Serra de Montejunto (II): Geologia da Serra de Montejunto

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Serra de Montejunto (II)

Geologia da Serra de Montejunto

Ao estudar a génese, a evolução, o meio físico e biológico do mundo subterrâneo, a espeleologia é igualmente uma disciplina técnico-científica que se interliga com ciências como a Geologia, Biologia e Antropologia

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A Serra de Montejunto pertence a uma unidade estrutural característica “O Maciço Calcário Estremenho”. Este maciço, geograficamente descontínuo e com orientação NE-SW, engloba as serras de Sicó, Alvaiázere e Maciço de Porto de Mós, constituindo a serra de Montejunto o seu prolongamento para Oeste. Do ponto de vista estrutural e tectónico, a Serra de Montejunto está dividida em 2 partes por uma zona de fracturas transversais. A zona NE é limitada, do lado oriental, por falhas de orientação NE-SW e o contacto entre as formações Mesozóicas e Cenozóicas é mais ou menos vertical, com tendência para cavalgamento das primeiras sobre as segundas, na zona de S. Salvador e Pedreira. Na área do Cercal e Pragança as falhas mais ou menos verticais têm uma orientação aproximadamente N-S. A zona SW da Serra de Montejunto está caracterizada pela presença de diversas falhas de orientação NE-SW e na área de Cabanas de Torres, Vila Verde dos Francos e Maxial, falhas de assentamento transversal, mais modernas cortam as falhas NE-SW. Os recursos minerais estão representados por materiais de construção, de empedramento, por produtos betuminosos (petróleo e betume), pelo possível sal-gema e águas minerais. Nos materiais de construção e empedramento: os saibros e as areias do Jurássico Superior e sobretudo do Cretáceo são aproveitados para obras; as argilas terciárias da região de Abrigada, são aproveitadas para cerâmicas; os calcários são aproveitados para brita, preparação de cal e construção

Espeleologia
Sendo uma actividade que se dedica ao estudo das cavernas, a espeleologia não se resume aos aspectos técnico-desportivos da progressão em grutas. Ao estudar a génese, a evolução, o meio físico e biológico do mundo subterrâneo, a espeleologia é igualmente uma disciplina técnico-científica que se interliga com ciências como a Geologia, Biologia e Antropologia. Outras técnicas utilizadas e igualmente importantes são a Fotografia, Topografia e Cartografia, que complementam a actividade do espeleólogo.

Buracos Mineiros I
Designada por Gruta dos Buracos Mineiros ou dos Montes de Terra, localiza-se na zona das Fontainhas. Tem uma profundidade de 5 mts e o seu desenvolvimento prolonga-se até aos 35 mts. A sua morfologia é constituída por uma galeria com entrada numa das extremidades e dois algares resultantes do abatimento do tecto, sensivelmente a meio e no fim da galeria. Apresenta sedimentação litoquímica intensa, mas já em fase de desagregação. Nesta gruta foram efectuadas escavações arqueológicas, tendo sido recolhido diverso espólio.

Algar das Heras
A designação deste algar deve-se ao abundante mato de heras existente na entrada. Localizando-se na zona das Fontainhas, tem uma profundidade de 9 mts, e um desenvolvimento que se entende até aos 20 mts. A morfologia desta cavidade tem origem na formação de um algar de abatimento com cerca de três metros de desnível, que dá acesso a uma pequena sala. Existe também uma pequena galeria lateral que segue a orientação da diaclase dominante. A sedimentação litoquímica assume alguma importância, encontrando-se em adiantado estado de desagregação.

Algar do Escorpião
O nome desta cavidade deve-se ao facto de ali se ter descoberto um espécime de um pseudoescorpião. Também localizada na zona das Fontainhas, com uma profundidade de 25 mts, o seu desenvolvimento estende-se ao longo de 70 mts. É uma cavidade constituída por dois andares de morfologia diferente. Um algar de infiltração dá acesso a uma zona de galerias altas e estreitas. A passagem ao piso inferior faz-se por uma pequena abertura no tecto da sala. Esta é ampla, com sedimentação litoquímica intensa e variada e um pequeno cone de blocos.

Gruta das Fontainhas
Esta cavidade localiza-se na zona das Fontainhas, tem 57 mts de profundidade e 90 mts de desenvolvimento. Esta gruta apresenta uma entrada através de algar, onde predominam as galerias altas e estreitas, e poços. A sedimentação litoquímica é irregular e bastante escassa. Esta gruta forneceu importante fauna do quaternário (ursos, panteras, hienas, linces, cavalos, javalis, veados, aves etc.) e espólio arqueológico do paleolítico e do neolítico. Aqui encontra-se uma importante colónia de morcegos.

Algar da Bicha
Montejunto_2Cavidade localizada na zona das Fontainhas, com uma profundidade de 16 mts, o seu desenvolvimento vai até aos 30 mts. A sua entrada é feita por um algar de infiltração com cerca de onze metros, apresentando a meio uma plataforma que desemboca no tecto da primeira sala. São duas as salas que compõem esta cavidade, apresentando alguma sedimentação litoquímica parietal bastante antiga. No final da gruta encontra-se uma minúscula sala com grande profusão de estalactites, estalagmites e algumas colunas.

Algar do Javali
O nome desta gruta deve-se ao facto de se terem descoberto dois esqueletos de javali, localizando-se na zona das Fontainhas, com uma profundidade de 10 mts, e com um desenvolvimento de 80 mts. Entrada através de um pequeno algar existente no tecto de uma pequena sala. Uma passagem de reduzidas dimensões permite o acesso a uma zona de abatimento. A gruta termina numa sala baixa onde existe uma grande variedade de formações.

Algar da Maria Pia
Cavidade de grandes dimensões próximo do Covão dos Moinhos do Barreiro Pequeno, com uma profundidade e desenvolvimento de 60 mts. Algar de infiltração, ligeiramente helicoidal, apresentando paredes lisas e desprovidas de sedimentação litoquímica. Durante muito tempo serviu de depósito de animais mortos. facto que pode afectar a saúde pública através da contaminação das águas subterrâneas.

Os textos presentes neste jornal têm carácter meramente informativo. Praticar espeleologia implica perigos vários e requer formação e experiência adequadas. Contacta um grupo espeleológico da tua área ou o Espeleo Clube de Torres Vedras – Associação de Carácter Cultural e Científico.



VEJA TAMBÉM:
Serra de Montejunto (I): Grutas e Algares



Espeleo-Clube-TV


©Espeleo Clube de Torres Vedras (2000)
in Jornal D’Alenquer, 1 de Junho de 2000, p. 40

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