde chegou a director-adjunto. Em 1970 entra para O SÉCULO, onde no 25 de Abril de 1974 era chefe de redacção; Em 1975 foi director do MUNDO DESPORTIVO, e depois transitou para chefe de Redacção do DIÁRIO DE NOTÍCIAS. Também foi director de O SETE.

Começou a sua carreira literária, em 1980, com a CRÓNICA DOS BONS MALANDROS; três anos mais tarde escreveu HISTÓRIAS DO FIM DA RUA, e três anos depois deste último livro lançou À NOITE LOGO SE VÊ. Um interregno de alguns anos, e em 2005 escreve OS NOVOS MISTÉRIOS DE SINTRA, em colaboração com Alice Vieira, José Fanha, José Jorge Letria, João Aguiar, Luísa Beltrão e Rosa Lobato Faria. Em 1984, o seu primeiro livro, “Crónica dos bons malandros”, foi adaptado ao cinema pelo realizador Fernando Lopes. É co-autor de alguns textos de teatro de revista como “Não Batam Mais no Zézinho”, “Isto é Maria Vitória” ou “Toma Lá Revista”, no entanto sente-se melhor quando é apresentado como jornalista.

Este jornalista que “aposta na força da escrita” chegou a declinar um convite de Mega Ferreira, na altura o homem-forte do Circulo dos Leitores, para “ser escritor profissional”, numa época que seria puro pioneirismo no país; como compromisso o ter que escrever um livro por ano. “Escrever quando há inspiração é uma coisa, escrever por obrigação é outra coisa”. Este o motivo para o declínio de tal oferta, e que foi uma “ofensa” para o ofertante. Os seus quatro livros foram escritos com esta lógica. De resto, o autor continua a considerar-se um jornalista que escreve para se divertir.

Sessão muito participada onde várias questões foram colocadas ao convidado. Respondendo a uma pergunta do público sobre notícias que saem, em simultâneo, em mais que um jornal, que “tem o mesmo título e, muitas vezes, a mesma foto”, Mário Zambujal reconheceu que hoje “existe uma pressão enorme para se vender papel, para se realizar dinheiro” e que “a desgraça vende bem”. “Hoje os jornalistas saem todos da Universidade, que normaliza o ensino, e que faz de duas pessoas diferentes duas pessoas iguais. Ambos aprendem a mesma técnica de vender papel, por isso é frequente chegaram a uma conclusão igual sobra a melhor maneira de realizar dinheiro; por isso o mesmo título, a mesma disposição gráfica, para um mesmo assunto, embora tratados em jornais diferentes e por jornalistas que não se conhecem”.




Hernâni de Lemos Figueiredo


©Hernâni de Lemos Figueiredo (2006)
director do Jornal D’Alenquer
in Jornal D’Alenquer, 13 de Fevereiro de 2006, 13:09h. p. 14 (on line)

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