Damião de Goes e a terra de Preste João

· Diversos, OPINIÃO
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Damião de Goes e a terra de Preste João

Damião de Goes abraçou completamente a aproximação ao cristianismo romano pedida pelo rei etíope. E não se coibiu de informar o papa que Portugal era o mediador estratégico privilegiado entre a Igreja Católica e a Igreja da Etiópia, visto que duas das mais importantes linhas de força da expansão ultramarina Portuguesa consistiam precisamente na dilatação do Reino de Cristo e na união das igrejas cristãs.

Fides
Fides, Religio Moresque Aethiopum (Damião de Goes)

A visita ao túmulo de Damião de Goes, na Igreja de São Pedro, em Alenquer, neste Dia Internacional de Monumentos e Sítios, numa acção comemorativa que a Alenculta, Associação Cultural do Concelho de Alenquer, propôs-se à Direcção-Geral do Património Cultural assegurar, serviu de mote a esta pequena reflexão sobre uma das muitas facetas do Príncipe dos Humanistas Portugueses: a sua propensão para o diálogo inter-religioso. Neste caso, como defensor da ideia de uma cristandade universal que deveria impor-se através da união das Igrejas da Europa entre si e com as cristandades orientais, o Alenquerense ilustre facilmente se tornou no facilitador da aproximação entre o catolicismo romano e o cristianismo etíope. É esta generosidade de Goes que hoje tento evidenciar na reflexão que se segue.

A Abissínia, como veio a ser conhecida a Etiópia fora dos seus territórios, essa terra longínqua e desconhecida na Europa do Renascimento, que os Portugueses encontraram durante a heroicidade dos Descobrimentos quando da procura de Preste João, o lendário rei de uma Cristandade perdida a Levante, afinal era tão só o segundo país mais populoso de África, um reino que tinha as suas raízes no século X a. C., assente na Dinastia Etíope, cujos reis sempre acreditaram em duas premissas: primeira premissa, serem descendentes de Cam, (filho mais novo de Noé), e de Salomão (rei de Jerusalém) e de Makeda, (rainha de Sabá); segunda premissa, o seu reino ter recebido a fé cristã do eunuco de “Candace, rainha dos etíopes” quando foi baptizado por São Filipe Evangelista.

Não deve haver país onde a presença das três maiores religiões abraâmicas do mundo, judaísmo, cristianismo e islamismo, esteja tão vincada na sua história como a Etiópia. Primeiro, em quase 3.000 anos de história, os judeus negros da Etiópia, conhecidos por falashas (estrangeiros), têm mantido a sua fé, observam o Shabbat e mantêm as rígidas leis rituais descritas na Torá. Por sua vez, os etíopes acreditam que descendem de uma das dez tribos israelitas perdidas, tribo essa trazida para a região por Menelik, filho da rainha de Sabá e de Salomão. O povo abissínio acredita ainda que ele igualmente trouxe para o país a Arca da Aliança, que guardava as tábuas dos Dez Mandamentos recebida por Moisés. Segundo, a Etiópia é também o local da primeira Hégira da história islâmica, e da mais antiga população muçulmana em África: antes da fuga de Maomé de Meca para Medina, a persistente perseguição promovida pelos habitantes de Meca, obrigou os muçulmanos a fugirem para a Abissínia, em busca da protecção da corte do Reino de Axum. Por fim, terceiro, a Etiópia é um dos primeiros países cristãos no mundo, tendo em 330 d. C. adoptado o cristianismo como religião oficial de Estado. Também é neste país que se presume a localização do Jardim do Éden, “Paraíso onde Adão e Eva foram colocados para ali viverem e encherem a Terra com os seus descendentes”.

Só a partir da conquista turca de Edessa, na Síria, em 1144, se começou a ouvir falar dessa terra cristã, resultado das primeiras cruzadas francas. Mas, duma forma difusa e sempre com uma visão lendária e fantástica. Chegavam à Europa pela boca de cruzados, peregrinos e mercadores, tendo aí grande responsabilidade o que contaram o infante português D. Pedro e o seu contemporâneo D. Afonso, conde de Barcelos, efeito das suas viagens no século XV às “Sete Partidas do Mundo” e à Terra Santa. O conhecimento sobre o cristianismo na Etiópia processava-se muito vagarosamente e só nos concílios de Constança (1414-1418) e Florença (1438-1439), onde lado a lado com os representantes oficiais portugueses participaram emissários etíopes, foi possível potenciar-se trocas de ideias sobre os cristianismos do Ocidente e do Oriente.

Com isso, Preste João perde gradativamente as suas configurações, lendária e mítica, e é cada vez mais tido como um muito poderoso senhor de um reino cristão, não fabuloso, e um potencial interlocutor dos reinos da Cristandade para uma aliança contra o Islão.

Perante o conhecimento que lentamente se ia obtendo, em 1487 D. João II enviou, por terra, Pêro da Covilhã e Afonso Paiva à procura desse Preste João, e também para observarem, in loco, o circuito comercial das especiarias, monopolizado pelos turcos. Quando, em 1492, Pêro da Covilhã conseguiu chegar à corte da Etiópia, já as armadas lusas travavam encarniçadas batalhas contra os turcos, no propósito de lhes arrebatarem o monopólio comercial das especiarias com o Oriente. Perante este cenário, a Etiópia sentia-se cercada pelos inimigos da fé cristã.

Entretanto, Pêro da Covilhã ficou na Etiópia onde casou duas vezes e teve numerosa descendência. É convicção que chegou a conselheiro da rainha Helena, regente do reino durante a menoridade do neto Lebna Dengel (David II), tendo morrido por volta de 1526. É precisamente, por iniciativa da regente etíope que em 1514 é enviado a Portugal um embaixador para entregar a D. Manuel I uma carta a solicitar “o apoio dos portugueses para libertar o seu país do secular isolamento em que havia lançado o cerco dos muçulmanos e a exagerada dependência da Igreja etíope em relação ao patriarca de Alexandria, que lhe impunha metropolitas egípcios”.

Esse embaixador, Mateus, um mercador arménio, não teve a vida facilitada, pois foi preso em Zeila (cidade na costa etíope controlada por muçulmanos), em Adém (no Golfo Pérsico), e em Dabul, (na costa da Índia), onde só foi libertado por influência de Afonso de Albuquerque, ao tempo governador do Estado Português da Índia, que o acolhe em Goa, em Dezembro de 1512, e facilita a sua viagem para Lisboa; viagem que também não foi pacífica, pois esteve acorrentado por não se acreditar na sua condição de embaixador das terras de Preste João.

Em 1514, D. Manuel I convocou o embaixador Mateus para um consistório, a que ele próprio presidiu, e em que participaram prelados e doutores em Teologia. Nesta reunião, os Portugueses tiveram o conhecimento mais consistente da organização da Igreja etíope, com os seus ritos e práticas religiosas, muitas delas com grandes divergências em relação ao cristianismo romano, o que não provocou grande alarme, talvez por estarem em jogo interesses mútuos contra os muçulmanos, inimigos de ambos os reinos naquelas paragens.

Por já estar na corte de D. Manuel I desde 1511, embora criança ainda, Damião de Goes assistiu a estas movimentações. Mais tarde, já na Flandres, e por pedido de Johannes Magnus, arcebispo de Upsala, Damião de Goes traduziu a carta trazida por Mateus a D. Manuel I, e incluiu-a na Legatio Magni Indorum Imperatoris Presbyteri Ioannis ad Emanuelem Lusitaniae Regen, Anno Domini M.D.XIII (Grande embaixada do Imperador da Etiópia para D. Manuel, rei de Portugal, no ano de 1513), publicada em Antuérpia no ano de 1532. Nesta altura, Damião de Goes estudava na Universidade de Lovaina e ainda não conhecia Desidério Erasmo, o que só viria a acontecer na sua viagem seguinte, a Friburgo, em 1534.

Apesar da carta entregue por Mateus não provocar grande preocupação, D. Manuel I enviou, a 7 de Abril de 1515, a primeira embaixada oficial à Etiópia, chefiada por Duarte Galvão, com o objectivo principal da localização geográfica da Etiópia e da sua caracterização religiosa:

“não vinham para ser mercadores mas que vinham para servir a Deus e aos reis a ajuntar os cristãos com cristãos”.

Nesta embaixada, iam o médico João Bermudes e o Padre Francisco Álvares. Dificuldades várias impediram Duarte Galvão de realizar a sua missão, acabando por falecer em 1517, na ilha de Camarão. Só em 1520 foi reconstituída a embaixada, desta feita chefiada por D. Rodrigo de Lima.

A embaixada portuguesa permaneceu seis anos na Etiópia, onde foi autorizada a construir fortalezas em Suaquém, Maçuá e Zeila. Neste período, o rei Lebna Dengel e o Padre Francisco Álvares trocaram ideias sobre as diferenças entre o cristianismo romano e o etíope, tendo o jesuíta português oportunidade de esclarecer e defender as virtudes da Igreja Católica face às divergências com a doutrina e ritos etíopes, colocando o foco no primado do Papa sobre os patriarcas de Antioquia, Constantinopla e Alexandria. O português não perdeu a oportunidade para criticar “algumas práticas da Igreja Etíope, como a observância do Sábado, a circuncisão, o casamento dos padres, o facilitismo na aceitação do divórcio, o rebaptismo anual no dia da Epifania e a ordenação dos padres e diáconos sem uma prévia e séria preparação”. Muitas destas informações foram recebidas em Lisboa a 31 de Abril de 1521. Logo, no mês de Maio imediato, o rei lusitano envia ao Pontífice romano a Carta das Novas que vieram a El rei nosso Senhor do Descobrimento do Preste João a colocá-lo ao corrente da situação religiosa na Etiópia.

Entretanto, por influência, ou não, do padre jesuíta Francisco Álvares, ou até de Pêro da Covilhã, a verdade é que em 1524 o rei Lebna Dengel também enviou uma carta ao Pontífice romano, e já era a segunda, a manifestar o desejo de uma aliança que o protegesse dos muçulmanos e do patriarcado de Alexandria, que “punham em causa não só a pureza da fé, mas igualmente a independência política e a substância económica daquele povo”, ao fim e ao cabo, os mesmos receios expressados na carta enviada a D. Manuel I através do embaixador Mateus, concluindo, ainda, com o seu desejo “de obediência aos príncipes cristãos e ao Papa”.

Em 1527 a embaixada portuguesa terminou a sua missão na Etiópia, e regressou a Lisboa com um novo embaixador etíope, junto do reino português, o bispo Zagazabo, Antes da partida, o padre Francisco Álvares foi investido por Lebna Dengel da “missão de expor pessoalmente ao Papa e à Igreja ocidental a situação do cristianismo na Etiópia e a vontade de o Imperador efectuar a união com a Igreja de Roma”; por obstáculos vários surgidos em Lisboa, só em 1533 conseguiu ser recebido pelo Papa Clemente VII.

Mas, afinal o que dissera o bispo abissínio, nesta sua pretensão de colocar o cristianismo do seu povo sob a complacência do Pontífice romano? Que em África, rodeado de povos pagãos, existe um reino, a Etiópia, cujo povo pratica a religião cristã, embora um tanto ou quanto desviada da doutrina emanada de Roma, que inclui alguns antigos ritos e regras do islamismo e do judaísmo, e que têm um grande respeito pelo Antigo Testamento.

Tudo isto era de mais para a ortodoxia religiosa reinante na Lisboa do século XVI. A observância do Sábado, a circuncisão, o casamento dos padres, o facilitismo na aceitação do divórcio, o rebaptismo anual no dia da Epifania, o Jejum até ao pôr-do-sol, as pessoas terem que se descalçar para entrarem nos templos e a ordenação dos padres e diáconos sem uma prévia e séria preparação era impossível ser aceite pelos doutos e zelosos teólogos da época. Por isso, o pesaroso bispo abexim logo se viu envolvido em muitas desconsiderações e intrigas palacianas, e foi impedido de comungar e ameaçado de excomunhão; em conclusão, não conseguiu fazer-se reconhecer como cristão, dado os zelosos responsáveis religiosos considerarem blasfemadoras algumas doutrinas e ritos da sua igreja.

Damião de Goes, que estava na Flandres desde 1523 como secretário da Casa da Índia (Feitoria de Antuérpia), em 1533 conheceu Zagazabo (que já se encontrava em Lisboa há seis anos) no seu regresso a Lisboa, quando o rei o chamou para ir ocupar o lugar de Tesoureiro dessa mesma Casa da India, responsabilidade que não aceitou. Neste curto período de cerca de quatro meses, enquanto não parte em Peregrinação a Santiago de Compostela, e depois para Friburgo, em 1534, Damião de Goes mantém várias conversas com o bispo abexim e testemunha algumas daquelas dificuldades; e imbuído de um reconhecido espírito ecuménico logo ali começou a defender a sua causa, e fez a tradução para latim, do essencial desses diálogos havidos.

Assim, em Fides, Religio Moresque Aethiopum, deu conhecimento ao Papa Paulo III da solicitação etíope, pedindo que recebesse este “bispo de pele negra”, que o tratasse com generosidade e lhe permitisse a sua desejada aproximação a Roma:

“Vemos que este imperador dos etíopes com todos os seus súbditos, deseja também viver sob a tua lei e nada mais deseja. Não ignora, além disso, por causa da doutrina dos Apóstolos, que possui, dividida em oito livros, que a primazia dos bispos e de todo o mundo é devida ao bispo romano, a quem inteira e santamente quer submeter-se e também ser instruído por ele nos princípios da Igreja de Cristo. Pede que, para isso, lhe sejam enviados homens sábios, o que mostra desejar avidamente”.

Entretanto, no século XVI, na Europa, falar-se de Renascimento era o mesmo que falar-se de erasmismo. Fruto da aprendizagem dos contactos com Erasmo de Roterdão, a partir da sua viagem a Friburgo, Damião de Goes mostra neste mesmo opúsculo grande compreensão pelos desvios teológicos e rituais do cristianismo etíope, valorizando o mérito de ele haver subsistido durante vários séculos geográfica e religiosamente afastado do princípio unificador da ortodoxia católica, que é o Romano Pontífice.

“Mas, a verdadeira e justa glória deste povo é ter recebido a fé cristã, logo de princípio, do eunuco da Rainha Candace, baptizado pelo Apóstolo S. Filipe, e depois a ter conservado por tantos séculos já, e tão fielmente; e apesar de, então como agora, estar cercada por todos os lados de mouros e sarracenos adoradores de Maomé, bem como de idólatras”.

Damião de Goes abraçou completamente a aproximação ao cristianismo romano pedida pelo rei etíope. E como era um cristão por todos reconhecido e um patriota assumido, não se coibiu de informar o papa Paulo III que Portugal era o mediador estratégico privilegiado entre a Igreja Católica e a Igreja da Etiópia, visto que duas das mais importantes linhas de força da sua expansão ultramarina consistiam precisamente na dilatação do Reino de Cristo e na união das igrejas cristãs.

Não só pelo que explanou na Fides, Religio Moresque Aethiopum, como já citei acima, Damião de Goes era defensor da ideia de uma cristandade universal, que devia impor-se através da união das Igrejas da Europa entre si e com as cristandades orientais e da evangelização dos países pagãos:

“Se por vossa prudência vos houverdes de modo que a Igreja, quer na Europa, quer na Etiópia, evitando perigos e naufrágios, chegue, sob a vossa direcção, a porto de salvamento, entoaremos em vosso louvor esse cântico Profético da Sabedoria: «Irei às partes mais remotas da terra, tomarei conhecimento de todos os que dormem nas trevas e iluminarei todos os que esperam no Senhor»”.

Apesar da enorme ressonância europeia, com contínuas reedições em Bruxelas, Lovaina e Paris, e com John Moore (filho de Thomas Moore) a traduzi-la para inglês, a Fides, Religio Moresque Aethiopum foi vítima da Inquisição Portuguesa, que em 1541 proibiu a sua circulação, com a argumentação que o autor descrevera as superstições dos Etíopes de tal forma que parecia corroborá-las. O Cardeal D. Henrique, Inquisidor-Geral do reino, que até aí o cumulara de honrarias, não entendeu que Damião de Goes pretendia, sobretudo, o regresso da Etiópia ao catolicismo romano, tendo em conta apenas o essencial, pois o que distinguiria estes dois tipos de cristianismo eram fundamentalmente pontos rituais e de disciplina eclesiástica. Este sentimento ecuménico de Damião de Goes nunca foi bem entendido pelos seus inimigos, e isso está bem explicito no libelo acusatório no processo do Julgamento de Damião de Goes.

Alguma desta reflexão aqui exposta é parte dessa obra, Fides, Religio Moresque Aethiopum (A Fé, a Religião e os Costumes da Etiópia), opúsculo publicado em Lovaine, em 1540, e que Damião de Goes ofereceu ao Papa. Este documento inclui uma carta por si dedicada ao Sumo Pontífice; uma introdução de teor histórico sobre a demanda da Etiópia e as embaixadas trocadas entre este reino e Portugal; carta da rainha-mãe, Helena, já antes publicada por si em Legatio…,; carta do rei Lebna Dengel a D. Manuel I; carta do mesmo monarca a D. João III; carta ainda do mesmo rei ao Papa; e um tratado religioso, que o próprio embaixador Zagazabo redigiu em Português. Em suma, o que essas cartas sintetizavam era um pedido de “apoio militar português contra as incursões dos mouros e o envio de pregadores bem formados na fé cristã”.

Entretanto, a partir de Goa, a Inquisição Portuguesa enviou jesuítas à Etiópia para averiguar as práticas religiosas no território. Como estas foram qualificadas de hereges, de imediato iniciaram acções de evangelização. Em face disso, em 1622, o Imperador Susenyos I converteu-se ao cristianismo romano, e em 1624 transformou-o em religião de Estado; para isso utilizou pedreiros árabes e jesuítas, bem como pedreiros locais (judeus falashas), na construção de diversas Igrejas. Em resultado de uma revolta, em 1632 abdicou do trono em favor de seu filho, Fasilides, que de imediato restaurou a Igreja ortodoxa etíope (cristianismo copta) e expulsou do reino os pedreiros estrangeiros, incluindo os jesuítas portugueses, pondo assim fim a 140 anos de relação amigável entre o império etíope e Portugal. Mas, como é óbvio, a isto já Damião de Goes não assistiu.

Para terminar esta pequena reflexão sobre Damião de Goes e a terra de Preste João, traço mais algumas notas da Abissínia. Com a morte da rainha de Sabá, o seu filho Menelik assumiu o trono com o título de “Rei dos Reis“, e fundou a “Dinastia Salomónica” da Etiópia que governou o reino durante aproximadamente três mil anos, 225 gerações, que só terminou com a chegada ao poder do Imperador Haile Selassie em 1974.

A Etiópia é uma terra muito vetusta, lendária e mítica, por isso não é de admirar que seja considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana no mundo, senão a maior, onde há cerca de 160 mil anos apareceu o homem moderno (Homo sapiens), a partir de outras espécies de hominídeos (Homo erectus). Lucy, é considerado o segundo fóssil humano mais antigo, mais bem preservado e mais completo fóssil adulto de macaco do sul de Afar (Australopithecus afarensis); foi estimado ter vivido aqui há cerca de 3,2 milhões de anos atrás. Também foi descoberto o Ardi, um Ardipithecus ramidus fêmea, o fóssil humano mais antigo conhecido (terá existido há 4,4 milhões de anos atrás).

Alenquer, 18 de Abril de 2015

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2015)

Programador Cultural

(Presidente da Alenculta)

hernani.figueiredo@sapo.pt

TM 965 523 785


 

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