Visita ao Presépio de Alenquer

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Visita ao Presépio de Alenquer

A Alenculta acompanhou no dia 20 de Dezembro de 2015 o grupo de Catequese de Olhalvo de visita ao Presépio e ao Convento de São Francisco. A ocasião também foi aproveitada para uma paragem na Igreja de São Pedro e para uma «volta turística» no comboio panorâmico que nesta altura natalícia está presente na vila de Alenquer.

20-12-2015 – Visita ao Presépio de Alenquer
O Presidente da Alenculta, Hernâni de Lemos Figueiredo, dá as boas vindas ao grupo de catequese de Olhalvo. Raquel Raposo, Secretária da Direcção e Coordenadora da Secção de Património da Alenculta conduz o grupo até ao Presépio. Alberto Santos, da Secção de Património da Alenculta, apresenta o Presépio de Alenquer. Por fim, a foto de família, com o Convento de São Francisco como fundo, a próxima visita.

Aceitando o convite da Câmara Municipal de Alenquer a Alenculta assegurou as visitas guiadas ao Presépio e ao Convento de São Francisco do dia 20 de Dezembro de 2015, inseridas no programa «NESTE NATAL, VISITE O PRESÉPIO DE PORTUGAL».

Assim, neste dia, pelas 10 horas da manhã, no espaço fronteiro aos Paços do Concelho, os guias da Alenculta deram as boas vindas ao grupo da Catequese de Olhalvo, constituído por cerca de 30 pessoas; catequistas, crianças e seus pais.

Depois de breve troca de cumprimentos o grupo desceu o primeiro lanço da escadaria em direcção ao presépio instalado numa encosta com inclinação de 40% em direcção ao Rio Alenquer. Ali o grupo deparou-se com com um conjunto de 20 figuras com cerca de 10 mil quilos.

Alberto Santos, da Secção de Património da Alenculta, teceu algumas considerações sobre a origem dos presépios, remetendo os presentes para São Francisco de Assis e até ao século XIII, e também da probabilidade do primeiro presépio montado em Portugal ter sido no primeiro convento Franciscano no nosso País, precisamente em Alenquer, apesar do primeiro presépio aqui instalado conhecido ter sido o do Convento de São Francisco da Carnota, no ano de 1569.

A explanação prosseguiu com o motivo do nascimento do Presépio de Alenquer: precisamente para perpetuar a onda de solidariedade da população do Município surgida após as trágicas cheias de 1967, onde pereceram 62 pessoas no concelho, uma decisão emanada do próprio executivo camarário da época, presidido por João Mário Ayres d’Oliveira, que também ajudou «à pintura» das figuras criadas pelo pintor Duarte de Almeida, seu mestre.

A visita ao Presépio de Alenquer terminou com a divulgação sobre a sua concepção, construído ao gosto dos presépios tradicionais portugueses, com cerca de vinte peças, as maiores com cerca de 6 metros, a mais pequena com quase 1 metro e meio de altura, inspiradas na figuração da pintura portuguesa dos séculos XVI e XVII.

20-12-2015 – Visita à Igreja de São Pedro e viagem panorâmica
Raquel Raposo, Secretária da Direcção e Coordenadora da Secção de Património da Alenculta teceu algumas considerações sobre a Igreja de São Pedro e Túmulo de Damião de Goes, no seu interior. Foi com grande manifestação de alegria que o grupo da Catequese de Olhalvo deu «uma volta» no comboio panorâmico de Alenquer.

Entre esta visita e a que estava programada a seguir, ao Convento de São Francisco, entrepôs-se uma paragem no adro da Igreja de São Pedro e uma «volta turística» no comboio panorâmico que nesta quadra natalícia está presente na vila de Alenquer.

Aqui, Raquel Raposo, Secretária da Direcção e Coordenadora da Secção de Património da Alenculta, fez uma breve apresentação deste imóvel religioso datado do século XIII, que contém no seu interior dois monumentos: desde 1940, um Imóvel de Interesse Público, a capela quinhentista com todos os elementos da velha Igreja da Várzea relacionados com o humanista Damião de Goes e sua esposa, Joana de Hargen; E, desde 1941, o próprio túmulo de Damião de Goes, classificado como Monumento Nacional. Esta breve paragem serviu também para se falar de Damião de Goes e do seu esforço para a manutenção do diálogo inter-religioso com os cristãos da Lapónia e da Abissínia e com os Luteranos.

20-12-2015 – Visita aos Claustros do Convento de São Francisco

Defronte do pórtico manuelino da Sala do Capítulo, Hernâni de Lemos Figueiredo, Presidente da Alenculta, falou ao grupo da Catequese de Olhalvo da origem deste Convento de São Francisco de Alenquer, sobretudo de alguns acontecimentos tidos nesta Sala do Capítulo, assim como dos acontecimentos tidos na Sala da Infanta Santa Sancha, no segundo piso do claustro, precisamente sobre aquela sala, ainda no tempo do Paço Real.

O grupo seguiu para a última visita. Chegou à Igreja de São Francisco, defronte da sua porta principal exterior, ornamentada em estilo gótico, configuração arquitectónica em voga no século XIII, e encimada com o brasão das armas reais de D. Dinis.

Ultrapassado o pequeno lance de escadas à direita, esperava-o dois painéis em azulejo (séc. XVIII), muito danificados, onde o da esquerda representa a história da Aparição dos 5 Mártires de Marrocos à Infanta D. Sancha, e o da direita representa Frei Zacarias e o Senhor Crucificado.

Entre estes dois painéis está a portaria do primeiro Convento Franciscano instalado em Portugal por Frei Zacarias, seu primeiro Superior, que em 1222 ocupou o Paço Real da Infanta Santa Sancha, por esta reconhecer como diminutas as instalações que os frades menores ocupavam no ermitério de Santa Catarina, desde 1216.

Os Claustros em forma quadrada de 4 alas e 2 pisos, tem no piso térreo 14 arcos de volta perfeita e corredores cobertos por tecto plano de madeira, e o segundo piso possui alpendrada assente em colunas simples com capitéis decorados, fechado por janelas.

Já nos claustros, o grupo deteve-se junto da Sala do Capítulo, onde o Presidente da Alenculta, Hernâni de Lemos Figueiredo teceu algumas considerações sobre o local, concretamente que foi na renovação daquele claustro, no reinado de D. Manuel I, entre 1495 e 1521, que foi lavrado o pórtico manuelino de acesso à Sala do Capítulo, a pleno centro, decorado com motivos vegetalistas, zoomórficos e antropomórfico, mesmo ali à nossa frente, e hoje classificado como Monumento Nacional. No lado esquerdo deste portal, estão visíveis dois pequenos arcos góticos que ainda são do primitivo convento, e que este conjunto escapou ao Terramoto de 1755 que provocou bastantes estragos em todo o conjunto religioso.

Ainda falou da veneração e protecção que este «convento de posse real» sempre mereceu por parte da Coroa, e que isso está patente tanto nas diversas obras de remodelação que sofreu ao longo dos anos, como nas ofertas e privilégios recebidos, como ainda no alojamento de reis e rainhas.

O Convento tornou-se num dos mais afamados da Ordem de São Francisco e por isso passou a ser escolhido para nele se celebrarem os Capítulos Provinciais. São nove os registados, sendo os dois primeiros (1468 e 1486) para se confirmarem os Estatutos da Ordem. A Sala do Capítulo foi a dependência solene escolhida para a sua realização.

Esta sala também foi testemunha de alguns acontecimentos marcantes da História de Portugal. Foi aqui que Vasco Pires de Camões, alcaide de Alenquer e bisavô do Poeta Maior, entregou Alenquer ao Mestre de Avis, na crise dinástica de 1383; Também foi aqui que D. António, Prior do Crato, foi recebido e aclamado pelas autoridades de Alenquer como Rei de Portugal, na crise dinástica de 1580.

No segundo piso do Claustro, precisamente sobre a Sala do Capítulo, está a capela de Santa Sancha, de planta rectangular com cadeiral de madeira enquadrado por galeria em talha verde rococó composta por pequenos nichos envidraçados.

Foi ali que D. Sancha recebeu em 1216 Frei Zacarias, enviado a Portugal por São Francisco de Assis; aqui também recebeu em 1217 Frei Soeiro Gomes a pedir autorização para a instalação do primeiro convento beneditino em Portugal, Convento de Montejunto; Em 1219 também aqui foram recebidos pela Donatária os frades franciscanos 5 Mártires de Marrocos. Segundo a lenda, foi na sua capela que a 16 de Janeiro de 1220, a Infanta Santa Sancha teve a visão do martírio dos 5 Santos às mãos do imperador Mirabolim de Marrocos.

A visita terminou com a apresentação desta capela.

Alenquer, 20 de Dezembro de 2015

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2015)

Programador Cultural

(Presidente da Alenculta)

hernani.figueiredo@sapo.pt

TM 965 523 785


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