De freguês a consumidor: venha cavaquear comigo

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De-fregues-a-consumidorEscrevi o meu testamento cívico-profissional em forma de livro, na expetativa de poder debater com amigos, colegas da profissão, associativistas da mais diferente índole, sindicalistas, professores e alunos de muitas instâncias universitárias, e com provável e improvável público curioso sobre as andanças da sociedade de consumo e as inumeráveis questões que me acompanharam ao longo de quatro décadas. E mais não digo.

Tive a maior satisfação em aceitar o repto que me foi feito pela Livraria Barata (Avenida de Roma, 11) para em 16 de Julho, entre as 19 e 20h, ali comparecer e me expor a quem se interessa por tudo o que aconteceu quando saímos do estatuto de freguês e cliente e nos tornámos consumidores. São as histórias que escrevi no meu mais recente livro “De Freguês a Consumidor, 70 Anos de Sociedade de Consumo, História da Defesa do Consumidor em Portugal”, publicado pela Nexo Literário.

É igualmente com a maior satisfação que vos venho convidar para um debate franco sobre os termos dessa viagem que já dura há 70 anos, o extenso e penoso trânsito do industrial ao pós-industrial, pontuado pela voragem de paradigmas em que a comunicação e o digital se apresentam hoje como energias motrizes. Cavaquear à volta do triunfo do individualismo, da vertigem das modas, da ficção como segunda realidade, da permanência mitológica da crise, um espantalho devorador e intimidador que serve de chancela para a condução política dos mais variados matizes ideológicos.

Nesse cavaqueio, é bem possível que nos ponhamos de acordo de que as classes médias, tão sujeitas ultimamente ao processo centrifugador, ainda permanecem como o esteio das sociedades democráticas. Porque é do senso-comum que a sociedade de consumo, em todas as suas vicissitudes, conta com um consumidor como um eleitor. Coisa curiosa, os partidos políticos já nem precisam de afagar os consumidores, têm-nos na mão ao preço de um estranhíssimo conceito de segurança, intimidam com a perspetiva de uma crise maior se o consumidor não aceitar, na plenitude, as regras do jogo que propõem. Não há mesmo salvação fora das beatitudes da austeridade? Vamos então cavaquear.



Beja Santos

©Mário Beja Santos (2015)
Professor Universitário
Cofundador da UGC, União Geral de Consumidores

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