Visita à exposição “A minha vida dava uma sardinha”

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FESTAS LISBOA’15: visita à exposição “A minha vida dava uma sardinha”

FESTAS LISBOA’05 – Visita à exposição “A minha vida dava uma sardinha – 20/6/2015
Propostas vencedoras: “Sardinha Vasco Santana”, “Sardinha Lifesaver”, “Sardinha Fisherman”, “Sardinha Vendedor de mines” e “Sardinha Santo António do fogareiro”

Depois da visita guiada ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis, foi uma surpresa agradável esta exposição que nos ocupou o tempo enquanto esperávamos pela hora marcada para a visita guiada ao Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, a segunda paragem “obrigatória” do projecto “Rotas Culturais” da Alenculta.

Esta exposição, distribuída por dois pisos do edifício da Fundação Millennium BCP, está integrada na programação das “Festas Lisboa 2015”, e pretende mostrar ao público em geral as sardinhas, que são o símbolo gastronómico identificador da tradição dos Santos Populares e de Lisboa, como as rainhas festeiras, discussão que decorre desde 2003, “quando a sardinha saltou da grelha e invadiu ruas, montras, eléctricos e bailaricos, empurrada pela imaginação de designers, artistas e ilustradores”.

A partir daí, a sardinha passou a ser constantemente aproveitada graficamente em diversas iniciativas, sendo o Concurso de Sardinhas, promovido pela EGEAC, Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural da cidade de Lisboa, uma das mais significativas. Desde 2011, são desafiados artistas, criativos e toda a comunidade nacional e internacional a participarem com a sua proposta de sardinha. Este ano, o 5.º concurso, contou com 4.988 propostas de sardinhas de 2.640 candidatos de 50 nacionalidades diferentes.

A mostra visitada contém 100 sardinhas; e as cinco propostas vencedoras, “Sardinha Santo António do fogareiro” (Alberto Faria), “Sardinha Vendedor de mines” (Rui Fazenda), “Sardinha Fisherman” (Martin Jarrie), “Sardinha Lifesaver” (Maria Sorte) e “Sardinha Vasco Santana” (Delfim Ruas), num novo conceito expositivo ganharam voz e são os intérpretes da “Sardinhó Novela”, criação de Ricardo Henriques, “uma história apaixonante de peixes, balões, santos padroeiro- , candeeiros e cervejas bebidas pela garrafa”:

“O dia 12 de Junho está a acabar e a noite a começar, quando Lisboa vê um pescador desesperado (Fisherman) a deambular pelas suas ruas.
– Preciso de guiiito!…vou prós santos…o boniiiito? Quem me compra…
– Meu filho o que é que se passa contigo? Porque erras por aqui com tão estranho pregão?
– Ó Santo António do Fogareiro, bendito seja! A faina não foi de vento em popa, mas deu-me este bonito (mostra um lustroso atum que trazia na mão), se mo comprar, subsidia-me os comes, bebes e bailaricos.
– Meu filho, lamento mas já estou de fogareiro cheio de sardinhas.
– E para mais tarde? pergunta o pescador.
– Vinhas tão na brasa que servias melhor para atiçar o lume. Peixe não preciso, meu filho.
– Ó Santo António, vai deixar-me com o menino ao colo?
– Não blasfemes, meu filho. Ide em paz e boa fortuna.

A “Sardinha Fisherman” dirige-se a uma feira, onde há vários vendedores ambulantes e barraquinhas. Chega ao vendedor de balões e pára, para repetir o seu pregão.
– Quem me compra o BONIIITO? Vou prós santos e preciso de GUIIITO.
– Fiu! FFFFFiu! Que bela abrótea levas aí!…
– Não é abrótea, é BONITO. Mas quem me elogia o peixe?
– Euzinha! Aqui em cima!.
– O que faz uma Sardinha-bóia (Sardinha Lifesaver) no meio dos balões?
– Vim visitar um amigo. Este golfinho aqui ao lado, que chegou agora de Kanyakumari.
– KANIQUÊ?
– Kanyakumari. Não interessa, é na India. Quanto queres pelo atum?
– 30 paus e fechamos negócio.
– Negócio FFFFFFFFFFFechado!
– FFFFffff. Supimpa! (Sardinha Lifesaver).
– Mas? Mas o que se passa contigo?, diz a Sardinha Pescador.
– Acho que FFFFui FFFFFurada por uma FFFFagulha! Estou com falta de AAar.
– Onde vais? VOLTA!” “raispartam as fagulhas.

Entretanto, cai a noite…
– Estava a vender tão bem o meu peixe… Bolas, bolas, carambolas. “Quem me compra o BONITINHO? Vou prós santos e precioso de GUIITO!.

A Sardinha Pescador dirigindo-se à “Sardinha Vasco Santana”:
– V. Ex.ª vai perdoar-me a inconveniência. Mas podia fazer o obséquio de me comprar este BONITO?
– Óh Rosa Tirana, que é da tua tirania TRÓ LARÓ LARÓ LARÓ!”, respondeu-lhe Vasco Santana.
– Não te dignas comprar um BONITO a um humilde pescador. Desculpa que te diga, mas és um ilusionista, um ilusionista e um vaidoso. De resto, és igual a todos os homens, perfeitissimamente igual. Talvez um pouco mais gordo que um Bonito…
– Ó pescador que vieste aqui desovar nos meus ouvidos, eu compreendi-te mas só compro peixe da Serra dos Candeeiros. TRÓ LARÓ LARÓ LARÓ.
– Não me parece que por aí os bonitos sejam frescos. Você está a mentir-me!, exclamou o pescador.
– Eu sou fiel aos meus fornecedores, imaginários ou não, respondeu-lhe a Sardinha Vasco Santana. E ainda acrescentou: Queres chegar a vias de facto?
– DE FACTO!, respondeu a Sardinha Pescador, ao mesmo tempo que se embrulhavam.
– POW! POW!…
– Ai que estes santos são só pecadores! Separem estas sardinhas! Somos todas irmãs”, pregava a Sardinha Santo António do Fogareiro”, dirigindo-se à Sardinha Bóia-salvadora” que assistia incrédula àquela luta.

Acabada a refrega, cada uma foi para seu lado, e a Sardinha Pescador continuava com o seu pregão:
– Mas que raios! Afinal quem é que me compra o BONIITO? Os santos estão a acabar e eu quero BAILARIICO.

Um novo personagem entra em acção, a Sardinha Vendedora de Mines:
– Bonito, bonito é virem beber um golito!”, apregoa ao mesmo tempo que ostenta uma cerveja em cada mão.
– É oferta? É rodada geral? Estão dentro do prazo?, interroga a Sardinha Pescador.
– As minhas mines são oferecidas! SIRVAM-SE, exclama a Sardinha Vendedora de Mines.
– É o milagre da multiplicação. Viva o Santo Padroeiro das Mines, exclama a Sardinha Pescador.
– VIVA!, respondem as restantes sardinhas.
– Não blasfemem, meus filhos, poderão vir a engasgar-se numa espinha, aconselha a Sardinha Santo António do Fogareiro.
– Agora que está tudo bem, faço-te um sashimi de BONITO, meu caro pescador, oferece-se solicita a Sardinha Vasco Santana.
– Isso é bonito da tua parte, respondeu agradada a Sardinha Pescador.

Todas reunidas, a Sardinha bóia-salvadora respondeu às solicitações das outras sardinhas.
– Sim, eu já estou bem, escusam de perguntar! Fui à Rua da Emenda e recuperei o ar!…
– Um brinde à tua recuperação, propõe a Sardinha Pescador.
– Por acaso não tem vinho palheto? pergunta a Sardinha Vasco Santana à Sardinha Vendedora de Mines, que ali continuava com os braços no ar a oferecer o seu produto.

Um pouco afastada, a Sardinha Santo António do Fogareiro contemplava embevecida este quadro, e exclamava:
– Tudo está bem quando acaba na BRASA.”

A exposição “A minha vida dava um sardinha” está patente ao público até 22 de Agosto.

Seguiu-se a visita ao Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros.

20 de Junho de 2015.

Reportagem em actualização:
Visita ao “Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros”.
Visita ao “Museu do Oriente”.

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2015)

Programador Cultural

(Presidente da Alenculta)

hernani.figueiredo@sapo.pt

TM 965 523 785

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