Adega Cooperativa de Labrugeira: José Manuel Coelho é o novo presidente

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José Manuel Coelho é o novo presidente
Adega Cooperativa de Labrugeira

Quanto a projectos, a curto prazo há a aposta no engarrafamento dos DOC’s tinto em “bag in box” de 3 litros, e o lançamento, na Feira de Ascensão deste ano, de mais um “FRUCTUS”, um rosê com 13 graus; quanto a médio prazo, “lá para o Verão”, mais um “FRUCTUS” sairá para o mercado; desta vez será um branco de 9,5 graus.

ADEGA COOPERATIVA DE LABRUGEIRA
José Manuel Coelho, o novo Presidente

Estávamos em 1890, na Exposição de Londres; aqui, fez furor um vinho branco duma “região longínqua e desconhecida” chamada Alenquer. Sobre o vinho branco já existia algum conhecimento, visto já no século XIV ser muito apreciado em Inglaterra.

Sobre Alenquer nada se sabia, mas a verdade é que Alenquer é uma terra antiquíssima, de origem pré-histórica, A primeira informação que temos relaciona-se com a descoberta de um fóssil, o “Apatosaurus Alenquerensis”, um animal do período Jurássico (135-165 milhões de anos), de proporções gigantescas (podendo atingir 35 toneladas de peso, 22 metros de comprimento e 6 de altura).

A origem da vila, no espaço depois limitado pela fortificação medieval, é igualmente do período da pré-história. Esse primitivo núcleo habitacional de Alenquer terá sido mais tarde romanizado, nos séculos II a.C. a III d.C. Entre os séculos III e VIII, sucederam-se as invasões bárbaras: alanos, vândalos, suevos e visigodos. Como já estavam presentes na Península desde 711, os árabes aproveitaram os recursos defensivos do sítio de Alenquer, para aqui edificarem uma fortificação que, mais tarde, foi conquistada aos mouros, por D. Afonso Henriques, no dia 24 de Junho de 1148, “por ser considerado um ponto estratégico para a defesa de Lisboa”.

Alenquer e o seu concelho sempre foram muitos acarinhados pela realeza e pela nobreza. Em 1212, Alenquer é entregue a D. Sancha, que no mesmo ano lhe atribui foral. D. Dinis concederá novo foral à vila em 1302, foral reformado entretanto em 1510 por D. Manuel.

Alenquer sempre esteve ligada à epopeia dos Descobrimentos, pois Pêro de Alenquer foi o piloto da nau de Bartolomeu Dias quando dobrou o cabo da Boa Esperança, em 1488, e também foi o piloto da nau São Gabriel da armada de Vasco da Gama, na viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia, em 1498.

Foi paneia dos Descobrimentos o Culto do Divino Espírito Santo, cujo Império foi inventado pela rainha Santa Isabel, em Alenquer, em 1323 onde também aconteceu o Milagre das Rosas; um dos muitos que a memória popular nos transmite.

Por falar em Espírito Santo, daqui partiu Vasco Fernandes Coutinho, em 1534, o primeiro donatário da capitania do Espírito Santo, no Brasil. E por falar no Brasil, Frei Henrique de Coimbra, foi quem disse a primeira missa em terras de Vera Cruz, a 26 de Abril de 1500, e ele, antes de partir na armada de Pedro Alvares Cabral, professara no Convento de São Francisco, em Alenquer, por sinal o primeiro daquela Ordem instalado em Portugal.

Aqui nasceu Damião de Goes, em 1502; e aqui faleceu em 1574. Foi ele que divulgou à Europa culta os feitos dos portugueses. E Luís de Camões, também ele por aqui passou. A épica obra OS LUSIADAS foi outra maneira de divulgar os Descobrimentos. Tanto no primeiro como no segundo caso, são ilustrações de como Alenquer está intimamente ligada a essa época de glória.

Igualmente foi aqui que D. António, Prior do Crato, foi reconhecido como o verdadeiro rei de Portugal; estávamos a 22 de Junho de 1580.

São imensos os relatos que chegam até nós de muitas figuras ilustres que estão ligadas a Alenquer e de inúmeros factos memoráveis que por si só também fazem parte da História de Portugal.

E algumas dessas figuras ilustres também estavam ligadas à terra. Como exemplo, a luta contra a Filoxera e o seu herói, o Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho, o homem que viu a produção das suas vinhas decair drasticamente, passando das 5.000 pipas anuais, para as 2.000 e depois para as 100. Este alenquerense que se arruinou para debelar a epidemia e que foi idolatrado por todos os vinhateiros portugueses, está imortalizado no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Alenquer e no Salão Nobre da sede da Freguesia de Ventosa, onde nasceu, na Quinta do Rossio, a 11 de Janeiro de 1835, o mesmo local onde faleceu a 14 de Junho de 1905.

A região de Alenquer tem uma riqueza vitícola de grande significado. As suas vinhas formam grandes malhas consecutivas, desenvolvendo-se por encostas e vales. Produzem vinhos de grande qualidade, principalmente os de meia encosta de exposição a sueste. Esta região é significativamente marcada pelos vinhos de quinta, onde a qualidade é excelente, qualidade essa que entretanto os viticultores do associativismo conseguiram igualar e manter. O exemplo flagrante disto é a actividade da Adega Cooperativa de Labrugeira.

Situada numa antiga região dos Templários, numa freguesia que já foi conhecida por Nossa Senhora das Virtudes da Ventosa, e que é rica na produção de vinho. A Adega de Labrugeira foi fundada com a publicação do seu alvará, a 25 de Abril de 1973, embora só tenha começado a laborar no ano seguinte.

A Adega Cooperativa de Labrugeira é detentora de um manancial de vinhos, muitos deles reconhecidos internacionalmente e que por isso são premiados nos diversos eventos mundiais.

Os vinhos são comercializados com várias marcas. Assim, nos tintos há os monocastas “SYRAH”, “TINTA RORIZ”, “VELHARIA” e “ENCOSTA DA CHARNECA”; de duas castas há o “SYRAH+TINTA RORIZ”, e como estrela da Companhia, temos o tricasta “FRUCTUS”, um misto de “Cabernet Sauvignon”, “Syrah” e “Aragonez”, que o “Wine Masters Challenge” premiou com uma medalha de bronze, em 2007, e uma de prata, este ano. Nesta categoria também comercializa o “SYRAH RESERVA” que mereceu do júri do “Wine Masters Challenge 2007” a Medalha de Bronze.

Em tinto e branco a Adega Cooperativa de Labrugeira comercializa o “Condado de Alenquer”, o “Visconde de Chanceleiros” e o “Barão de Alenquer”; este último mereceu do Júri do “Wine Masters Challenge” deste ano duas Medalhas de Recomendação. Já o tinto mereceu na edição de 2007 a Medalha de Bronze.

Um vinho especial, na linha dos leves, é o “NEVÃO”, que é apresentado em branco e rosê. E ainda há o “TALISMÔ, um licoroso de muita qualidade.

Este ano há uma nova direcção, presidida por José Manuel Avelar Coelho, um viticultor nascido em 1956 e que os seus 32 hectares plantados de vinha, representando 5 por cento da área global dos cerca de 600 cooperantes, fazem dele o associado com maior área de vinha.

Segundo Avelar Coelho, a Adega tem uma capacidade total de acolhimento de cerca 10 mil toneladas/ano, mas só recebe cerca de 6 mil. Esse acolhimento, durante três semanas, é feito em dias próprios, pois as vindimas são concluídas mediante as castas. Na primeira semana recebem-se os vinhos brancos de menor grau, por isso os viticultores de Vila Verde dos Francos são sempre os primeiros a vindimar, deixando para o fim os vinhos brancos de melhor qualidade e os vinhos tintos.

Para José Manuel Coelho as maiores dificuldades que os associados enfrentam é ao aumento dos custos de produção não corresponder um aumento nos preços de venda. E a pequena dimensão das explorações vitícolas também representa uma grande dificuldade para os cooperantes da Adega de Labrugeira.

Quanto a projectos, a curto prazo há a aposta no engarrafamento dos DOC’s tinto em “bag in box” de 3 litros, e o lançamento, na Feira de Ascensão deste ano, de mais um “FRUCTUS”, um rosê com 13 graus; quanto a médio prazo, “lá para o Verão”, mais um “FRUCTUS” sairá para o mercado; desta vez será um branco de 9,5 graus.

In Jornal D’Alenquer, 7 de Abril de 2008 (online)

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2008)

Director do Jornal D’Alenquer

hernani.figueiredo@sapo.pt

TM 965 523 785


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