Círio de Olhalvo à Senhora da Nazaré

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Círio de Olhalvo à Senhora da Nazaré

Tradição com mais de 500 anos

Decorria o ano de 1502 quando partiu de Penafirme da Mata, a primeira peregrinação, da Freguesia de Olhalvo, ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, ainda aquela localidade, que muitos anos antes chegou a chamar-se “Pena Alta” ou “Pedra Firme”, pertencia à freguesia de Aldeia Gavinha. Os documentos existentes são omissos sobre a motivação desta romaria, mas existe a convicção que foi como pagamento de promessas à Senhora da Nazaré, provavelmente pelo regresso da Epopeia dos Descobrimentos de algum habitante, ou por ocasião de alguma calamidade que atormentou a região, como a seca, algum desastre, a peste ou outra qualquer doença. A partir daí, ininterruptamente, esta romagem realiza-se todos os anos, sendo hoje a mais antiga tradição do concelho de Alenquer.

Nem a nova visão do mundo traçada por Darwin quanto à origem das espécies, nem a revolução de Copérnico que deslocou a Terra do centro do Universo, nem as investigações de Pedro Penteado, historiador do Santuário da Nossa Senhora da Nazaré, de que “não existe nenhum manuscrito coevo que confirme a existência de D. Fuas Roupinho”, pondo assim em dúvida a existência daquele mitológico cavaleiro e, por conseguinte, de todas as histórias que se contam sobre ele, faz a população da freguesia de Olhalvo perder a Fé na Senhora da Nazaré.

Aquela Fé que é a grande iluminadora dos momentos quando a razão não encontra respostas para determinadas crenças humanas; aquela Fé que é o acreditar e confiar, por qualquer raciocínio específico ou mesmo sem razão bem definida, numa crença, ou em dogmas de uma determinada religião. Aquela “Fé” que se torna, assim, numa das veredas almejadas para responder aos apelos mais profundos da existência humana”.

A “Fé Religiosa” em Nossa Senhora da Nazaré está de tal forma presente no coração da população desta freguesia que nem nos anos de peste ela deixou de organizar a liturgia pois, mesmo com a dificuldade de reunir mais pessoas, foram dois homens levar a sua homenagem e as orações dos doentes à Senhora da Nazaré. E nos perturbados anos da revolução de 1910, “à saída do lugar de Olhalvo arrecadavam-se as insígnias que só eram, de novo, desfraldadas no Santuário, por temor de desacatos”.

Com a criação da freguesia de Olhalvo, em 1612, o cortejo peregrino passou a ser pertença desta novel freguesia.

VER REPORTAGEM COMPLETA:

Cirio de olhalvo a Senhora da Nazare






in Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2002, p.
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2002)
director do Jornal D’Alenquer
 
 

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