Visita ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis

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Visita ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis.

Alenculta – Visita ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis (20/6/2015)
Fig. 1 – Objecto já conhecido na Antiguidade Clássica – séc. XVIII-XIX. Originalmente era um símbolo de carácter sexual. Ao longo do tempo a sua simbologia evoluiu, passando a ser usado como amuleto contra o mau-olhado; Fig. 2 – Estaca pombalina – Estas estacas de pinho estavam cavadas verticalmente sob os alicerces do edifício e serviam para estabilizar o solo e as paredes; Fig. 3 – Moedas da época de D. Dinis; Fig. 4 – Azulejo século XVI – Azulejo com decoração geométrica policroma. Supõe-se que tenha integrado uma das divisões do antigo Paço Real da Ribeira; Fig. 5 – Torre. Séc. X-XIII. Fragmento de objecto em forma de torre, decorada com motivos geométricos. Poderá ter sido uma peça de xadrez ou a extremidade de uma roca de fiação; Fig. 6 – Almofariz. 1.ª metade do século II d.C. – Fragmento de bordo de almofariz que apresenta uma estampilha com a legenda “DIONYS(I) DOM LUCILI”. Indica uma produção do oleiro Dionysius das oficinas de Domitia Lucilia, a Menor, mãe do Imperador Marco Aurélio; Fig. 7 – Linha de fractura no reboco que se estende diagonalmente entre o topo da sapata e a parte superior da muralha. Terá resultado de um sismo, provavelmente o Terramoto de 1755; Fig. 8 – Poço pombalino – Foi construído depois de 1755, quando a muralha já estava soterrada e a circulação se fazia a um nível do solo próximo do actual; Fig. 9 – Revestimento cerâmico de parede, provavelmente de uma divisão do Paço Real da Ribeira.


Acompanhei ontem, 20 de junho de 2015, a visita ao Núcleo de Interpretação da Muralha de D. Dinis, inserida na primeira viagem do projecto “Rotas Culturais” da Alenculta.

Este Núcleo de Interpretação situa-se na cripta da antiga Igreja de São Julião; aqui estão mostrados os vestígios arqueológicos que testemunham a história da zona ribeirinha de Lisboa ao longo de mais de dois mil anos, desde o período romano imperial à contemporaneidade. Este único troço conhecido da muralha é o que resta da estrutura que D. Dinis mandou construir para defender a cidade dos ataques vindos do mar. Está classificado como Monumento Nacional.

Junto à muralha inicial, desenrolava-se o quotidiano das gentes no burburinho próprio da capital do reino como importante centro económico e comercial. Ao longo dos séculos, muitas edificações aproveitaram a resistência desta construção para aí apoiarem as suas paredes, entre os quais o Paço Real da Ribeira construído por D. Manuel I no período dos Descobrimentos.

Danificada quase por completo com o Terramoto de 1755, esta estrutura permaneceu soterrada mais de 250 anos. Em 2010, as escavações arqueológicas, executadas durante a remodelação da sede do Banco de Portugal, fizeram emergir parte da muralha do rei Trovador de novo à luz do dia.

Iniciámos esta visita por descer ao subsolo da sede do Banco de Portugal, onde fomos enviados para o areal ribeirinho da Lisboa medieval. Num cenário expositivo inovador, ali tomamos conhecimento dos achados arqueológicos e das evidências recuperadas durante as escavações. Dos mais de 100 mil fragmentos cerâmicos recolhidos nas escavações arqueológicas, a maior parte pertence às épocas romana e islâmica.

Este núcleo, dividido por áreas temáticas, reúne várias histórias, sobre o rei e o seu tempo e o devir histórico (como a consolidação das fronteiras do reino e a obrigatoriedade do uso do galego-português como Língua Oficial Portuguesa), e sobre o contributo da arqueologia para a interpretação dos vestígios e da muralha, que é apresentada ao visitante num cenário intimista, que privilegia a interpretação dos fragmentos e da iconografia e que tira partido da imersão nos ambientes da cripta e dos subterrâneos do edifício, com recurso a diferentes formas de apresentação, como conteúdos multimédia, atmosferas sensoriais que transportam para a época, sonoridades do quotidiano dos mercados e dos ofícios da época de D. Dinis, representações gráficas, animações 3D, documentos escritos, ossadas e excertos de objectos reais.

A terminar, foi visitada a porta da casa-forte, com cerca de sete toneladas, que está colocada na parede que separa a nave central do antigo templo do Museu do Dinheiro. Esta porta esteva colocada na antiga casa-forte onde, durante muitos anos, se guardaram as reservas de ouro do país, e é um elemento de referência no espaço do museu, criando uma ligação simbólica entre o espaço (a nave central da igreja) e a temática do museu (o Dinheiro).

Seguiu-se a visita ao à exposição “A minha vida dava uma sardinha”.

Reportagem em actualização:
Visita ao “Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros”.
Visita ao “Museu do Oriente”.

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2015)

Programador Cultural

(Presidente da Alenculta)

hernani.figueiredo@sapo.pt

TM 965 523 785

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