Autárquicas 2013: Alenquer elegeu o mais fraco e mais mal preparado dos candidatos

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Autárquicas 2013

Alenquer elegeu o mais fraco e mais mal preparado dos candidatos

A partir de hoje é tempo de exigir, é tempo de cobrar as promessas de Pedro Folgado e do Partido Socialista; e, diariamente, relembrar ao executivo que tem maioria absoluta, que cumpra, pelo menos, 25% das medidas que fazem parte do seu manifesto

No rescaldo das eleições autárquicas em Alenquer, em primeiro lugar é importante não esquecer que apenas o Partido Socialista tem responsabilidades politicas e executivas sobre o estado do nosso concelho, sobre a divida de quase 40 milhões de euros e sobre o caos urbanístico que caracteriza o concelho, em especial na freguesia do Carregado.

Alenquer apresentou-se a estas eleições com 4 candidatos. Pedro Folgado e João Hermínio são faces diferentes da mesma moeda. Se o primeiro venceu deve-o em especial à máquina socialista e ao voto que tradicionalmente é socialista em Alenquer. Já João Hermínio conseguiu sepultar de vez o Bloco de Esquerda. Tal como aconteceu em todo o país, o povo não aceitou a mudança de camisola de Hermínio, e o BE morreu ontem.

Os dois outros candidatos ontem a votos foram Carlos Areal que acabou por se sair bem, e Nuno Coelho, sem duvida o homem certo para assumir o cargo de Presidente da Câmara, mas que foi fortemente penalizado, pelo facto de hoje o governo do País ser social-democrata.

E é aí que existem algumas diferenças entre os socialistas de Alenquer e os seus líderes do partido; é que enquanto os líderes nacionais do Partido Socialista pretendem fazer leituras nacionais dos resultados destas eleições, apelando à demissão do governo, em Alenquer os socialistas dizem que não se pode fazer essa leitura e que a sua vitória é devida ao seu empenho e ao cabeça de lista agora eleito presidente da autarquia.

O fraco desempenho que demonstrou em campanha, em especial no debate promovido pela RVA e na entrevista concedida ao Jornal Valor Local, faz de Pedro Folgado o mais incompetente para estar à frente de um concelho com tantos problemas como os que foram causados por 38 anos de socialistas na Câmara de Alenquer. Pedro Folgado, demonstrou pouco conhecimento dos problemas do concelho e falta de preparação para exercer o mandato até 2017.

Acredito que cada caso é um caso, e estou em crer que a verdade entre a interpretação dos resultados ou leituras a níveis nacionais andará algures no meio, mas que a realidade local e a realidade nacional são demasiado complexas para se conseguir intuir com um mínimo grau de certeza as relações entre estas.

O que não coíbe a muita gente de concluir com certezas absolutas a partir da derrota do PSD em termos nacionais e apelar a queda de Passos Coelho, esquecendo-se apenas que este governo não foi a eleições e que apesar do povo ter-se permitido penalizar os partidos da coligação, olhando e comparando os números socialistas com os números da coligação PSD/CDS, é fácil verificar que a diferença é muito pequena. 36,1% para 35% não é, propriamente, um pormenor, mas de facto foi uma derrota.

É preciso ter o seguinte em mente: não esquecer que a apresentação do Orçamento de Estado e a avaliação da troika estão aí à espreita; por isso é preciso trabalhar. É necessário que os políticos entendam que tem de começar a trabalhar para as pessoas e não para os partidos; hoje e agora, sem rodeios nem atrasos, interpretando devidamente o cansaço de cidadania demonstrado pela votação destas autárquicas.

Em Alenquer é importante realçar que os socialistas que cantam vitória em todas as categorias, com 9 juntas de freguesias e a maioria na Assembleia Municipal e na CMA, assentam a sua existência numa matriz de apoio tradicional. Matriz que define a sua doutrina com muita convicção e auto-suficiência, que é sistemática e onde é mínima a variação de votos independentemente do candidato. É por isso que todos os partidos têm valores de referência e homens notáveis, mas que deixaram de o ser de um modo inequívoco, e desta feita aconteceu com a derrota do PSD.

O resultado eleitoral do PSD no todo nacional foi péssimo para quem quer fazer leituras nacionais desses resultados. Não há eufemismos que escondam essa crueza da realidade: os social-democratas perderam em Lisboa, Porto, Sintra, Gaia, Vila Real e Coimbra etc, sendo que em alguns dos casos a roçar a humilhação. Então em Alenquer esperávamos que fosse diferente? Num priorado que é dominado há 40 anos pelo socialismo tradicional., sinceramente eu tinha essa réstia de esperança que as pessoas olhassem de frente para o trabalho desenvolvido nos últimos oito anos por Nuno Coelho e o tivessem premiado com um bom resultado.

Alenquer ontem não teve motivos para comemorar, pois elegeu o mais fraco e mais mal preparado dos candidatos. Desde de 1974 que tem vindo a perder a sua identidade e competitividade face aos concelhos vizinhos; sobretudo a partir do ataque feito por um punhado de socialistas a Mestre João Mário, quanto o mesmo era presidente da Câmara.

Desde esses tempos, o PS autorizou a construção desorganizada e o caos urbanístico, e acentuou os clientelismos e os favores. O expoente máximo foi a não assinatura de um contrato com o vencedor do concurso realizado para a reabilitação da Chemina.

É verdade que em democracia adquirimos o hábito de exercer o direito de voto de tempos a tempos, levando a que por vezes nem nos apercebamos da responsabilidade de tal acto ou da necessidade de cumprir esse dever. E, neste sentido, mais uma vez a abstenção saiu vencedora em Alenquer.

Contudo, os resultados das autárquicas não desequilibram as contas da troika nem servem para afastar a expressão dos juros da dívida. E mesmo que levassem à queda do governo de Passos Coelho, o partido Socialista teria pela sua frente o mesmo frete de governar com austeridade, com a troika e com as contas deficitárias em que colocou o país. E a nossa vida cinzenta e o fado triste continuaria a decorrer debaixo das mesmas nuvens de contrariedades.

A partir de hoje é tempo de exigir, é tempo de cobrar as promessas de Pedro Folgado e do Partido Socialista; e, diariamente, relembrar ao executivo que tem maioria absoluta, que cumpra, pelo menos, 25% das medidas que fazem parte do seu manifesto.

Alenquer, 30 de Setembro de 2013


Carlos-Ferreira_100



©Carlos Ferreira (2013)

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